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Mitos e verdades sobre a nutrição de gatos e cães

Mitos e verdades sobre a nutrição de gatos e cães
Atualizado em 30 de março de 2026
Tempo de leitura: 14min
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Compreenda o que é mito e o que é verdade na nutrição de gatos e cães e saiba como recomendar a dieta sob medida a cada paciente!

A nutrição adequada é um dos pilares fundamentais da clínica médica de gatos e cães, impactando diretamente no crescimento, na manutenção da saúde, na prevenção de enfermidades e no suporte terapêutico em casos clínicos. Contudo, mitos relacionados à alimentação de pets ainda permeiam tanto a percepção dos tutores quanto a prática clínica, podendo gerar condutas inadequadas de manejo nutricional.

Com base em evidências científicas, indicações de associações e materiais elaborados por nossos especialistas e parceiros, este artigo visa esclarecer 16 crenças comuns, diferenciando mitos e verdades na nutrição de pequenos animais e oferecendo subsídios técnicos para o médico-veterinário.

A importância da nutrição na clínica médica de gatos e cães

A nutrição de cães e gatos não deve ser entendida apenas como fornecimento de energia e manutenção do peso corporal, mas, sim, como ferramenta capaz de modular processos metabólicos, apoiar a função de órgãos e reduzir riscos de doenças crônicas.

O manejo alimentar adequado é essencial na prática clínica, tanto em animais saudáveis quanto em pacientes acometidos por condições como obesidade, doença renal crônica, doenças gastrointestinais, endocrinopatias, cardiopatias e dermatopatias.

Dessa forma, compreender os mitos e verdades na nutrição dos pets é imprescindível para que o médico-veterinário preze pela saúde e bem-estar de seus pacientes e oriente corretamente os tutores.

16 mitos e verdades sobre a nutrição de gatos e cães

A seguir, respondemos perguntas frequentes, dúvidas que podem ser levantadas pelos tutores durante as consultas e desvendamos o que é boato e que tem embasamento científico quando falamos de nutrição de pequenos animais.

1. Alimentação natural/cozida/orgânica pode ser uma opção para gatos e cães?

Depende. O alimento caseiro só será uma opção para gatos e cães se for formulado por um médico-veterinário ou zootecnista especializado em nutrição de pets. Dessa forma, a dieta caseira se torna completa e balanceada, incluindo suplementos que fornecem nutrientes essenciais, como vitaminas e minerais, nas quantidades sob medida para cada paciente.

Um estudo publicado na Journal of the American Veterinary Medical Association, por exemplo, analisou 200 dietas caseiras oferecidas a cães. Apenas 5% foram consideradas balanceadas e completas. Já em 11% foi notada deficiência em algum nutriente essencial. Para completar, em 84% das dietas faltava mais de um nutriente essencial (Stockman J et al, 2013). E é importante lembrar que as deficiências nutricionais podem ter consequências devastadoras.

Além disso, “natural” e “orgânico” não indicam necessariamente a qualidade dos ingredientes e nutrientes usados. Por isso, recomenda-se fortemente o uso de um alimento nutricionalmente balanceado e que siga às práticas alimentares da AAFCO (Association of American Feed Control Officials) para evitar complicações associadas a deficiências e excessos de nutrientes – seja este alimento industrializado ou caseiro.

2. Cães e gatos podem comer carne crua?

Não. A alimentação crua está se popularizando, no entanto, não há comprovação de benefícios para a saúde e existem muitos riscos associados ao fornecimento de alimentos crus para cães e gatos.

Ao contrário dos alimentos industrializados, que geralmente são completos, balanceados e submetidos a um rigoroso controle de qualidade, muitas dietas cruas são desbalanceadas.

Associações como WSAVA (World Small Animal Veterinary Association) e órgãos reguladores como o FDA (Food and Drug Administration), nos Estados Unidos, expressam sérias preocupações sobre os riscos à saúde pública e animal associados às dietas cruas e desencorajam seu uso.

Para completar, não há evidências científicas substanciais que comprovem os benefícios de dietas cruas, como a BARF. Já os riscos de contaminação são bem documentados.

Existem numerosos estudos que analisam o risco de infecção a partir de alimentos crus, sejam eles caseiros ou industrializados. Ambos os tipos podem conter organismos patogênicos como Salmonella sp, E. coli e Campylobacter sp. Além disso, há possibilidade de contaminação cruzada, especialmente perigosa para pessoas imunocomprometidas, idosos e crianças.

Adicionalmente, o oferecimento de ossos crus aos pets acarreta riscos potenciais, tais como engasgos, risco de obstrução do trato intestinal e/ou perfuração, e dentes lascados ou quebrados.

3. É correto focar a nutrição animal em ingredientes

Mito. O correto é pensar em NUTRIENTES. Muitos alimentos destacam ingredientes nas embalagens com foco no responsável pelo animal, que identifica nesses ingredientes opções semelhantes aos que considera saudáveis para si mesmo e, consequentemente, acredita que também são boas para seu pet.

Entretanto, a nutrição animal tem particularidades que precisam ser respeitadas. Gatos e cães possuem necessidades nutricionais bastante diferentes das dos humanos. Se alimentarmos nossos pets como se fossem humanos, eles poderão desenvolver sérios problemas de saúde. Por isso é essencial que o médico-veterinário reforce com os tutores a importância de seguir a dieta prescrita em consulta.

Quando a nutrição animal é baseada em nutrientes, são avaliadas as necessidades nutricionais do animal e é escolhido um perfil de dieta com base em 4 objetivos:

  • Fornecimento de energia: através de níveis sob medida de proteína, carboidratos e gordura;
  • Desenvolvimento e manutenção do corpo: através de níveis sob medida de aminoácidos e vitaminas;
  • Suporte direcionado para apoiar a saúde a longo prazo: através de níveis adequados dos nutrientes essenciais, como aminoácidos, ácidos graxos, vitaminas e minerais, além da quantidade adequada de energia;
  • Cuidados especiais: nutrientes muito específicos podem ser limitados ou adicionados em certas formulações, a fim de ajudar cães e gatos afetados por problemas de saúde.

A Royal Canin® aborda a nutrição com foco em nutrientes porque esta é a maneira mais precisa de adaptar a nutrição às necessidades específicas de cães e gatos, colocando o animal em primeiro lugar.

4. Dieta com alimentos industrializados secos e úmidos oferece muitas vantagens

Verdade. O alimento industrializado possui muitas vantagens, tanto em termos de nutrição e segurança alimentar para o animal quanto ao pensarmos em praticidade.

Alimentos secos industrializados possuem maior prazo de validade, podem ser deixados por maior tempo no comedouro quando comparados a alimentos não industrializados e promovem mastigação e trituração, processos que ajudam a evitar o acúmulo de placa e tártaro nos dentes.

Por sua vez, alimentos úmidos industrializados também possuem longos prazos de validade antes de sua abertura, graças ao tipo específico de processamento e embalagem utilizada, o que dispensa a necessidade de adição de conservantes.

Além disso, os alimentos úmidos tendem a ser altamente palatáveis para gatos e cães, apresentam teor de umidade mais elevado, com baixa densidade energética, o que pode ajudar a manter um peso saudável e promover o consumo hídrico em gatos que estão em risco de desenvolver doença do trato urinário inferior, por exemplo.

Inclusive, alimentos secos e úmidos podem ser combinados para proporcionar ainda mais benefícios na dieta de cães ou gatos, prática conhecida como mix feeding ou alimentação combinada. Quando ambos os tipos de alimentos são completos e balanceados, eles se complementam em seus benefícios, promovendo uma dieta mais variada com diferentes texturas e adaptada às necessidades de cada paciente.

Outro ponto fundamental é que os alimentos industrializados são desenvolvidos de acordo com rigorosos padrões nutricionais e passam por extensivos controles de qualidade, o que reduz drasticamente o risco de contaminação por agentes patogênicos e assegura a adequada conservação dos nutrientes. Isso gera uma alimentação segura, balanceada e prática, facilitando o dia a dia dos tutores sem comprometer a saúde e o bem-estar dos pets.

5. Alimentos industrializados não são nutritivos por serem formulados a partir de subprodutos

Mito. Subprodutos são definidos como corpos inteiros ou partes de animais, produtos de origem animal ou vegetal ou outros produtos obtidos de animais ou vegetais, que não são usados na cadeia alimentar humana, o que não implica em baixa qualidade ou menor valor nutricional.

Os subprodutos, na verdade, são ingredientes seguros e altamente nutritivos para gatos e cães, constituindo fontes concentradas de nutrientes essenciais, como aminoácidos, ácidos graxos, cálcio e fósforo, fundamentais para o desenvolvimento e a manutenção da saúde dos pets.

Quando passam por um processamento adequado e de qualidade, subprodutos tornam-se ainda fontes de proteínas de alta digestibilidade e são altamente palatáveis, contribuindo para uma dieta equilibrada e completa.

A Royal Canin® reforça esse compromisso, utilizando apenas ingredientes de fornecedores validados que passam por auditorias regulares. Os subprodutos também passam por esse controle rigoroso de qualidade, com foco em segurança alimentar, valor nutricional e confiabilidade dos alimentos produzidos e comercializados.

6. Farinha de aves pode deixar o alimento mais nutritivo?

Verdade. Corretamente processada, é uma excelente fonte de proteína de alta qualidade e alta digestibilidade para o animal.

A “farinha de aves” é produzida através do processamento de carcaças de aves; moendo, cozinhando, separando parte da gordura e, em seguida, secando e moendo a fração de proteína transformando-a em farinha. Nesse formato, ela é muito mais densa e nutritiva que o ingrediente “aves” ou “frango” em si, que contém 75% de água.

O importante não é o que parece mais atraente na embalagem ou na lista de ingredientes, mas, sim, a capacidade de identificar e fornecer as necessidades nutricionais precisas de gatos e cães. É fundamental ressaltar esse ponto com o tutor, que pode não compreender a importância nesse nutriente e se deixar levar pelo nome “subproduto”.

7. Dieta grain-free é melhor para gatos e cães

Mito. Os grãos, sementes de trigo, milho, centeio, aveia, arroz, são uma fonte nutritiva e digestível de nutrientes essenciais, incluindo proteínas, carboidratos, fibras, ácidos graxos, vitaminas e minerais, principalmente de amido e fibra. Além disso, nenhum estudo comprovou que uma dieta grain-free, ou seja, sem grãos, seja superior que qualquer outra.

Os cereais, portanto, podem ser uma boa maneira de cumprir as exigências nutricionais do animal, enquanto evitam certas complicações relacionadas a problemas de alergia ou digestão.

Vale ressaltar que as alergias a carboidratos são muito raras em gatos e cães. Nessas espécies, os alérgenos mais comumente relatados são proteínas como carne bovina, laticínios, frango e peixe.

8. Gatos conseguem aproveitar o amido?

Verdade. Gatos, assim como cães, são capazes de aproveitar o amido pois produzem amilase pancreática, enzima necessária para a digestão desse composto.

9. A adição de grãos na alimentação pode causar alergia

Mito. As proteínas de origem animal são as que mais frequentemente causam uma verdadeira alergia alimentar, mas isso precisa ser confirmado pelo médico-veterinário.

10. Alimentos que listam carne fresca como primeiro ingrediente da fórmula são as mais nutritivas

Mito. A nutrição fornecida por toda a dieta, e não qual ingrediente é o primeiro da lista de ingredientes na embalagem, é o que é importante para o gato ou para o cão.

A legislação atual do Ministério da Agricultura e Pecuária sobre pet food não determina uma sequência de inclusão dos ingredientes listados no rótulo, de maneira que cada ingrediente/grupo de ingredientes em um alimento para animais de estimação possa ser listados pelo critério do fabricante.

Portanto, mesmo que carne esteja entre os primeiros ingredientes, não quer dizer que seja, de fato, a principal fonte do conteúdo nutricional do alimento. E ainda lembramos que “carne fresca” naturalmente contém grandes quantidades de água.

11. Mais importante do que a quantidade de proteína presente no rótulo é a qualidade das fontes de proteína

Verdade. Isso ocorre porque a digestibilidade determina quanta proteína pode ser digerida no trato gastrointestinal, absorvida na corrente sanguínea e utilizada pelo organismo do animal de estimação. Ou seja, nem toda quantidade de proteína declarada no rótulo é digerida, absorvida e aproveitada pelo pet.

Os ingredientes possuem diferentes porcentagens de digestibilidade da proteína, daí a importância da seleção de ingredientes de acordo com evidências científicas e critérios rigorosos na escolha dos fornecedores e dos ingredientes. Por exemplo, farinha de aves, dependendo da sua qualidade, pode possuir em torno de 88% de digestibilidade da proteína, enquanto o glúten de trigo possui uma digestibilidade ainda maior, cerca de 99%.

Qualquer proteína não digerida no trato digestivo será eliminada do corpo do animal nas fezes. Se a proteína não digerida estiver presente no intestino grosso, pode provocar alterações de microbiota intestinal, flatulência e fezes amolecidas.

12. A ingestão de carboidrato pode levar ao desenvolvimento de diabetes?

Mito. O perfil nutricional da dieta não é o principal fator de risco para o desenvolvimento de Diabetes mellitus, mas sim a alta ingestão energética, que pode vir dos carboidratos, das proteínas e, principalmente, das gorduras. Essa alta ingestão calórica pode levar à obesidade, que é um fator predisponente para a ocorrência de diabetes mellitus, principalmente em gatos.

13. Cães e gatos obesos podem se alimentar de alimentos de linhas light

Mito. Em casos de obesidade, é indicado que o paciente receba dietas coadjuvantes com formulação específica para a perda de peso saudável, como o alimento Royal Canin® Satiety, que é especialmente formulado para auxiliar da perda de peso segura e reduzir o risco de recuperação do peso.

Vale ressaltar que, tanto animais com tendência ao sobrepeso quanto animais que já apresentam ECC acima do ideal, devem receber a quantidade exata de alimento indicada pelo médico-veterinário para que não acabem ingerindo mais calorias do que o necessário.

14. Animais filhotes podem comer ração de adultos

Mito. Filhotes de cães e gatos não têm as mesmas necessidades nutricionais que oscães e gatos adultos.

O período de crescimento é o estágio mais complexo e delicado da vida de um cão ou gato. Enquanto estão crescendo rapidamente em tamanho, o sistema digestivo e o sistema imune se desenvolvem lentamente. Portanto, possuem necessidades nutricionais bastante específicas, que são diferentes das dos gatos ou cães adultos.

Diante disso, é importante fornecer uma dieta nutricionalmente completa ajustada às necessidades específicas dessa fase para apoiar o desenvolvimento e estabelecer os fundamentos para um futuro saudável.

15. A troca de ração deve ser realizada sempre de forma gradativa

Verdade. A transição alimentar gradativa, em um período de 5 a 7 dias, é recomendada para minimizar riscos de desconfortos gastrointestinais e favorecer a aceitação do novo alimento.

16. Todos os tipos de dieta podem oferecer risco à saúde dos animais?

Verdade. Qualquer dieta pode oferecer risco à saúde, caso ela não seja bem formulada, segura para o pet e com nutrientes e processo produtivo de alta qualidade. Vale ressaltar que as dietas não convencionais como dietas caseiras não balanceadas, dietas vegetarianas/veganas e alimentos crus podem representar riscos significativos à saúde dos pets.

Como conversar com o tutor sobre mitos e verdades da nutrição de gatos e cães

A comunicação clara entre médico-veterinário e tutor é essencial para corrigir percepções equivocadas e entender os mitos e verdades na alimentação dos pets. Muitos tutores chegam à consulta munidos de informações obtidas em redes sociais, recomendações informais de criadores, vizinhos ou amigos, além de interpretações equivocadas sobre rótulos de alimentos.

Ao abordar essas questões, o profissional deve adotar uma postura empática, ouvindo as preocupações do tutor, reconhecendo a origem das crenças e redirecionando o diálogo com base em evidências científicas, com uma explicação técnica acessível.

Essa abordagem fortalece a confiança na relação veterinário-tutor e contribui para maior adesão às recomendações nutricionais individualizadas e melhores resultados clínicos a longo prazo.

A Royal Canin® atua há mais de 50 anos promovendo nutrição e saúde aos pets

Com mais de cinco décadas de dedicação à nutrição de cães e gatos, a Royal Canin® investe continuamente em pesquisa científica, desenvolvimento de fórmulas específicas e inovação tecnológica.

Esse compromisso tem como base a nutrição como ferramenta de saúde preventiva e terapêutica, auxiliando médicos-veterinários na prática clínica e contribuindo para o bem-estar e longevidade dos pets.

Nossa linha de produtos oferece alimentos específicos para diferentes necessidades nutricionais. São alimentos completos e balanceados para atender as demandas nutricionais de gatos e cães em diferentes fases e estilos de vida*.

Conheça melhor o nosso portfólio e as nossas linhas de alimentos coadjuvantes e para animais saudáveis. Utilize a nossa ferramenta exclusiva e gratuita de Recomendação Nutricional, que tem como objetivo facilitar a escolha do melhor produto e da quantidade ideal para cada paciente.*

* A escolha do alimento ideal para o paciente deve ser sempre feita pelo médico-veterinário responsável, considerando suas particularidades, condição de saúde e necessidades específicas, promovendo uma nutrição adequada, bem-estar e longevidade.  

Referências:

ROYAL CANIN. Verdade da Nutrição Guia Prático.

ROYAL CANIN. As 11 Ideias Preconcebidas Mais Comuns do Tutor de Pets.

Stockman J, Fascetti AJ, Kass PH, et al. Evaluation of recipes of home-prepared maintenance diets for dogs. J Am Vet Med Assoc 2013; 242: 1500-1505

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