Nutrição da gata gestante e da lactante

Nutrição da gata gestante e da lactante

As necessidades energéticas e nutricionais da gata gestante diferem daquelas da gata adulta em manutenção, e sua alimentação influenciará diretamente a saúde e o desenvolvimento dos filhotes; saiba mais

As fases de gestação e lactação compreendem um período de mudanças drásticas nas necessidades energéticas das gatas. O ganho de peso na espécie felina durante a gestação é diferente do de outros mamíferos, como seres humanos e cães, por exemplo, onde a maior parte ocorre na fase final da gestação. As gatas exibem um padrão distinto caracterizado por um ganho de peso linear durante toda a gravidez, independentemente do número de fetos. O consumo calórico cresce acompanhando o ganho de peso.

As gatas podem se reproduzir com êxito entre 1 e 10 anos de idade, mas o auge de sua época reprodutiva fica entre 2 e 5 anos. É importante que as gatas estejam completamente maduras para garantir uma reprodução bem-sucedida, uma gestação harmoniosa e uma ninhada saudável.

Fases da gestação da gata

O tempo gestacional dura em torno de 65 dias. Após a implantação do embrião (por volta do 12º dia), o desenvolvimento do filhote pode ser dividido em duas fases:

  • Embriogênese (dias 12 a 24): quando os principais órgãos e estruturas do corpo começam a se desenvolver
  • Crescimento fetal: do 25º dia até o final da gestação. Mais de ¾ do peso do filhote ao nascimento é adquirido por ele após o 40º dia gestacional

Durante os primeiros 2/3 do período gestacional, ocorre na mãe o acúmulo das reservas que serão mobilizadas após o parto, período chamado de “anabolismo gravídico”. Após o 40º dia de gestação, o ganho de peso corresponde essencialmente ao crescimento dos filhotes.

A subalimentação da gata gestante pode trazer graves consequências aos fetos, além de degradação da condição corporal da mãe. Já a alimentação e a condição física adequadas irão conferir a habilidade de resistir ao estresse inerentes ao período de gestação e lactação.

Filhotes

O tamanho da ninhada pode variar de 1 a 10 filhotes, mas a média é de 4. Os filhotes se alimentam exclusivamente de leite materno durante as primeiras 3 ou 4 semanas. Depois desse período, eles começam o desmame e a transição para o alimento pastoso e, posteriormente, para o sólido.

Alimentação antes, durante e depois da gestação

Confira abaixo as necessidades energéticas e características fisiológicas e comportamentais da gata durante cada etapa do ciclo reprodutivo:

Cio

  • Necessidade energética diária (NED): aproximadamente 60 kcal/kg/dia.
  • As gatas podem apresentar comportamento exigente enquanto estão na presença do macho.

Gestação

  • NED: 90 kcal/kg/dia em média
  • As necessidades energéticas podem ser calculadas de forma mais precisa com um aumento semanal de 10% em comparação à manutenção de uma gata não castrada.
  • O acréscimo do consumo permite a formação de reservas que serão utilizadas após o parto. Durante a gestação, a gata ganha aproximadamente 40% do seu peso normal e desde o início deverá ser fornecido alimento rico em energia.
  • O teor elevado de gorduras aumenta o índice de sobrevivência dos filhotes ao nascimento.
  • Por outro lado, deve-se acompanhar o ganho de peso da gata, pois excessos podem levar a dificuldades durante o parto e reduzir o número de filhotes viáveis.
  • O comportamento da gata praticamente não sofre alteração durante as três primeiras semanas de gestação.
  • Durante a última semana de gestação, observa-se uma tendência à redução na ingestão alimentar relacionada ao aumento do tamanho do útero, que exibe tamanho considerável.

Lactação

  • NED: 120 a 180 kcal/kg/dia. Durante essa fase, qualquer que seja o alimento fornecido à fêmea, ele não será suficiente para suprir suas necessidades nutricionais altíssimas. A dieta atenderá cerca de 80 a 85% de suas exigências, e a gata mobiliza integralmente a reserva de gordura formada ao longo da gestação.
  • Imediatamente antes, e logo após o parto, o consumo alimentar da gata é reduzido, mas aumenta rapidamente de acordo com o nível de necessidade energética para suprir as demandas da lactação.
  • Após o parto, a gata apresenta um excesso de peso de 20% em relação ao seu peso na época do cruzamento.
  • Neste período, a gata produz de 1,5 a 2 vezes o seu próprio peso em leite, sendo a produção diária de aproximadamente 250 ml de leite.
  • O pico de produção láctea ocorre por volta da 4ª semana de lactação.
  • Qualquer leve desidratação da mãe pode levar à diminuição da produção de leite.
  • O alimento deve ser administrado em esquema ad libitum.

Perfil nutricional do alimento para a gata gestante

De modo geral, um alimento formulado para filhotes é adequado também às exigências nutricionais da gata gestante. A formulação do alimento fornecido na fase de gestação e lactação deve apresentar as seguintes características e nutrientes:

Alta energia: lipídeos são macronutrientes energéticos que fornecem o dobro de energia por grama quando comparados às proteínas e aos carboidratos. Quanto maior o teor de lipídeos na formulação, maior a densidade energética da dieta, o que contribui para suprir as exigências com menor volume. O alimento rico em energia atende às demandas nutricionais da gata gestante, dos fetos em desenvolvimento e auxilia na formação do acúmulo de reservas que serão mobilizadas durante a lactação. O teor de lipídeos influencia diretamente na qualidade do leite, o que será mais evidente quanto maior for o tamanho da ninhada. Os ácidos graxos ômega 3 de cadeia longa (EPA e DHA) também são indispensáveis ao desenvolvimento cerebral e da retina dos embriões e do feto.

Proteínas de alta digestibilidade: as necessidades proteicas da gata nessa fase estão aumentadas para ocorrer o adequado crescimento fetal, o crescimento do tecido mamário e a produção do leite. De acordo com as diretrizes nutricionais, recomenda-se no mínimo 30% de proteína para as gatas em todas as fases de reprodução. Muito mais importante que a porcentagem de proteína da dieta é atentar-se para o valor biológico e digestibilidade das fontes proteicas utilizadas. Gatas alimentadas com uma quantidade menor de proteína do que a recomendada poderão ter filhotes com o peso reduzido, um aumento na taxa de mortalidade e a imunidade dos filhotes prejudicada.

Alta palatabilidade: diversos fatores podem influenciar o apetite da gata durante o período reprodutivo. Oferecer alimento de alta palatabilidade, com perfil aromático atrativo para os felinos, contribuirá para garantir a ingestão adequada de nutrientes durante este período delicado.

Betacaroteno: antioxidante que contribui para criar um ambiente uterino e hormonal adequado para a gestação. Além disso, se acumula nos corpos lúteos que não ovularam e atua como antioxidante local durante a síntese hormonal, aumenta a síntese de progesterona e a quantidade de proteínas no lúmen uterino.

Ácido fólico: é uma vitamina do complexo B (vit. B9) indispensável para todos os tecidos onde as células se multiplicam rapidamente (ex.: fetos). Está envolvido na síntese dos componentes essenciais do DNA e na formação do tubo neural.

Cobre: necessário para o metabolismo normal de ferro e como uma enzima cofator em várias vias metabólicas importantes, incluindo os responsáveis pela mielina, a melanina e da produção de tecido conjuntivo. Uma deficiência de cobre leva a distúrbios reprodutivos como morte fetal e aborto. Há necessidade de níveis adequados deste elemento para os processos de gestação.

Taurina: aminoácido essencial para a espécie felina. A taurina é necessária para a reprodução normal e o desenvolvimento fetal. A deficiência deste aminoácido pode resultar em morte fetal por volta do 25º dia de gestação, abortos ao longo da gestação, deformidades fetais e atraso de crescimento e desenvolvimento.

Antioxidantes (vit. E, vit. C, luteína e taurina): auxiliam a neutralizar os radicais livres produzidos no decorrer dos processos reprodutivos.

Cálcio e fósforo: ao contrário do que se pensava há alguns anos, todos os alimentos industrializados fornecem quantidades suficientes de cálcio para gatos, mesmo para as fases de crescimento, gestação ou lactação, sendo contraindicada sua suplementação.

A ROYAL CANIN® possui alimentos exclusivamente formulados para suprir as altas demandas energéticas e nutricionais das gatas gestantes e lactantes. O manejo alimentar adequado, quando conduzido com opções que permitam a variedade alimentar e a reidratação de croquetes, é de extrema importância para o desenvolvimento saudável da mãe e dos filhotes felinos. Saiba mais sobre a linha da ROYAL CANIN® de nutrição para gatos.

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Referências bibliográficas

MALANDAIN, E.; LITTLE, S.; CASSELEUX, G.; SHELTON, L.; PIBOT, P.; PARAGON, B.M. Guia prático de criação de gatos. ROYAL CANIN®, 2013.

NATIONAL RESEARCH COUNCIL (NRC). Nutrient requirements of dogs and cats. Washington, D.C: National Academy Press, 2006.