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Tabela de vermifugação de filhotes de gatos e cães: saiba como definir o protocolo

Tabela de vermifugação de filhotes de gatos e cães: saiba como definir o protocolo
Atualizado em 18 de agosto de 2026
Tempo de leitura: 8min
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A infestação por parasitas internos permanece frequente em filhotes de cães e gatos, especialmente naqueles fora de rotina de acompanhamento com médicos-veterinários. Este guia apresenta o protocolo de vermifugação por faixa etária, os critérios de escolha do vermífugo e o momento ideal do exame coproparasitológico. O médico-veterinário encontra aqui uma tabela de consulta rápida e os critérios de decisão para adaptar o protocolo a cada paciente.

Por que vermifugar filhotes é tão importante?

Apesar da ampla disponibilidade de tratamentos seguros e eficazes, a infestação por parasitas internos segue comum em filhotes de cães e gatos, principalmente naqueles fora de uma rotina de avaliação com médicos-veterinários [1]. A vermifugação cíclica com produtos de amplo espectro controla efetivamente as verminoses mais frequentes nessa fase da vida [2][3]; o tratamento regular também reduz a contaminação ambiental por estágios infecciosos, diminuindo tanto a transmissão entre animais quanto a exposição zoonótica dos responsáveis [4]. Veja a seguir como estruturar esse protocolo por faixa etária e quais critérios orientam a escolha do vermífugo em cada etapa.

Como fazer um protocolo de vermifugação para filhotes?

Um protocolo de vermifugação eficaz para filhotes segue 6 etapas principais, desde o reconhecimento dos parasitas até a orientação ao responsável pelo animal.

  1. Reconhecer os principais parasitas e vias de infecção

O que fazer:
Identificar os principais parasitas antes de definir o protocolo:

  • Nematódeos (vermes redondos): Toxocara canis, Toxascaris leonina, Ancylostoma caninum
  • Cestódeos (vermes achatados): Dipylidium caninum, Echinococcus spp., Taenia spp.

Por que fazer:
Filhotes são mais suscetíveis por imaturidade imunológica, transmissão transplacentária, ingestão de leite contaminado e contato com animais adultos infectados em criadouros ou abrigos [2]. Em felinos, o hábito de autolimpeza favorece a ingestão de pulgas portadoras do estágio infectante de cestódeos.

Como avaliar:
Correlacionar sinais clínicos (distensão abdominal, diarreia, perda de peso) com o histórico ambiental do paciente antes de padronizar a escolha do vermífugo.

  1. Definir o cronograma por faixa etária

O que fazer:
Iniciar a vermifugação aos 15 dias de idade, repetir a cada 15 dias até o desmame (aos 45 dias), seguir mensalmente até os 6 meses e, depois, semestralmente.

Por que fazer:
O intervalo de 15 dias corresponde ao ciclo biológico dos principais nematódeos, permitindo eliminar formas adultas antes que atinjam maturidade reprodutiva [3].

Como avaliar:
Reduzir o intervalo para 10 dias quando o exame clínico e o histórico indicarem distensão abdominal significativa.

  1. Escolher a base farmacológica e a apresentação

O que fazer:
Selecionar o princípio ativo e a apresentação (suspensão oral, pasta, tópico ou comprimido) de acordo com o verme identificado e a idade do paciente. Em caso de infestação confirmada, a escolha deve considerar o parasita-alvo, a idade do filhote e a facilidade de administração da apresentação disponível.

Por que fazer:
Alguns princípios ativos são contraindicados para animais com menos de 6 meses, e há particularidades entre raças [2][5].

Como avaliar:
Confirmar com o responsável a facilidade de administração da apresentação escolhida, já que isso impacta diretamente a adesão ao protocolo.

  1. Consultar a tabela de vermifugação como ferramenta de decisão

O que fazer:
Utilizar a tabela abaixo para comparar vias de aplicação, dose e eficácia dos anti-helmínticos mais usados em filhotes.

Tabela de vermifugação de filhotes de cães e gatosTabela 1: Tabela de vermifugação com vias de aplicação, dose e eficácia dos produtos anti-helmínticos comumente utilizados contra verminoses em gatos e cães [2][3][5][6].

Por que fazer:
A tabela reduz o tempo de decisão na consulta e documenta as orientações dos fabricantes para cada apresentação [5].

Como avaliar:
Verificar se a base escolhida cobre o espectro parasitário identificado no paciente; se não cobrir, associar outro princípio ativo ou reconsiderar a escolha.

  1. Solicitar o exame coproparasitológico no momento certo

O que fazer:
Indicar o exame coproparasitológico entre a 7ª e a 8ª semana de vida, coincidindo com o período de desmame.

Por que fazer:
O exame identifica parasitas ou elementos parasitários (ovos, larvas, cistos, oocistos) que podem chegar às fezes por vias distintas, incluindo vermes pulmonares deglutidos e ectoparasitas ingeridos durante a autolimpeza [1].

Como avaliar:
Confirmar ausência de infestação antes da transição do filhote para um novo ambiente (adoção ou nova casa).

Centrifugal fecal flotation sample, dog

Figura 1. Amostra de exame coproparasitológico por flotação centrífuga em cão, evidenciando ovo de Trichuris vulpis (à esquerda) e ovo de Ancylostoma caninum (à direita). Barra de escala = 50 µm. Fonte: Conboy, G. Parasitology in Veterinary Practice. MSD Veterinary Manual, 2025.

  1. Orientar o responsável sobre os demais cuidados do filhote

O que fazer:
Associar a orientação sobre vermifugação a outros pontos da rotina: manejo alimentar adequado à fase de vida, protocolo vacinal e acompanhamento da curva de crescimento.

Por que fazer:
Esses pontos, tratados em conjunto, sustentam a adesão do responsável ao protocolo completo, não apenas ao vermífugo isoladamente.

Como avaliar:
Retomar esses tópicos nas consultas de retorno até a conclusão do calendário vacinal.

Considerações adicionais

  • Reduzir o intervalo padrão de 15 para 10 dias quando houver distensão abdominal relevante ao exame clínico.
  • Não prescrever princípios ativos contraindicados para animais com menos de 6 meses; confirmar bula e particularidades de raça antes da prescrição.
  • Em filhotes com diarreia persistente ou perda de peso após o protocolo padrão, investigar resistência parasitária ou diagnóstico diferencial antes de repetir a mesma base farmacológica.

Além da tabela de vermifugação para filhotes, quais outros protocolos devem ser seguidos?

Além do uso da tabela de vermifugação de filhotes, o Médico-Veterinário deve estar atento aos seguintes pontos:

  • cuidados gerais com a saúde do filhote: é preciso saber orientar o responsável sobre os cuidados necessários na casa nova, o manejo e o fornecimento dos alimentos mais adequados para a fase de vida, além de conscientizá-lo sobre a castração;
  • protocolo vacinal: explicar a importância da vacina para a prevenção e propagação de doenças;
  • acompanhamento de curva de crescimento: deve-se abordar a relevância do acompanhamento da curva de crescimento do paciente para a identificação precoce de problemas de saúde.

Todo esse cuidado contribui para que se tenha um relacionamento de confiança entre o responsável pelo paciente e o Médico-Veterinário. Esse vínculo de parceria, quando criado e mantido, assegura ao profissional que o cuidado com o filhote seja realizado conforme a orientação passada.

Dito isso, fica evidente que se atentar aos outros protocolos além da tabela de vermifugação de filhotes e manter o diálogo com o responsável é fundamental para garantir que o filhote comece a vida no melhor caminho para o bem-estar a longo prazo.

Conclusão
O protocolo de vermifugação de filhotes é mais eficaz quando o médico-veterinário combina o cronograma por faixa etária com o exame coproparasitológico no momento correto e a orientação integrada ao responsável sobre os demais cuidados da fase filhote. Esse raciocínio conjunto, e não a aplicação isolada da tabela, sustenta a adesão ao protocolo e reduz a recorrência de infestações na rotina clínica.

Quando pertinente ao manejo nutricional do paciente nessa fase, a Royal Canin disponibiliza linhas completas para filhotes, segmentadas por porte e espécie, como recurso adicional dentro do protocolo de cuidados neonatais e pediátricos.

Perguntas frequentes
Quando começar a vermifugação de um filhote? A partir dos 15 dias de idade, com reforços a cada 15 dias até o desmame, aos 45 dias.

Qual o intervalo entre as doses de vermífugo em filhotes? Padrão de 15 dias até o desmame; reduzir para 10 dias se houver distensão abdominal significativa.

Até quando repetir a vermifugação após o desmame? Mensalmente até os 6 meses de idade; depois, semestralmente.

Quando fazer o exame coproparasitológico em filhotes? Entre a 7ª e a 8ª semana de vida, coincidindo com o período de desmame.

Existe vermífugo contraindicado para filhotes muito jovens? Sim; alguns princípios ativos não devem ser prescritos para animais com menos de 6 meses, e a escolha deve considerar idade e, quando pertinente, particularidades de raça.

A vermifugação de filhotes previne zoonoses? O tratamento regular reduz a contaminação ambiental por estágios infecciosos, diminuindo tanto a transmissão entre animais quanto a exposição zoonótica dos responsáveis.

 

Referências

  1. American Animal Hospital Association (AAHA). Canine and Feline Parasite Control Guidelines. Acesso em: 14/07/2023.
  2. Beugnet, F.; Halos, L.; Guillot, J. Textbook of Clinical Parasitology in Dogs and Cats. 2018.
  3. Nelson, R. W.; Couto, C. G. Small Animal Internal Medicine. 6ª ed. Elsevier, 2019.
  4. Stull, J. W. et al. Small animal deworming protocols, client education, and veterinarian perception of zoonotic parasites in western Canada. The Canadian Veterinary Journal, v. 48, n. 3, p. 269-276, 2007. Vercruysse, J.; Claerebout, E. Overview of Anthelmintics. MSD Manual – Veterinary Manual. 2022.
  5. TroCCAP. Diretrizes para o diagnóstico, tratamento e controle de endoparasitos caninos nos trópicos. 2019.
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