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A função e a importância do órgão vomeronasal para os felinos

A função e a importância do órgão vomeronasal para os felinos
Atualizado em 6 de fevereiro de 2025
Tempo de leitura: 9min
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O órgão vomeronasal desempenha uma função sensorial primordial para os gatos, permitindo a socialização por meio de substâncias químicas. Entenda esse assunto em detalhes! 

Dentro do intrigante universo dos felinos, o órgão vomeronasal consiste em uma peça-chave na comunicação e na percepção do ambiente. É através desse órgão, que faz parte do aparelho olfativo, que os gatos são capazes de detectar estímulos sinais químicos (feromônios), que permitem que esses animais tenham uma forma refinada de explorar, interagir e se organizar socialmente. 

Uma manifestação peculiar desse aparato é o reflexo de Flehmen, uma expressão facial característica que facilita a captação e o processamento desses sinais químicos. Esse processo pode ser confundido pelos tutores, que acham que seu pet está apresentando “falta de ar”. Por isso, é importante que o médico-veterinário saiba como instruir os tutores de gatos sobre o reflexo de Flehmen .  

O que é o órgão vomeronasal?

Ao contrário do que muitos pensam, o órgão vomeronasal não é uma papila gustativa, mas, sim, um elemento acessório do aparelho olfativo dos felinos, responsável pela comunicação química através da detecção de feromônios que os felinos são capazes de realizar.  

O órgão consiste em uma estrutura epitelial tubular, circundada por vasos sanguíneos, localizada na região final rostral do palato duro e das narinas (Figura 1), que se conecta à cavidade bucal pelo ducto incisivo (PEREIRA; PEREIRA, 2013). 

Visão geral do órgão vomeronasal
Figura 1: Órgão vomeronasal evidenciado na vista anatômica medial da cabeça do gato. Fonte: DONE et.al., 2002.

 

A importante função sensorial do órgão vomeronasal para os felinos

Os gatos utilizam o estímulo olfativo para averiguarem o ambiente que os rodeiam e se organizarem socialmente. Além do reconhecimento de outros indivíduos e do ambiente, o olfato também é extremamente importante para a atividade sexual e a apreciação alimentar desses animais. 

As terminações dos neurônios receptores do órgão vomeronasal se conectam ao bulbo vomeronasal, ou bulbo olfatório acessório, que é responsável por enviar os estímulos nervosos para a amígdala vomeronasal. Por sua vez, a amígdala vomeronasal é quem irá processar as informações sensoriais relacionadas a substâncias químicas, principalmente aos feromônios, presentes em fluidos como urina, secreções genitais e glândulas exócrinas (VILANOVA, 2003). 

Os feromônios, liberados em situações de bem-estar ou estresse, são capazes de induzir alterações comportamentais, imunológicas ou endócrinas (KRONEN et. al., 2006), dentre as quais podemos incluir: 

  • atração sexual; 
  • marcação de território; 
  • estabelecimento de hierarquia social; 
  • modulação da resposta do organismo do animal a microrganismos patógenos; 
  • alteração na secreção de hormônios relacionados ao estresse (cortisol) e hormônios relacionados à reprodução. 

Órgão de Jacobson e órgão vomeronasal são a mesma coisa?

Sim, o órgão vomeronasal também é conhecido como órgão de Jacobson. 

A denominação vomeronasal é uma correlação ao osso vômer, situado entre o nariz e a boca do animal. Já a nomenclatura órgão de Jacobson refere-se ao nome do pesquisador Ludwig Levin Jacobson, um cirurgião dinamarquês que, em 1809, anunciou para a Real Academia Dinamarquesa de Ciências e Letras seus estudos sobre um osso desconhecido localizado no nariz humano. 

O que é o reflexo de Flehmen? 

O lúmen do órgão vomeronasal fica fechado em estado de repouso. Quando estimulado pela percepção de substâncias químicas, a constrição dos vasos sanguíneos faz com que o lúmen se abra, permitindo a passagem do ar e a captação dessas substâncias. Nesse momento, o gato pode abrir a boca, mantendo-a ligeiramente aberta, fazendo uma expressão facial característica, como uma forma de ajudar na recepção de tais feromônios.  

Essa expressão facial típica é chamada de reflexo de Flehmen, que permite que o animal investigue e processe melhor esses odores/sinais químicos através do órgão vomeronasal. 

Reflexo de Flehmen, relacionado ao órgão vomeronasal.
Figura 2: Reflexo de Flehmen. Fonte: Cat Encyclopaedia, 2017.

O reflexo de Flehmen não deve ser confundido com dispneia!  

O médico-veterinário deve ter conhecimento e saber diferenciar o reflexo de Flehmen de um quadro de dispneia, uma vez que muitos tutores podem chegar bastante preocupados à clínica veterinária, relatando que viram seus gatos “respirando de boca aberta”. 

Dispneia é um termo utilizado para se referir à dificuldade respiratória, onde o paciente está respirando com mais esforço do que o normal, e pode ser caracterizada por uma respiração rápida, ofegante ou até mesmo por respiração bucal. Isso pode ser causado por uma série de condições médicas, incluindo problemas cardíacos, pulmonares, traqueais, alérgicos ou obstrutivos. 

O desconforto respiratório pode fazer com que o gato apresente uma expressão facial e corporal tensa, o pescoço pode estar esticado, o animal pode parecer ansioso e a respiração pela boca pode ser constante. Além disso, movimentos abdominais anormais durante a respiração e cianose podem estar presentes.  

Já no reflexo de Flehmen, que ocorre durante a ação do órgão vomeronasal, o gato geralmente apresenta uma expressão facial e corporal mais relaxada, pode parecer mais interessado e curioso pelos odores ambientais e a respiração bucal geralmente é breve ou intermitente. Também não ocorre respiração forçada e nem cianose. 

Portanto, é muito importante que o profissional faça uma inspeção e uma avaliação clínica completa do comportamento e dos sinais clínicos do paciente, com o intuito de determinar se a respiração pela boca é resultado do funcionamento do órgão vomeronasal ou se é um sinal de dispneia. 

Além do universo felino: o órgão também é presente em outras espécies 

O órgão vomeronasal não é uma exclusividade dos felinos domésticos. Ele também está presente em muitas outras espécies de mamíferos, que são igualmente capazes de reproduzir o reflexo de Flehmen, como:  

  • grandes felinos (tigres, leões etc);
  • cães;
  • girafas;  
  • equinos; 
  • bovinos; 
  • ovinos; 
  • outros. 

Nos equinos, bovinos, ovinos e girafas, a ação o órgão vomeronasal é relacionada principalmente ao comportamento sexual, onde o reflexo de Flehmen, caracterizado pela elevação da cabeça e ondulação do lábio superior, permite que os machos identifiquem oportunidades de acasalamento (SILVA et.al., 2011). 

Outras curiosidades do universo felino

Além da comunicação olfatória desenvolvida pelo órgão vomeronasal, o universo dos felinos está repleto de outras curiosidades. Uma delas consiste na vocalização de boca fechada ou ronronar, que é um som motivado por diversas causas em diferentes situações, mas, principalmente, para demonstrar uma saudação amigável ou um estado de relaxamento.  

Outro fato curioso é o interesse dessa espécie pelo Catnip, planta conhecida como a erva dos gatos, cujo componente químico é capaz de produzir um efeito eufórico nesses animais, podendo ser utilizada para reduzir o estresse, melhorar a socialização e até mesmo para aumentar a atividade física. 

Por fim, os felinos também são exemplares únicos quando se trata de comunicação visual, sendo extremamente expressivos, tanto no que diz respeito a sinais faciais quanto a posturas corporais. O tamanho das pupilas e o eriçar dos pelos também são usados para projetar algum tipo de sentimento. Dessa forma, através de todas essas ferramentas, são capazes de demonstrar medo, agressividade, curiosidade, relaxamento, entre outros (Figura 2).  

Sinais faciais dos gatos relacionados ao órgão vomeronasal
Figura 3: Sinais faciais dos gatos – quanto mais para direita, maior o indício de agressividade; quanto mais para baixo, maior o medo. Fonte: LITTLE, 2016.

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Desde sua fundação, o objetivo da ROYAL CANIN® tem sido formular os melhores alimentos para os animais de estimação, promovendo saúde e bem-estar através da nutrição, ajudando-os a viver vidas mais longas e com qualidade ao lado de suas famílias. 

Sempre investindo em estudos e pesquisas, trabalhamos incansavelmente para garantir que todos os nossos produtos atendam aos mais altos padrões de qualidade e segurança. 

E, dessa forma, acreditando que a alimentação deve ser personalizada para cada indivíduo, dispomos de uma linha completa de alimentos para gatos saudáveis, e uma linha de alimentos coadjuvantes para felinos 

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Também desenvolvemos a Calculadora para Prescrições, ferramenta facilitadora das recomendações médico-veterinárias para cada paciente. Lembre-se de usá-la no dia a dia da clínica.  

Referências bibliográficas 

DONE, S.H. et.al. Atlas colorido de anatomia veterinária do cão e do gato – volume 3. Barueri: Manole, 1ed., 2022. 

GUIMARÃES, C. Felinos: Órgão Jacobson permite uma identificação mais rápida e precisa dos odores. Revista Cães&Gatos, 2023. Acesso em: 23 abril 2024. 

HENZEL, M.S. O enriquecimento ambiental no bem-estar de cães e gatos. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2014. Acesso em: 23 abril 2024. 

KRONEN, P. W. et. al. A synthetic fraction of feline facial pheromones calms but does not reduce struggling in cats before venous catheterization. Veterinary Anaesthesia and Analgesia, v. 33, n. 4, 2006. Acesso em: 23 abril 2024. 

LITTLE, S.E. O Gato. Medicina Interna. Rio de Janeiro: Roca, 1ed., 2016. 

PEREIRA, J. T.; PEREIRA, G. D. G. Comportamento Social dos gatos. In: FARACO, C. B.; SOARES, G. M. Fundamentos do Comportamento Canino e Felino. São Paulo: Editora MedVet, 2013.  

PIOLI, A.C.S.; KOWALSKI, T.W. Pesquisa bibliográfica sobre a evolução do comportamento do Felis catus. Anais da XVI Mostra de Iniciação Científica do CESUCA, n.16, 2022. Acesso em: 23 abril 2024. 

ROYAL CANIN. Cat Encyclopaedia. 2017. 

SCHOLTEN, A.D. Particularidades comportamentais do gato doméstico. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2017. Acesso em: 23 abril 2024. 

SILVA, C.R.A.; COSTA, A.S.; SILVA, F.L. Reflexo de flêmen aspectos morfofisiológicos – Revisão. PUBVET, v. 5, n. 32, 2011. Acesso em: 23 abril 2024. 

SILVA, R.P.; SUYENAGA, E.S. Estresse e ansiedade em gatos domésticos: Tratamento farmacológico e Etnoveterinário – uma revisão. Science and Animal Health, v.7, i.1, 2019. Acesso em: 23 abril 2024. 

SOUSA, L.V.R. Condutas cat friendly em ambiente hospitalar – consulta de qualidade para o paciente, tutor e veterinário. Universidade Federal de Uberlândia, 2022. Acesso em: 23 abril 2924. 

VILANOVA, X.M. Etiologia clínica veterinária del perro y del gato. Barcelona: Multimédica Ediciones Veterinarias, 3 ed., 2003. 

WIKIPEDIA. Ludwig Levin Jacobson. Acesso em: 23 abril 2024. 

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