Principais causas da alergia alimentar em gatos e cães

Principais causas da alergia alimentar em gatos e cães

A alergia alimentar é uma doença imunomediada, não sazonal e com distúrbios cutâneos e/ou gastrointestinais. Veja os principais fatores que podem levar à alergia alimentar em cães e gatos e os caminhos para o diagnóstico

A dermatologia veterinária é um tema sempre em pauta na área da medicina interna devido, principalmente, à elevada casuística no dia a dia da clínica de pequenos animais.

Algumas terminologias quanto à classificação das afecções cutâneas utilizadas rotineiramente na dermatologia são, muitas vezes, similares. Assim, torna-se fundamental relembrarmos as definições mais relevantes antes de abordarmos um assunto específico nessa área.

O termo “reação adversa a alimentos” é usado para descrever uma resposta clínica anormal decorrente da ingestão de um determinado alimento. Tal reação pode ter origem imunológica ou não. Em casos secundários às reações não-imunológicas, deve-se usar o termo “intolerância alimentar”.

Já a “alergia alimentar” ou “hipersensibilidade alimentar”, foco central deste artigo, é uma resposta imunológica ao alimento, onde há produção de anticorpos específicos. As reações de hipersensibilidade do tipo I, III e IV são os mecanismos imunológicos mais prováveis.

Aspectos gerais da alergia alimentar

  • Os principais alérgenos alimentares capazes de induzir uma resposta alérgica são as glicoproteínas que, normalmente, possuem entre 10 e 70 kDa e são resistentes ao tratamento com calor, ácidos e proteases.
  • A prevalência exata da alergia alimentar em gatos e cães permanece desconhecida. Não há predileção por raça, sexo ou idade, embora algumas raças sejam frequentemente acometidas. Cocker Spaniel, Labrador, Collie, Schnauzer, Shar Pei, Poodle, West Highland White Terrier, Boxer, Lhasa Apso e Teckel são as raças mais predispostas a sofrerem com esse problema.
  • O prurido é a queixa principal, e geralmente ele é resistente a corticóides.

Causas mais comuns da alergia alimentar

As principais causas da alergia alimentar são as proteínas que não foram reduzidas de tamanho pelo cozimento do alimento ou pelo processo digestivo do animal. Essas proteínas, uma vez absorvidas, causam as reações alérgicas que tendem a ter manifestação cutânea e/ou gastrointestinal.

Para minimizar a chance de reações alérgicas, as proteínas podem ser submetidas a um processo chamado de “hidrólise”, em que é feita a “quebra” dessas proteínas em partículas menores para assim não serem reconhecidas como alérgenos pelo organismo. Esse processo também aumenta a digestibilidade do alimento.

Alimentos mais propensos a provocar alergia

Alguns estudos encontraram os mais prováveis agentes que incitam as alergias em gatos e cães. Dentre os mais frequentes, podemos citar:

Cães: carne bovina, frango, ovo, cordeiro, peixe, laticínios, milho, trigo e soja.

Gatos: carne bovina, cordeiro, frutos do mar, milho, soja, produtos lácteos e glúten de trigo.

Como diagnosticar a alergia alimentar: teste de eliminação e provocação

Um diagnóstico confiável só pode ser obtido com o uso de uma dieta de eliminação hipoalergênica e a realização posterior do desafio com a dieta usada originalmente.

Existem dois tipos de alimentos considerados hipoalergênicos: os alimentos com fontes hidrolisadas e os alimentos de ingredientes menos comuns.

Alimentos formulados com fontes hidrolisadas de proteína (ex. proteína hidrolisada de soja) e fontes de carboidratos altamente digestíveis (ex. arroz, batata, mandioca) são significativamente eficazes para o controle de problemas dermatológicos e digestivos em que há reações alérgicas (ex. alergias alimentares, doenças inflamatórias crônicas intestinais).

Os outros tipos de alimentos são os formulados com ingredientes menos comuns que os alimentos convencionais, como fontes alternativas de proteína (ex. pato, carneiro, coelho, peixe) e/ou fontes alternativas de carboidratos altamente digestíveis. Esses componentes são indicados no controle de problemas dermatológicos e digestivos em que não há reações alérgicas (ex. má digestão, intolerância alimentar).

Um alimento hipoalergênico deve conter nutrientes aos quais o animal nunca deve ter sido exposto previamente. O objetivo é alimentar o paciente estritamente com fontes inéditas de proteínas e carboidratos de fácil digestão e com uma dieta nutricionalmente completa e balanceada. As proteínas que não são completamente digeridas possuem um maior potencial para incitar uma resposta imune. Proteínas de fácil digestão são completamente digeridas. Além disso, aminoácidos livres e peptídeos têm menor potencial alergênico.

Recomenda-se utilizar a dieta hipoalergênica por 8-12 semanas. A resolução completa dos sinais clínicos sugere fortemente a existência de uma hipersensibilidade alimentar, mas a confirmação deste diagnóstico exige um teste de provocação em que o animal é alimentado com sua dieta inicial. O alimento responsável pelo problema deve provocar uma recidiva do quadro alérgico.

Na maioria dos casos, as manifestações irão reaparecer em aproximadamente duas semanas após a reintrodução da dieta inicial. O retorno do uso da dieta hipoalergênica adotada durante o período do teste de eliminação deve resultar em melhora dos sinais clínicos.

Se nenhuma melhoria clínica for observada após 12 semanas de consumo da dieta de eliminação, o diagnóstico de uma reação adversa aos alimentos pode provavelmente ser excluído.

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Referências bibliográficas

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