Tricobezoar em gatos: conheça os principais riscos e saiba como prevenir

Tricobezoar em gatos: conheça os principais riscos e saiba como prevenir
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Excesso de auto higienização, estresse e ausência de enriquecimento ambiental são fatores que podem resultar na ingestão excessiva de pelos, aumentando o risco da formação de bolas de pelos. Saiba como prevenir e quais os riscos do tricobezoar em felinos! 

Gatos são animais que possuem inúmeras particularidades, como comportamentos peculiares, aspectos sociais e características fisiológicas que os tornam mais sensíveis que outras espécies.  

Com isso, o hábito de auto higienização ou grooming associado a anatomia da língua dos gatos – que possui espiculas – proporciona um cenário propício para a ingestão excessiva de pelos, o que resulta no acúmulo desses pelos no estômago e demais estruturas do trato gastrointestinal do gato. 

O que é tricobezoar? 

À medida que os gatos realizam a auto higienização, eles ingerem pelos soltos da pelagem. Devido a sua composição, esse pelo não pode ser digerido e tende a ficar retido no estômago, formando o tricobezoar: popularmente conhecido como bolas de pelo.   

O pelo ingerido é geralmente eliminado pelas fezes ou regurgitado, sem maiores consequências desagradáveis para os felinos. Porém, alguns tricobezoares podem se transformar em uma massa que pode causar complicações. 

O etograma felino e a ingestão de pelos 

Estudos recentes mostraram que a domesticação dos felinos começou no Crescente Fértil, cerca de 10 mil anos atrás, quando a agricultura estava começando. Contudo, o etograma do gato permanece o mesmo. 

O etograma é uma lista de comportamentos usados pela etologia (disciplina que estuda o comportamento animal) para descrever tendências ambientais de determinadas espécies, e diz que os felinos domésticos precisam se sentir seguros em seu ambiente. 

Por isso, é importante o médico-veterinário orientar os tutores sobre os hábitos e comportamentos que compõem o etograma felino, possibilitando que eles viabilizem a exteriorização de seu comportamento natural, que inclui: 

  • autolimpeza; 
  • hábitos de espreguiçar; 
  • momentos de descanso-observação; 
  • descanso; 
  • exploração; 
  • fuga (a segurança de ter a oportunidade de se esconder e ficar em posição de recuo ou retirada, em casos de estresse); 
  • rolamentos; 
  • brincadeiras; 
  • interação; 
  • alimentação; 
  • períodos de descanso pós-alimentação; 
  • defecação. 

No entanto, muitos gatos têm um estilo de vida que não permite realizar todas as suas necessidades, e essa deficiência pode criar um ambiente estressante, resultando em alterações no comportamento natural do animal. 

Fica claro, então, como é importante entender previamente as particularidades dos hábitos naturais dos gatos e os efeitos da sua domesticação; dados fundamentais para definir estratégias eficazes de prevenção do tricobezoar gástrico felino. 

Dentre os comportamentos naturais do felino está a auto higienização. Apesar de ser um hábito comum, quando feito em excesso, pode ocasionar a formação do tricobezoar em gatos – além de diversas alterações gastrointestinais, as quais veremos adiante. 

A importância da auto-higienização para os felinos 

Os gatos são meticulosos nos seus hábitos de higiene e, quando vivem em grupos, a higienização conjunta também é um importante comportamento de ligação social.  

Felinos passam entre 25% e 30% do seu tempo realizando o auto higiene, sendo que alguns animais passam até um terço do período em que estão acordados se lambendo (Kim et. al., 2018).  

O gato doméstico passa cerca de 50% do tempo dormindo e descansando. Quando dividimos o tempo total, a auto higienização representa de 4% a 8% do tempo de descanso do animal (Kim et. al., 2018).  

Com isso, durante o dia, um gato pode ingerir espontaneamente até 2/3 dos pelos perdidos (soltos) durante a auto higienização – que devem ser eliminados, preferencialmente, através das fezes (Barrs, et. al., 1999). 

Tricobezoar em gatos: até que ponto a ingestão de pelos é considerada normal? 

A auto higienização faz parte do etograma e comportamento de felinos, devido a anatomia da língua e o tempo médio realizando esse cuidado há a ingestão de pelos felinos. Este processo deve ser considerado normal, os pelos ingeridos serão eliminados, preferencialmente, através das fezes.  

A auto higienização oferece muitas vantagens aos gatos, como: 

  • remoção de pelos mortos e sujidades; 
  • diminuição da temperatura corporal interna; 
  • redução de parasitas

Principais complicações causadas pela ingestão excessiva de pelos em felinos 

O médico-veterinário deve ter em mente que o tricobezoar é um sinal clínico, não uma patologia em si. Alguns felinos regurgitam a bola de pelo, porém, alguns tricobezoar podem se tornar uma massa que, potencialmente, pode causar complicações, incluindo, entre outras: 

  • obstrução (parciais ou completas, esofágica e/ou intestinal);  
  • constipação; 
  • colite.  

Fatores predisponentes para tricobezoar nos gatos 

Dentre os fatores predisponentes para que o animal desenvolva o tricobezoar, podemos citar os seguintes (Cannon, 2013). 

  • Ingestão excessiva de pelo Quadros de puliciose intensificam o comportamento de higiene, resultando no aumento da ingestão de pelos. Vale citar que isso se aplica a qualquer gato, e não se limitada àqueles com dermatite alérgica a pulgas.A doença de pele pruriginosa e a limpeza elevada em função de dor e/ou ansiedade também são fatores que contribuem para a ingestão excessiva de pelo.  
  • Diminuição da eliminaçãoAlterações de motilidade gastrintestinal podem ocorrer em razão de diferentes fatores, incluindo doença gastrointestinal crônica, aumento da estimulação nervosa simpática secundária, dor crônica e estresse. 

Tricobezoar em gatos: 3 formas de evitar o problema 

Várias estratégias devem ser empregadas para auxiliar na prevenção dos tricobezoares em gatos e, dentre elas, se destacam escovação, manejo nutricional e consultas veterinárias de rotina, conforme exposto a seguir. 

Escovação 

É indicado que a escovação da pelagem do gato seja realizada semanalmente ou mesmo de forma diária – especialmente em animais de pelo semi-longo e longo. 

O momento em que o tutor realiza a escovação é, inclusive, um bom momento para verificar o estado geral da pelagem e pelo felina, já que permite identificar a presença de feridas e parasitas.

Além disso, o hábito também auxilia na remoção de pelos mortos, reduzindo a quantidade de pelo ingerida pelo animal durante os momentos de auto higiene. 

Nutrição

Alguns ingredientes podem colaborar com a eliminação de tricobezoares. Devido a característica comportamental de auto higienização e ingestão de pelos dos gatos, é importante que os alimentos para felinos contem com teores balanceados de fibras solúveis e insolúveis – já que isso pode melhorar a motilidade e o esvaziamento gástrico. 

Os resultados de um estudo recente indicaram que o tipo e a quantidade de fibras (psyllium e celulose) presentes na dieta felina podem aumentar a passagem no trato intestinal e reduzir a frequência de vômito de tricobezoar. Com aproximadamente 14 dias de uma dieta com base em alimentos desse tipo de composição, já foi possível perceber melhoras significativas nos indivíduos (Wara e Datz, 2021). 

O alimento formulado para ajudar na diminuição de bolas de pelo deve conter um mix de fibras específicas, que auxiliarão na eliminação natural dos pelos através das fezes, auxiliando ainda a evitar que os tricobezoares sejam formados.  

A alta capacidade de gelificação das cascas de psyllium aumenta a viscosidade do conteúdo digestivo, agregando à digesta os pelos acumulados e, assim, impedindo que os pelos se unam e formem os tricobezoares.  

Adicionalmente, as fibras insolúveis aumentam o volume gástrico e intestinal, estimulando os movimentos peristálticos e, consequentemente, a eliminação do conteúdo digestivo, incluindo os pelos. Como consequência, os pelos ingeridos diariamente pode ser eliminado nas fezes, em vez de se acumularem no estômago ou serem regurgitados. 

Consultas veterinárias de rotina

O médico-veterinário, durante as consultas de rotina, realiza exames clínicos, anamnese e pode ainda realizar pesquisas para diagnósticos diferenciais – assim como orientar o tutor quanto ao manejo, incluindo escovação regular da pelagem, nutrição adequada e enriquecimento ambiental.  

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A Royal Canin® possui uma linha extensa de alimentos coadjuvantes para gatos e cães nas versões secas e úmidas. Entre eles, se destaca o Royal Canin Hairball – alimento completo seco e balanceado para gatos adultos, recomendado para ajudar na diminuição de bolas de pelo. A linha Hairball ainda oferece duas outras versões úmidas de alimento: Hairball Pedaços ao Molho e Hairball Jelly. 

Linha Royal Canin Hairball ajuda a diminuir o tricobezoar (bolas de pelo) em gatos

A fórmula do alimento Hairball Care auxilia na eliminação dos pelos ingeridos pelos gatos e tem eficácia comprovada após 14 dias de uso; período em que já é possível identificar o dobro da quantidade de pelos eliminados naturalmente nas fezes.  

A Royal Canin® contribui para a saúde dos gatos fornecendo uma nutrição precisa, baseada no verdadeiro conhecimento das necessidades especificas dos felinos e em mais de 50 anos de ciência e observação.  

Entre os benefícios do alimento Hairball Care, podemos citar: 

  • ajuda a reduzir a formação de bolas de pelo: resultados comprovados na redução da formação de bolas de pelo em 14 dias* (*estudo interno da Royal Canin® comparando o alimento com a mesma formulação sem o exclusivo complexo de bolas de pelo/hairball care); 
  • fórmula exclusiva: é um alimento precisamente balanceado que contribui para a redução natural da formação de bolas de pelo por meio da mistura de fibras dietéticas (psyllium), que ajudam a estimular o trânsito intestinal e contribuem para que os pelos ingeridos sejam eliminados nas fezes, ao invés de se acumularem no estomago;   
  • contém antioxidantes naturais; 
  • não tem adição de aromas ou corantes artificiais; 
  • contribui com a saúde do trato urinário do gato, pois é formulado com minerais balanceados.

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Referências bibliográficas 

Arruda, E. N., Marques, M.S., Galera, P. D., Filho, R. P. S., Monteiro, C. L. B. Gastric Obstruction by Tricobezoar in Cat Associated with Lynxacarus radovskyi: a Case Report. Brazilian Journal of Case Reports, v.1, n.2, 2021. Acesso em: 27/12/23.  

Barrs, V. R., Beatty, J. A., Tisdall, P. L., Hunt, G.B., Gunew, M., Nicoll, R.G., Malik, R. Intestinal Obstruction by Trichobezoars in Five Cats. Journal of Feline Medicine and Surgery, v.1, n.4, 1999. Acesso em: 27/12/2023.  

Cannon, M. Hair Balls in Cats – A normal nuisance or sign that something is wrong? Journal of Feline Medical and Surgery, v. 15, 2013. Acesso em 27/12/2023 

Driscoll, C. The Taming of the Cat. Scientific American INC., v. 300, p. 68-75, 2009. Acesso em: 27/ 12/2023 

Kim, H. S., Hong, J. S., Park, C. W., Cho, K. H., Kim, Y. Y.  Evaluation of grooming behaviour and apparent digestibility method in cats. Journal of Feline Medicine and Surgery, v.21, n. 4. 2019. Acesso em: 27/12/2023 

Loureiro, B. A, Sembenelli, G.,  Maria, A. P. J., Vasconcellos, R. S., Sá, F. C, Sakomura, N. K., Carciofi, A. C. Sugarcane fibre may prevents hairball formation in cats. Journal of Nutritional Science v. 3, n.20, 2014. Acesso em: 27/12/2023.  

Panaman, R. Behaviour and Ecology of Free-ranging Female Farm Cats (Felis catus L.). Zeitschrift für Tierpsychologie, v. 56, n. 1, 1981. Acesso em: 27/12/2023 

Wara, A., Datz, C. Cats and Dietary fiber. 2021. Acesso em: 27/12/12023 

Woerde, D. J. Hoffmann, K. L., Kicinski, A., Brown, N. L. Oesophageal obstruction due to trichobezoars in two cats. Journal of Feline Medicine and Surgery, v.5, n.1, 2019. Acesso em: 27/12/2023