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Uso de Prebióticos e Probióticos em gatos e cães: saiba quando e como indicar

Uso de Prebióticos e Probióticos em gatos e cães: saiba quando e como indicar
Atualizado em 14 de maio de 2026
Tempo de leitura: 10min
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Indicados para ajudar no equilíbrio da microbiota intestinal, prebióticos e probióticos podem trazer vários benefícios à saúde do paciente. Saiba como e quando utilizá-los!

A microbiota gastrointestinal de gatos e cães desempenha um papel essencial na manutenção da homeostase sistêmica, sendo também importante na regulação do sistema imunológico.

A modulação dessa microbiota por meio do uso racional de prebióticos e probióticos tem se mostrado uma ferramenta terapêutica e preventiva valiosa na clínica médica de pequenos animais. Diversos alimentos já contam com esses suplementos em suas formulações. No entanto, é importante ter conhecimento técnico e avaliar caso a caso ao indicar o uso de probióticos e probióticos, para garantir eficácia, segurança e bem-estar de seus pacientes.

O papel da microbiota e saúde intestinal para a saúde dos animais

A microbiota intestinal é composta por bilhões de microrganismos que coexistem com o hospedeiro, exercendo funções de absorção de nutrientes, imunomodulatórias e de proteção contra patógenos. A integridade dessa microbiota está diretamente relacionada à absorção adequada de nutrientes, à manutenção da barreira intestinal e ao equilíbrio do sistema imune local e sistêmico (PULIDO, 2023).

Desequilíbrios na composição microbiana, conhecidos como disbiose, comprometem a função do sistema digestório, resultando em manifestações inflamatórias que podem levar a diarreias, dermatopatias, doenças inflamatórias intestinais. Até outros sistemas, como o urinário, pode ficar comprometido.

Qual a diferença entre prebióticos, probióticos e simbióticos?

Prebióticos, probióticos e simbióticos são compostos distintos, cujas funções devem ser consideradas na hora da prescrição médico-veterinária, se necessário. Entenda, a seguir, as diferenças entre eles.

Prebióticos

São substratos não digeríveis que estimulam seletivamente o crescimento e/ou a atividade de populações bacterianas benéficas já existentes no intestino do animal.

Por exemplo, os prebióticos, como a inulina, FOS (frutooligossacarídeos) e MOS (mananoligossacarídeos), atuam como substrato para microrganismos comensais, promovendo a fermentação benéfica no cólon e a produção de ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), como o butirato, que nutre os enterócitos e reforça a barreira intestinal (MOURA et al., 2021).

Alguns dos benefícios dos prebióticos para cães e gatos são:

  • estímulo ao crescimento de lactobacilos e bifidobactérias;
  • redução de populações patogênicas;
  • melhora da consistência fecal;
  • auxílio no tratamento de doenças intestinais crônicas.

Sendo assim, prebióticos podem ser utilizados em dietas de manutenção intestinal, em animais com histórico de disbiose leve, constipações ou como suporte na transição alimentar. A dosagem deve ser ajustada conforme o porte e condição clínica do paciente.

Probióticos

Já os probióticos são microrganismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, conferem benefícios à saúde do paciente, promovendo competição por nutrientes e sítios de adesão, produção de substâncias antimicrobianas e modulação da resposta imune local. A eficácia depende da cepa, da concentração e da viabilidade do microrganismo (GENEHR et al., 2024).

Dentre os benefícios dos probióticos para cães e gatos, podemos citar:

  • restauração da microbiota após antibioticoterapia;
  • redução da duração e severidade de diarreias;
  • imunomodulação local;
  • melhora na digestibilidade de nutrientes.

Portanto, probióticos em cães e gatos podem ser indicados, por um médico-veterinário, em quadros de diarreia aguda, tratamento adjuvante de doenças intestinais, suporte pós-antibioticoterapia e em situações de estresse. A administração deve respeitar a dose mínima eficaz definida para cada cepa.

Estudos como o de Waterloo et al. (2022) demonstram a eficácia de compostos probióticos como coadjuvantes no tratamento da Doença Inflamatória Intestinal Canina. Da mesma forma, o uso de cepas isoladas de Enterococcus faecium, Lactobacillus acidophilus e Bacillus subtilis tem mostrado resultados promissores na estabilidade da microbiota (DINIZ, 2025).

Simbióticos

Por fim, os simbióticos representam a combinação sinérgica entre probióticos e prebióticos, promovendo colonização efetiva e sustentada da microbiota intestinal (RAMOS et al., 2020).

O benefício desses compostos é oferecer uma abordagem integrativa, unindo o efeito imediato dos probióticos com o estímulo sustentado proporcionado pelos prebióticos.

A utilização de simbióticos em cães e gatos pode ser ideal em quadros de disbiose persistente, pacientes com enteropatias crônicas ou como ferramenta preventiva em mudanças alimentares e terapias medicamentosas prolongadas (PULIDO, 2023).

São úteis também na reabilitação nutricional de pacientes internados.

A importância em conhecer a microbiota das espécies para escolher o produto adequado

A composição da microbiota de cães e gatos é distinta da microbiota humana. Por isso, o uso de prebióticos e probióticos desenvolvidos para humanos em animais pode não ser eficaz e até prejudicial.

Produtos veterinários devem conter cepas compatíveis com a fisiologia da espécie, com estudos que garantam sua segurança, estabilidade e efetividade clínica. É importante utilizar cepas bacterianas isoladas de microbiota canina ou felina, com potencial comprovado de colonização e ação benéfica para o paciente (DINIZ, 2025; RODRIGUES, 2018).

Como escolher o melhor probiótico para cães e gatos?

Ao escolher os melhores prebióticos e probióticos para cães e gatos, o médico-veterinário deve se basear em critérios científicos, clínicos e práticos, considerando as características fisiológicas do animal, a etiologia do distúrbio gastrointestinal, o perfil comportamental do paciente e a composição do produto.

Pacientes difíceis de manejar, por exemplo, podem dificultar a administração de suplementos que exigem múltiplas doses diárias ou com baixa palatabilidade. Nesses casos, é fundamental optar por formulações de alta aceitação e fácil administração (RAMOS et al., 2020).

Uma abordagem equivocada pode comprometer a eficácia da terapia e até agravar os quadros de disbiose intestinal. A individualização da abordagem do paciente também evita uso indiscriminado ou prolongado sem necessidade, o que pode gerar desequilíbrios adicionais na microbiota intestinal (RAMOS et al., 2020).

Alimentos com prebióticos e probióticos para gatos e cães

Alimentos superpremium para gatos e cães, como os da Royal Canin®, já incluem em sua formulação ingredientes funcionais que promovem a saúde digestiva, entre eles os prebióticos, probióticos e simbióticos. Essa combinação favorece a integridade da mucosa intestinal, auxilia na absorção de nutrientes e na resposta imunológica local.

Com base em evidências científicas, a Royal Canin® incorpora esses componentes em diversas formulações, incluindo linhas para animais saudáveis e linhas de alimentos coadjuvantes, contribuindo de forma consistente para o equilíbrio digestivo, inclusive em situações clínicas que exigem suporte nutricional específico.

Sendo assim, a indicação de tais dietas pode ser considerada uma estratégia eficaz na manutenção preventiva da saúde digestiva, reduzindo a necessidade de intervenções terapêuticas.

Porém, mesmo com todos os avanços na nutrição funcional, há situações clínicas que demandam intervenção suplementar direta, com formulações específicas de prebióticos e probióticos em doses adequadas para cada animal. Por isso, como já mencionamos, é essencial que o médico-veterinário avalie o paciente e tenha conhecimento técnico para indicar ou não algum suplemento específico.

Atenção em relação ao uso indiscriminado de suplementos de probióticos e prebióticos

Apesar dos benefícios, o uso indiscriminado de prebióticos e probióticos em cães e gatos pode trazer problemas, como também já citamos. A prática pode causar desequilíbrios microbianos e efeitos adversos, como flatulência, desconforto abdominal e até agravamento de quadros clínicos.

Portanto, sua indicação deve ser criteriosa, respeitando a individualidade do paciente e as evidências clínicas disponíveis, assim como as funções e particularidades de cada composto.

Quando os probióticos, prebióticos e simbióticos são contraindicados?

Entre as principais contraindicações dos simbióticos, prebióticos e probióticos em cães e gatos estão:

  • supercrescimento bacteriano: nesses casos, prebióticos podem exacerbar o quadro ao estimular a fermentação excessiva;
  • diarreias sem diagnóstico: acreditar que o probiótico “cura” diarreia pode mascarar doenças mais graves, como giardíase, colite ulcerativa ou hipoadrenocorticismo.

O uso de prebióticos, probióticos e simbióticos concomitante com antibiótico ainda é controverso. Alguns autores citam a administração após a suspensão dos antimicrobianos, enquanto outros defendem o uso durante o tratamento, desde que seja feito com cepas resistentes à ação antibiótica (WATERLOO et al., 2022).

O papel da nutrição no equilíbrio da microbiota e saúde intestinal de cães e gatos

A base para um intestino saudável é uma nutrição adequada e equilibrada. Alimentos com ingredientes de excelente qualidade, fontes de fibras, proteínas e carboidratos de alta digestibilidade favorecem a estabilidade de uma boa microbiota e ajudam a manter a integridade da mucosa intestinal.

Por isso é essencial atentar-se para a dieta de seus pacientes felinos e caninos e, sempre que preciso, ajustá-la de acordo com fase de vida, estado de saúde e necessidades do animal.

Excelência em nutrição e compromisso com a saúde animal: essa é a trajetória da Royal Canin®!

Há mais de 50 anos, a Royal Canin® se destaca por seu compromisso com a ciência nutricional aplicada à saúde de cães e gatos. Seus produtos são formulados com base em estudos e pesquisas junto a renomados nomes da nutrição veterinária e sua missão é oferecer soluções nutricionais personalizadas para cada paciente.

Dessa forma, disponibilizamos ao médico-veterinário uma linha de alimentos específicos para diferentes necessidades nutricionais. São alimentos completos e balanceados para atender as demandas nutricionais de gatos e cães em diferentes fases e estilos de vida.

Conheça melhor o nosso portfólio e as nossas linhas de alimentos coadjuvantes e para animais saudáveis. Utilize a nossa ferramenta exclusiva e gratuita de Recomendação Nutricional, que tem como objetivo facilitar a escolha do melhor produto e da quantidade ideal para cada paciente.

* A escolha do alimento ideal para o paciente deve ser sempre feita pelo médico-veterinário responsável, considerando suas particularidades, condição de saúde e necessidades específicas, promovendo uma nutrição adequada, bem-estar e longevidade. 

Referências:

DINIZ, A.A. Prospecção de linhagens bacterianas com potencial probiótico para uso em formulações para gatos domésticos. UFMG, 2025. Disponível em: https://repositorio.ufmg.br/handle/1843/82983, acesso em: 17 jul. 2025.

GENEHR, F.C. et al. Enterococcus faecium M7AN10 probiótico em matriz alimentar para cães. Veterinária e Zootecnia FMVZ, v.31, 2024. Disponível em: https://rvz.emnuvens.com.br/rvz/article/view/1576. Acesso em: 17 jul. 2025.

MOURA, J.F. et al. Uso de probióticos e prebióticos para cães e gatos. Revista Ciência Animal, v.31, n.4, 2021. Disponível em: https://revistas.uece.br/index.php/cienciaanimal/article/view/9295. Acesso em: 17 jul. 2025.

PULIDO, A.G. El microbioma: probióticos, prebióticos y simbióticos como parte de la salud integral de perros y gatos. FMVZ-UNAM, Clínica Veterinaria: Abordaje Diagnóstico y Terapeutico, v.9, 2023. Dispon[ivel em: https://revistas.fmvz.unam.mx/index.php/Clinica-Veterinaria/article/view/103. Acesso em: 17 jul. 2025.

RAMOS, T.F.; OLIVEIRA, L.S.; BERNARDI, C.M.M. Prebióticos e probióticos na alimentação de animais de companhia. Jornal MedVet Science FCAA, v.2, n.2, 2020. Disponível em: https://www.fea.br/wp-content/uploads/2020/11/Nutricao-v.2-n.2-103p.-2020.pdf#page39. Acesso em: 17 jul. 2025.

RODRIGUES, B.M. Inclusão de bactérias probióticas em ração para gatos. Universidade Estadual de Maringá, 2018. Disponível em: repositorio.uem.br:8080/jspui/handle/1/4712. Acesso em: 17 jul. 2025.

WATERLOO, M. et al. Uso de compostos probióticos como coadjuvante no controle da doença intestinal inflamatória canina. Pubvet, v.16, n.03, 2022. Disponível em: https://ojs.pubvet.com.br/index.php/revista/article/view/93. Acesso em: 17 jul. 2025.

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