Termorregulação animal: como os cães e gatos regulam a temperatura corporal
Links rápidos:
- O que é a termorregulação?
- Entendendo as estruturas da pele dos cães e gatos
- Principais funções do tecido cutâneo em gatos e cães
- A relação entre as trocas de pelos e a termorregulação animal
- Características dos animais endotérmicos
- Principais mecanismos de termorregulação nos cães e gatos
- A tosa pode afetar os mecanismos da termorregulação animal?
- Dicas que auxiliam na manutenção dos mecanismos de termorregulação animal
A termorregulação animal é fundamental para manter uma temperatura corporal adequada, necessária para a homeostase do organismo e o bem-estar do paciente. Entenda os detalhes!
A termorregulação animal é um processo fisiológico essencial que permite aos animais manterem a temperatura corporal, auxiliando na manutenção de todos os processos biológicos e garantindo a sobrevivência.
Os gatos e os cães apresentam vários mecanismos fisiológicos para garantir a termorregulação, sendo a pele e o pelo importantes barreiras protetoras e isolantes térmicos.
Entenda os detalhes e saiba como orientar os tutores sobre boas práticas de manejo que ajudam na manutenção da termorregulação animal.
O que é a termorregulação?
A termorregulação animal consiste na regulação da temperatura corporal, mesmo com as instabilidades e variações da temperatura do ambiente. É um processo fisiológico essencial para que ocorra a manutenção dos processos biológicos nos indivíduos, inclusive nos gatos e nos cães.
Entendendo as estruturas da pele dos cães e gatos
O tegumento é o maior órgão presente no organismo humano e animal, sendo composto por diversos tipos celulares, tecidos e estruturas especializadas.
Anatomicamente, a pele é composta por três camadas interdependentes, que são:
- epiderme: camada externa da pele que oferece proteção contra possíveis agentes infecciosos, constituída por tecido epitelial estratificado pavimentoso e queratinizado, sendo uma camada fina e avascular;
- derme: camada mais fibrosa, formada por tecido conjuntivo e vascularizada;
- hipoderme: camada mais profunda da pele, constituída por gordura e tecido conjuntivo, também sendo vascularizada. Entre as funções da hipoderme estão a capacidade de absorção de choques mecânicos/impactos e isolante térmico.

Principais funções do tecido cutâneo em gatos e cães
As principais funções da pele dos gatos e cães incluem:
- termorregulação animal;
- percepção de sensações como frio, calor, tato e dor;
- produção de vitamina D;
- produção de estruturas queratinizadas (pelos, unhas e camada córnea);
- produção de secreção pelas glândulas sudoríparas e sebáceas;
- reservatório de eletrólitos, água, vitaminas, ácidos graxos, carboidratos, proteínas, entre outros;
- inibição da perda de água, eletrólitos e macromoléculas;
- proteção contra lesões, cortes, irradiação solar, produtos químicos;
- imunorregulação.
Além disso, a barreira cutânea desempenha um papel fundamental para proteger o corpo contra a entrada de microrganismos patogênicos, como bactérias, fungos, entre outros (RAMOS, 2021).

A relação entre as trocas de pelos e a termorregulação animal
Gatos e cães podem apresentar dois tipos de pelos: primário/externo e secundário/subpelo, que não crescem de forma contínua, pois seguem o ciclo de vida constituído pelas fases a seguir:
- fase anágena: caracterizada pela produção intensa de novos pelos;
- fase catágena: etapa de transição e/ou repouso;
- fase telógena: etapa na qual o pelo irá se desprender e cair para que novos pelos surjam, reiniciando todo o ciclo.
Cada etapa do ciclo é sazonal e possui um tempo de duração que varia conforme a raça, a espécie, a região do corpo, a idade, o estágio de desenvolvimento do animal, o sexo e outros fatores fisiológicos e/ou patológicos.
Outros fatores como fotoperíodo, temperatura do ambiente que o animal habita e estações do ano (quando bem definidas) podem ter influência direta no ciclo do pelo, ajudando na termorregulação animal.
Características dos animais endotérmicos
Animais endotérmicos, assim como os gatos e os cães, são aqueles que possuem mecanismos para a termorregulação, e, portanto, conseguem manter a temperatura corporal estável mesmo diante de modificações ambientais e climáticas significativas.
Temperatura corporal normal dos cães
A temperatura corporal normal dos caninos varia entre 37,5 e 39,2°C, e alguns fatores podem influenciar na termorregulação animal. Por exemplo, cadelas próximas ao parto e cães mais velhos podem não apresentar essa temperatura média, não significando quadros de hipertermia ou hipotermia.
Outro ponto a se destacar é a termorregulação ineficiente dos cães neonatos, que acontece como resultado de um menor depósito de gordura, da dificuldade para tremer gerando fonte de calor e da incapacidade do hipotálamo para controlar a temperatura corporal.
Os recém-nascidos, portanto, necessitam de manejo adequado, pois são muito susceptíveis à hipotermia.
Temperatura corporal normal dos gatos
A temperatura corporal normal dos felinos varia entre 38,1 e 39,5°C, e, para essa espécie, podemos citar alguns outros fatores que podem influenciar na termorregulação animal. Por exemplo, se um gato ficar exposto ao sol durante um tempo prolongado, poderá ter um aumento momentâneo em sua temperatura corporal.
Entretanto, os gatos neonatos também ainda não desenvolveram os meios adequados para manter a termorregulação e, assim como os cães neonatos, necessitam de manejo adequado para evitar quadros de hipotermia.
A hipertermia sempre indica febre?
Alguns fatores podem elevar momentaneamente a temperatura corporal, como, por exemplo, exposição solar, uso de secadores e agitação do pet, mas não indicam um estado febril.
Nestes casos, não há comprometimento do mecanismo de termorregulação animal, e, após um pequeno período, o paciente é capaz de restabelecer a temperatura normal sem intervenção medicamentosa.
A forma mais eficiente de confirmar se o cão ou o gato apresenta febre é através da medição da temperatura retal, por meio de um termômetro, e cabe ao médico-veterinário interpretar o resultado obtido.
Hipertermia e hipotermia em cães e gatos
A hipotermia pode ter diferentes graus (leve, moderada, grave), e consiste na queda da temperatura do corpo do animal para um valor inferior a 38,1ºC em gatos e 37,5°C em cães.
A baixa temperatura, nesse caso, deve estar associada a sinais clínicos relacionados a alguma enfermidade ou a processos que causam alterações no mecanismo de termorregulação.
A hipotermia pode, também, ser gerada pela exposição do animal a ambientes muito frios e úmidos, ou ainda pode ser um evento detectado durante/após procedimentos anestésicos.
Nos quadros de hipotermia leve e moderada em cães e gatos, podem ser descritos:
- tremores;
- hipertensão;
- taquicardia;
- vasoconstrição;
- bradicardia;
- bradipneia;
- perda da consciência.
Já nos quadros de hipotermia grave, podemos evidenciar sinais clínicos como: apneia, edema pulmonar, arritmias ventriculares, coma, que podem, inclusive, levar a óbito.
Por outro lado, quando a temperatura corporal atingir um valor igual ou superior a 39,6ºC em gatos e 39,3ºC em cães, temos a hipertermia, que pode ser classificada de leve a grave, evidenciando as seguintes alterações:
- mucosas hiperêmicas, pálidas ou ictéricas;
- taquicardia;
- respiração ofegante;
- desidratação;
- vômitos;
- diarreias com ou sem a presença de sangue;
- salivação abundante;
- agitação;
- incoordenação motora;
- fraqueza;
- perda da consciência;
- convulsões;
- apneia.
Principais mecanismos de termorregulação nos cães e gatos
Os principais mecanismos de termorregulação animal incluem (ROCHA, 2017):
- termogênese: ativação do metabolismo através da contração muscular ou através da proteção pelo tecido adiposo;
- isolamento térmico: realizado pela presença dos pelos e camadas de gordura subcutânea;
- vasoconstrição: redução do fluxo sanguíneo para retenção de calor;
- vasodilatação: aumento do fluxo sanguíneo nas extremidades, visando auxiliar na perda do calor excedente para o meio externo;
- condução: troca de calor através dos coxins das patas.
Os cães apresentam, ainda, o hábito de ofegar ou respirar de boca aberta, que caracteriza mais um método de termorregulação denominado resfriamento evaporativo.
Mesmo com todos esses recursos, a termorregulação animal pode ser mais dificultosa do que a humana, uma vez que felinos e caninos não possuem grandes quantidades de glândulas sudoríparas.
Ademais, existem outros agravantes que podem gerar maiores dificuldades para dissipar o calor, tais como: obesidade, obstrução das vias aéreas superiores, doenças cardíacas, animais com pelagem mais escura (pois retém mais o calor), animais braquicefálicos e/ou muito pequenos.
A tosa pode afetar os mecanismos da termorregulação animal?
O controle de temperatura corporal dos animais está associado ao comprimento, à espessura e à densidade dos pelos.
Logo, a tosa pode dificultar a termorregulação animal, uma vez que a pelagem atua como um protetor e isolante térmico, fazendo com que o animal não perca ou receba calor em excesso. Quando realizada de forma inadequada ou em épocas inadequadas (muito frio ou muito calor), pode resultar em quadros de hipertermia e hipotermia.
O médico-veterinário poderá fornecer orientação aos tutores, indicando o tipo de tosa ideal para cada paciente e a periodicidade para a sua realização, evitando, assim, alterações nos mecanismos de termorregulação do paciente.
Dicas que auxiliam na manutenção dos mecanismos de termorregulação animal
A seguir, algumas dicas que o médico-veterinário pode ensinar aos tutores de cães e gatos para ajudar no bom funcionamento da termorregulação animal:
- no verão, recomenda-se que os animais não fiquem em ambientes impróprios, expostos por muito tempo ao sol quente, sem ventilação apropriada ou em lugares com muita umidade;
- não são recomendados passeios em horários em que o sol é muito quente, pois isso pode provocar queimaduras nos coxins, além de desidratação, hipertermia e outros problemas de saúde;
- manter fontes de água fresca sempre disponíveis;
- a tosa total mais baixa é contraindicada tanto nos meses mais quentes quanto nos muito frios.
Por fim, vale salientar que um alimento de excelente qualidade também é essencial para a manutenção da pelagem, saúde e bem-estar geral do animal. A nutrição adequada auxilia na manutenção das funções vitais do organismo, inclusive no bom funcionamento dos mecanismos de termorregulação animal.
Acesse a linha completa de produtos da ROYAL CANIN® para cães e gatos, e conheça todas as opções disponíveis para a dieta dos pets. Utilize também a nossa ferramenta gratuita Calculadora de Recomendações para auxiliar na escolha do melhor alimento para o seu paciente.
Referências bibliográficas
Estudo interno, ROYAL CANIN®, 2010-2011.
FONSECA, E.T. Manejo e tratamento de feridas: Revisão de literatura. Repositório Institucional da UFPB, 2021. Acesso em: 23 maio 2024.
LUCAS, R. Semiologia da Pele. In: FEITOSA, F.L.F. Semiologia veterinária: a arte do diagnóstico. São Paulo: Roca, 2020. Acesso em: 23 maio 2024.
ROCHA, N.C.; MORAES, I.A. Termorregulação nos animais. Homepage da disciplina Fisiologia Veterinária da UFF, 2017. Acesso em: 23 maio 2024.
SOUZA, T.M. et. al. Aspectos histológicos da pele de cães e gatos como ferramenta para dermatopatologia. Pesquisa Veterinária Brasileira, v.29, n.2, 2009. Acesso em: 23 maio 2024.
SYNTEC. Hipertermia em cães e gatos – o que é e como prevenir. Syntec – Mundo veterinário, 2018. Acesso em: 23 maio 2024.
TILLEY, L.P.; SMITH JR., F.W.K. Consulta Veterinária em 5 Minutos – Espécies canina e felina. São Paulo: Manole, 5 ed., 2014.
ZANELI, E. O suporte dermatológico através da nutrição do cão. PORTAL VET. Acesso em: 23 maio 2024.
