Ciclo estral das cadelas: entenda cada fase
Links rápidos:
- O que é ciclo estral?
- O ciclo estral é composto por 4 fases
- O tempo entre as fases pode variar entre os indivíduos
- A importância em saber a diferença de todas as fases
- Como a alimentação pode influenciar no ciclo estral das cadelas
- A Royal Canin atua há mais de 50 anos promovendo saúde e bem-estar aos pets!
O ciclo estral das cadelas, composto por 4 diferentes fases, é um conjunto de eventos fisiológicos que controla a atividade reprodutiva. Conheça todas as fases, suas respectivas características e a relevância para o atendimento em clínica!
A reprodução em cadelas envolve um ciclo fisiológico complexo e único, fundamental tanto para o entendimento de sua saúde geral quanto para o sucesso do manejo reprodutivo.
Conhecido como ciclo estral, esse processo não apenas prepara o organismo para a concepção, mas também exibe fases distintas e reguladas por flutuações hormonais específicas.
Compreender as etapas do ciclo estral das cadelas e suas manifestações físicas e comportamentais é essencial para o diagnóstico preciso da saúde reprodutiva da paciente.
Saiba mais!
O que é ciclo estral?
As fêmeas caninas são classificadas como monoéstricas, não estacional, cujo início da ciclicidade reprodutiva sofre influência da raça, do porte e de predisposições individuais.
Cadelas de porte pequeno, por exemplo, podem atingir a puberdade entre 6 e 10 meses de idade, enquanto as cadelas de porte grande podem exibir seu primeiro ciclo reprodutivo por volta de 18 a 24 meses de idade (KOWALEWSKI, 2018).
O ciclo reprodutivo das cadelas é denominado ciclo estral, caracterizado por quatro fases distintas, e consiste em um conjunto de eventos fisiológicos que prepara o sistema reprodutivo para a possibilidade de uma concepção.
Sendo assim, o ciclo estral das cadelas é controlado por uma série de hormônios que regulam o desenvolvimento dos folículos ovarianos, a ovulação e as alterações no endométrio, proporcionando condições ideais para a fecundação.
Atenção: ciclo estral e “cio” NÃO são sinônimos!
O termo “cio” é utilizado para se referir ao período no qual é possível observar as mudanças físicas e comportamentais da cadela, tornando-se mais atrativa para o macho e receptiva para a cópula.
Este período corresponde a duas fases do ciclo estral das cadelas, o proestro e o estro. Logo, a nomenclatura “cio” não deve ser utilizada como um sinônimo do ciclo reprodutivo completo.
O ciclo estral canino completo envolve processos hormonais e morfológicos que ocorrem durante e depois do proestro e do estro, como veremos a seguir. Por isso, é fundamental que os médicos-veterinários esclareçam essa diferença aos tutores, evitando equívocos que podem impactar no manejo reprodutivo.
O ciclo estral é composto por 4 fases
O ciclo estral das cadelas é caracterizado por quatro fases distintas, sucessivas e recorrentes: proestro, estro, diestro e anestro, que apresentam durações variáveis entre os indivíduos e as raças.
Vamos conferir a definição de cada fase e os eventos que nelas acontecem.
1. Proestro
O proestro é a primeira fase do ciclo estral das cadelas e tem duração de aproximadamente 10 dias, podendo variar de zero a 27 dias (ROYAL CANIN, 2024).
É durante essa fase do ciclo estral das cadelas que ocorre o desenvolvimento folicular nos ovários, impulsionado pela elevação nos níveis de estrogênio.
Clinicamente, a paciente apresenta edema vulvar e secreção vaginal sanguinolenta. Alguns reflexos como contração do períneo ao ser tocado, lateralização da cauda e curvatura ipsilateral dos membros pélvicos ao tocar a vulva também podem ser observados, e começam a se acentuar à medida que o ciclo estral avança para a próxima fase, o estro.
Entretanto, no proestro a cadela ainda não está receptiva à cópula, mas já é possível observar a atração do macho, comportamento provavelmente relacionado à liberação de ferormônios na secreção vaginal sanguinolenta.
No proestro, ocorre o aumento da concentração sérica de estrógeno, que atinge o seu pico, e LH (hormônio luteinizante). Posteriormente, o estrógeno começa a diminuir, aumentando a progesterona (MARTINS, 2007), como pode ser observado no gráfico abaixo.

Disfunções hormonais podem interferir no proestro, atrasando ou prolongando essa fase.
2. Estro
O estro, cuja duração média é de 7 dias, inicia-se quando o LH atinge seu pico. É a fase do ciclo estral das cadelas em que elas aceitam o acasalamento, sendo caracterizado por um comportamento de receptividade ao macho.
O pico do LH pode durar de 12 a 72 horas, e é seguido da ovulação, que pode ser múltipla nas cadelas. Assim, ocorre a formação do corpo lúteo.
Vale, portanto, ressaltar que a ovulação geralmente ocorre entre o segundo e quarto dia do estro (KUTZLER, 2018).
Uma disfunção frequente relacionada ao estro é a ausência de ovulação, também conhecida como anovulação, que pode resultar em infertilidade.
Além disso, os desequilíbrios hormonais podem prolongar a receptividade, dificultando a identificação precisa do momento adequado para o acasalamento ou inseminação artificial, afetando diretamente o sucesso reprodutivo.
3. Diestro
O diestro é a fase do ciclo estral das cadelas em que o corpo lúteo, formado após a ovulação, assume o controle hormonal, secretando progesterona. Aqui, a cadela não aceita mais o acasalamento e há regressão do edema vulvar.
Essa fase tem uma duração de 50 a 80 dias, mais especificamente 50 a 68 dias em cadelas gestantes, e de 60 a 80 dias em cadelas não gestantes.
Essa diferença está relacionada à degradação do corpo lúteo, pois a luteólise nas fêmeas prenhes ocorre mais rapidamente pela ação das prostaglandinas produzidas pela unidade útero placentária antes do parto.
O momento que finaliza o diestro é marcado pela diminuição da concentração sérica de progesterona e o aumento da secreção de prolactina, tanto nas cadelas gestantes quanto nas não gestantes.
Esse episódio pode estar relacionado ao desenvolvimento da pseudociese nas fêmeas caninas.
Outra disfunção associada ao diestro é a piometra, infecção uterina bacteriana mediada pelo estímulo prolongado da progesterona no endométrio (JOHNSTON et al., 2001). A piometra pode ser uma condição fatal se não diagnosticada e tratada precocemente.
4. Anestro
O anestro é a fase do ciclo estral das cadelas de inatividade sexual, com duração bastante variável, podendo compreender um período de 30 a 240 dias, dependendo do indivíduo.
Durante esse período, o trato reprodutivo da cadela passa por um processo de recuperação e preparação para o próximo ciclo. O nível de hormônios sexuais circulantes é baixo e não há sinais comportamentais ou clínicos de atividade reprodutiva.
Problemas que podem surgir nessa fase incluem o anestro prolongado, no qual a cadela demora ou não volta a apresentar um novo proestro, reiniciando um novo ciclo estral conforme o esperado.
Muitas vezes, essa condição está relacionada a disfunções hormonais, nutricionais ou doenças sistêmicas que possam afetar a função endócrina relacionada à reprodução.
Veja, na tabela a seguir (ROYAL CANIN, 2024), um resumo dos eventos que acontecem em cada fase do ciclo estral das cadelas:

O tempo entre as fases pode variar entre os indivíduos
A duração de cada fase do ciclo estral das cadelas pode variar entre cada fêmea, dependendo de fatores genéticos, nutricionais e de saúde geral.
A cadela doméstica normalmente apresenta dois ciclos estrais por ano, mas os ciclos anuais podem variar de um a quatro, dependendo da raça ou de características individuais dos animais (JOHNSTON et al., 2001).
Portanto, o intervalo entre um ciclo estral e outro pode variar de seis a 12 meses, sendo que raças de pequeno porte tendem a ter ciclos mais frequentes, enquanto raças de grande porte tendem a apresentar intervalos mais longos.
A importância em saber a diferença de todas as fases
A correta identificação de cada fase do ciclo estral das cadelas é essencial para o manejo reprodutivo adequado, tanto no que diz respeito à concepção quanto à contracepção.
Muitos tutores, por exemplo, acreditam que a prevenção de prenhez pode ser feita apenas com a separação entre o macho e a fêmea durante o sangramento do proestro. No entanto, essa prática não é eficaz, pois o período fértil ocorre durante o estro, quando não há mais sangramento.
Além disso, o entendimento dos eventos fisiológicos que acontecem nas diferentes fases do ciclo estral das cadelas auxilia no diagnóstico precoce de condições patológicas como a pseudociese e a piometra, melhorando o prognóstico e a qualidade de vida da paciente.
Como a alimentação pode influenciar no ciclo estral das cadelas
A alimentação adequada exerce um papel fundamental para o bom funcionamento do organismo como um todo, incluindo as atividades reprodutivas e o ciclo estral das cadelas.
Segundo Oliveira et al. (2021), o manejo nutricional pode influenciar no equilíbrio hormonal necessário para a regularidade das fases do ciclo estral das cadelas.
Problemas endócrinos, o sobrepeso e a obesidade, por exemplo, afetam a produção de hormônios sexuais, interferindo no ciclo estral e aumentando o risco de complicações reprodutivas, como anovulação e infertilidade.
Por isso, o fornecimento de uma dieta balanceada, especificamente desenvolvida para cada porte e idade, rica em nutrientes de alta qualidade, é tão importante para a capacidade reprodutiva das cadelas.
Inclusive, em casos de sobrepeso e obesidade, é indicado que o médico-veterinário recomende o uso de dietas específicas para ajudar a controlar essas condições, assim como a linha Satiety e Light.
Para indicar a sua paciente o alimento mais adequado a sua raça, porte e condição de saúde, utilize a Calculadora para Recomendação Nutricional da Royal Canin.
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Referências
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CRUSCO, S.E. Tópicos do ciclo estral em cadelas. Anais do Congresso Internacional da Associação Latinoamericana de Reprodução em Pequenos Animais, 2022. Acesso em: 23 outubro 2024.
JOHNSTON, S. D.; KUSTRITZ, M. V. R.; OLSON, P.N.S. Canine and feline theriogenology. Phyladelphia: WB Saunders Company, 1. ed., 2001.
KOWALEWSKI, M.P. Selected Comparative Aspects of Canine Female Reproductive Physiology. Encyclopedia of Reproduction, 2018.
KUTZLER, M.A. Estrous Cycle Manipulation in Dogs. Veterinary Clinics: Small Animal Practice, v.48, i.4, 2018. Acesso em: 23 outubro 2024.
LABIB, F.M. et al. Predicting the optimal time of breeding and the possible approaches for treatment of some estrus cycle abnormalities in bitches. Slovenian Veterinary Research, v.55, 2018. Acesso em: 23 outubro 2024.
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