Calculadora para Recomendação Nutricional

e cálculo de alimento de acordo com o quadro específico do seu paciente.

Conhecer

Calculadora para Recomendação Nutricional
e cálculo de alimento de acordo com o quadro específico do seu paciente.

Conhecer

Intoxicação por chocolate em cães e gatos: quais os riscos e como conduzir o caso?

Intoxicação por chocolate em cães e gatos: quais os riscos e como conduzir o caso?
Atualizado em 1 de dezembro de 2025
Tempo de leitura: 11min
×

Links rápidos:

A ingestão de chocolate é uma das causas mais importantes de intoxicação vista na rotina clínica veterinária. Entenda melhor sobre o perigo da intoxicação por chocolate em cães e gatos e saiba como alertar seus tutores! 

Diversas substâncias presentes em alimentos humanos ou outros agentes tóxicos (agrotóxicos, raticidas, medicamentos e plantas) podem intoxicar cães, gatos e outros pets de forma acidental, intencional ou por fornecimento inadequado. Geralmente, as intercorrências do tipo costumam ocorrer no ambiente doméstico em que vive o animal. 

A prevalência de intoxicação em cães e gatos é alta e o número de atendimentos em clínicas e hospitais veterinários vem aumentando anualmente (CONCEIÇÃO, ORTIZ, 2015). Por sua vez, o chocolate é um dos alimentos tóxicos mais comumente ingerido pelos pets, podendo levar à ocorrência de diferentes sinais clínicos relacionados ao sistema gastrointestinal, sistema nervoso central e ao sistema cardiovascular (ALAHMED et al., 2024). 

O que significa uma intoxicação por chocolate nos gatos e cães? 

A intoxicação por chocolate em cães e gatos ocorre devido à incapacidade desses animais de metabolizar adequadamente certas substâncias presentes no cacau, como as metilxantinas — principalmente a teobromina e, em menor grau, a cafeína. 

Ao ingerirem chocolate, essas substâncias são lentamente processadas e excretadas pelo organismo de cães e gatos, o que aumenta sua permanência no organismo e potencializa seus efeitos tóxicos, tornando-se prejudiciais para diversos sistemas do corpo, especialmente os sistemas gastrointestinal e nervoso central. 

Como ocorre a intoxicação por chocolate em gatos e cães? 

O chocolate é formulado com quantidades elevadas de lipídios, carboidratos, aminas biogênicas, neuropeptídeos e metil-xantinas, assim como teobromina e cafeína. A concentração de teobromina presente no chocolate é bem mais elevada em relação a de cafeína. Além disso, o principal ingrediente do chocolate é a manteiga de cacau, e é justamente nela em que se concentra a maior quantidade de teobromina (GIANNICO et al.; 2014). 

As substâncias fitoquímicas presentes no cacau, principalmente a teobromina e a metil-xantina, são tóxicas e extremamente nocivas ao organismo da maioria dos animais. Pode ocorrer elevação do estímulo da atividade cerebral, ação diurética e elevação da intensidade do esforço muscular cardíaco, predispondo ação vasoconstritora e arritmias.  

Um dos sinais clínicos mais percebidos pelo tutor e o que o faz buscar ajuda médico veterinária é a presença de diarreia líquida em grande quantidade, além de prostração, anorexia etc. Nos casos mais graves de intoxicação por chocolate em cães e gatos pode ocorrer o óbito do paciente (GIANNICO et al., 2014; CONCEIÇÃO, ORTIZ, 2015). 

As metil-xantinas são lipossolúveis e são absorvidas no estômago e intestino do animal, podendo penetrar as barreiras placentárias e hematoencefálicas. 

Portanto, embora o chocolate não seja tóxico aos seres humanos, suas substâncias podem ser altamente nocivas para gatos e cães, uma vez que os animais domésticos metabolizam a teobromina de forma mais lenta do que os humanos, favorecendo o quadro de intoxicação alimentar. A sensibilidade individual, as quantidades e as concentrações de chocolate consumido também exercem influência nos casos de intoxicação (GIANNICO et al., 2014). 

A prevalência de intoxicação por chocolate é maior nos cães, visto que os felinos possuem um paladar mais seletivo em relação a novas texturas e gostos, não aceitando alimentos desconhecidos com facilidade. A subnotificação desses casos, no entanto, pode ocorrer (CATOZO et al., 2022) e o tutor deve ficar atento ao que seu gato consome. 

Qual chocolate é mais tóxico para os animais? 

O tipo de chocolate pode influenciar na gravidade do caso de intoxicação por chocolate em cães e gatos, pois a quantidade de teobromina varia em cada um deles. Assim, o potencial de intoxicação é ainda mais elevado quando o chocolate é amargo ou meio amargo, já que essas variedades levam maior quantidade de teobromina em sua composição (GIANNICO et al., 2014). 

Segundo Gwaltney-Brant (2001), cães expostos a 20 mg/kg de teobromina podem apresentar sinais clínicos leves de toxicidade, enquanto uma dose de 40 a 50 mg/kg pode causar sinais graves, e 60 mg/kg podem provocar convulsões. 

Veja na tabela abaixo a quantidade média de teobromina presente por cada grama de produto nos variados tipos de chocolate (adaptado de GIANNICO et al., 2014): 

TIPO DE CHOCOLATE QUANTIDADE DE TEOBROMINA 
Branco 0,009mg 
Ao leite 2,046mg 
Meio amargo 4,586mg 
Amargo 13,863mg 
Cacau em pó 25,997mg 

 

Embora os chocolates brancos ou ao leite possuam menor quantidade de teobromina, eles também não devem ser oferecidos aos animais, uma vez que o risco de intoxicação ainda existe. Além disso, as demais substâncias presentes no alimento, como cafeína, açúcar, adoçantes e altos índices de gordura, possuem alto potencial de causar outros problemas. 

Sinais clínicos de intoxicação por chocolate em cães e gatos 

Os sinais clínicos de intoxicação por chocolate em cães e gatos normalmente são agudos e variam de acordo com o tipo de chocolate ingerido. Além disso, outros fatores podem influenciar nos efeitos e gravidade da intoxicação, como o peso do animal, a quantidade e tipo de chocolate ingerido e a frequência. 

Geralmente, nos quadros de intoxicação por chocolate em cães e gatos, observa-se a presença de sinais clínicos no período entre 6 e 12 horas após consumo, e a teobromina pode permanecer ativa no organismo por até 24 horas (GIANNICO et al.; 2014). 

As principais manifestações clínicas incluem: 

  • náusea; 
  • êmese; 
  • diarreia; 
  • dispnéia; 
  • polidipsia; 
  • poliúria; 
  • polaquiúria. 

Além dessas, outras alterações e sinais clínicos mais graves podem ser comuns, como: 

  • desidratação; 
  • hiperatividade; 
  • arritmias cardíacas; 
  • hemorragias internas; 
  • hipertensão arterial sistêmica; 
  • taquipneia; 
  • cianose; 
  • hipertermia; 
  • fraqueza; 
  • tremores; 
  • ataxia; 
  • convulsões; 
  • coma e, até mesmo o óbito. 

Alerta aos médicos-veterinários: os sinais clínicos podem enganar! 

A intoxicação por chocolate em cães e gatos exige muita atenção dos médicos-veterinários, uma vez que os sinais clínicos apresentados podem facilmente ser confundidos com outras condições.  

Por exemplo, os efeitos cardíacos e neurológicos dessa intoxicação (agitação, taquicardia e tremores) podem ser erroneamente interpretados pelos tutores como sinais de “melhora” ou “animação”. Isso pode levar a uma percepção equivocada sobre o estado de saúde do paciente, especialmente quando ele retorna para casa sem a devida estabilização e acompanhamento. 

Vale ressaltar que a teobromina e a cafeína têm efeito estimulante sobre o sistema nervoso central e o sistema cardiovascular dos pets, provocando hiperexcitabilidade, resultando em taquicardia e taquipneia. Tais alterações podem indicar risco de arritmias e potencial falência respiratória e cardíaca, demandando monitoramento contínuo (GIANNICO et al., 2014; WEINGART et al., 2021). 

A intoxicação por teobromina também pode levar a alterações hematológicas, como citopenias e alterações em parâmetros hematológicos que indicam inflamação e estresse oxidativo (BEZERRA et al., 2022; CUNHA et al., 2022). Essas alterações, embora geralmente secundárias à resposta inflamatória e ao estresse do organismo em lidar com a intoxicação, complicam o quadro clínico e indicam a necessidade de suporte e monitoramento laboratorial contínuos durante a internação. 

Como manejar o paciente em casos de intoxicação por chocolate 

O diagnóstico da intoxicação por chocolate em cães e gatos é realizado com base na anamnese e presença de sinais clínicos. As perguntas sobre manejo alimentar e histórico das últimas refeições são imprescindíveis para identificar o problema. 

O tratamento geralmente é de suporte e sintomático. Caso o paciente tenha ingerido o chocolate em período inferior a 2 horas, pode ser administrado carvão ativado ou a realização da indução do vômito para reduzir ou eliminar parte do alimento ingerido e, consequentemente, diminuir a absorção das toxinas (GIANNICO et al., 2014). 

O atendimento precoce para intoxicação por chocolate em cães e gatos não dispensa o tratamento de suporte e medicamentoso, que deve ser realizado praticamente em todos os casos, sendo fundamentais para que o paciente possa se restabelecer, e envolvem (GIANNICO et al., 2014): 

  • reposição e manutenção hidroeletrolítica, através da fluidoterapia; 
  • monitoramento cardíaco para identificação de possíveis arritmias; 
  • controle de convulsões: caso o paciente esteja convulsionando, recomenda-se a intervenção medicamentosa com Fenobarbital e Diazepam; 
  • uso de sonda uretral, que favorece o esvaziamento da vesícula urinária e consequentemente diminui a absorção da metil-xantina; 
  • internação do paciente, que é altamente recomendada para melhor acompanhamento da evolução do quadro. 

Orientações importantes para os tutores 

O médico-veterinário deve orientar o tutor sempre que possível a não oferecer ao animal nenhum resto de alimento humano e petiscos, principalmente os que contenham alho, cebola, chocolate, uva ou qualquer outro alimento impróprio para o consumo de gatos e cães. 

Como vimos, uma pequena quantidade de chocolate ou alimento impróprio pode ter toxinas ou substâncias de difícil metabolização e eliminação pelo organismo do pet, além de serem suficientes para provocar uma intoxicação. Sendo assim, é importante evidenciar que até mesmo pequenas quantidades podem causar sintomas graves ao animal e, até mesmo, levá-los a óbito. 

Ao perceber sinais de intoxicação por chocolate ou outros alimentos, deve-se levar o animal imediatamente para uma clínica ou hospital veterinário mais próximo. Nesses casos, o socorro imediato pode ser fundamental para salvar a vida do paciente intoxicado. 

Além dos quadros de intoxicação, o fornecimento errôneo de diversos alimentos também pode gerar outras condições prejudiciais à saúde do pet, como sobrepeso e obesidade, diabetes mellitus (particularmente em gatos, devido à obesidade), entre outros. 

Por isso, a prevenção é a melhor forma de reduzir a incidência de intoxicação por chocolate em cães e gatos. É imprescindível que o tutor alimente o pet de forma criteriosa, com alimentos balanceados, que possuam todos os nutrientes necessários para seu crescimento e desenvolvimento saudáveis, também ajudando na manutenção do bom funcionamento do organismo quando adultos.  

Alerta de maior risco em época de festas: chocolates não devem ser oferecidos para cães e gatos! 

É importante ter ciência de que o risco de intoxicação por chocolate em cães e gatos nas épocas festivas, como Páscoa e Natal, é elevado e requer atenção.  

Nesses períodos, há uma elevação do consumo de chocolate e outros tipos de alimentos pelos seres humanos e os animais podem acabar ingerindo-os de forma acidental. Há casos em que os próprios tutores oferecem o alimento ao animal, pois acabam ficando com pena e acreditam que uma pequena quantidade não fará mal, o que não é verdade. 

Outras substâncias tóxicas para cães e gatos

Como mencionamos no início deste artigo, há diversas substâncias consideradas tóxicas para gatos e cães. Várias plantas representam perigo, assim como alguns medicamentos, como o paracetamol.

Para ter uma visão mais ampla sobre a intoxicação por ingestão de substâncias e entender como abordar o paciente na prática, confira o infográfico abaixo:

Infográfico detalha como abordar um paciente com intoxicação por ingestão de substância

Lembre-se ainda que a ROYAL CANIN® possui uma linha completa de alimentos completos e balanceados para o suporte à manutenção da saúde de gatos e cães, em versões secas e úmidas. Saiba mais sobre os  alimentos da ROYAL CANIN® e utilize a nossa ferramenta exclusiva e gratuita de Recomendação Nutricional. 

Referências 

ALAHMED, J.A.S.; AL-RUFAEI, I.A.; ALWAN, N.A. Cocoa intoxication in domestic and street dogs: A comparative study. Archives of Veterinary Science, 2024. Acesso em: 12 novembro 2024. 

BEZERRA, L.S. et al. Prevalência de intoxicações exógenas em cães e gatos no município de Fortaleza e região metropolitana. PUBVET, v.16, n.03, 2022. Acesso em: 12 novembro 2024. 

CATOZO, R.G. et al. Intoxicação em gatos atendidos em um hospital veterinário universitário da cidade de São Paulo: análise retrospectiva de 2010 a 2021. Revista de Educação Continuada em Medicina Veterinária e Zootecnia do CRMV-SP, v.20, n.1, 2022. Acesso em: 12 novembro 2024. 

CONCEIÇÃO, J.L.S.; ORTIZ, M.A.L. Intoxicação domiciliar de cães e gatos. Revista UNINGÁ Review, v.24, n.2, 2015. Acesso em: 12 novembro 2024. 

CUNHA, M.F.S. et al. Análise das citopenias encontradas em hemograma de cães e gatos no Centro de Diagnóstico Laboratorial da Universidade do Vale do Paraíba de 2021 a 2022. Hematology, Transfusion and Cell Therapy, v.44, s.2, 2022. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2531137922011543. Acesso em: 12 novembro 2024. 

FEDIAF. Nutritional Guidelines: For Complete and Complementary Pet Food for Cats and Dogs, Belgiun, p. 3-98. 2021. Acesso em: 12 novembro 2024. 

GIANNICO, A.T. et al. Alimentos tóxicos para cães e gatos. Colloquium Agrariae, v.10, n.1, 2014. Acesso em: 12 novembro 2024. 

GWALTNEY-BRANT, S. Chocolate intoxication. J Vet Med., v.96, i.2, 2001. 

WEINGART, C.; HARTMANN, A.; KOHN, B. Chocolate ingestion in dogs: 156 events (2015–2019). Journal of Small Animal Practice, v.62, i.11, 2021. Acesso em: 12 novembro 2024. 

 

O conteúdo do Portal VET da Royal Canin® é destinado à profissionais de saúde veterinária.