Malamute do Alasca: características e cuidados com cães dessa raça
Links rápidos:
- A origem da raça Malamute do Alasca
- Quais são as principais características do Malamute do Alasca?
- Cuidados necessários com o Malamute do Alasca
- Além do Malamute do Alasca: outras raças de cães de porte grande presentes nos consultórios veterinários
- Dúvidas frequentes sobre a raça Malamute do Alasca
- Com mais de 50 anos de história, a Royal Canin® é referência em nutrição e saúde animal
O Malamute do Alasca é uma raça de cão criada para exercer força e demonstrar resistência nas funções de pastoreio. Compreenda as particularidades dessa raça e saiba como orientar tutores.
O Malamute do Alasca é uma das raças caninas mais antigas utilizadas para tração de trenós. Ela desempenhou papel fundamental na sobrevivência humana em regiões árticas. Reconhecido por sua força, resistência e robustez, esse cão é considerado um patrimônio cultural do Ártico e, atualmente, tem ganhado espaço como cão de companhia em diversas partes do mundo, inclusive no Brasil.
Do ponto de vista médico-veterinário, compreender as características físicas e comportamentais, além das predisposições raciais dos indivíduos da raça Malamute do Alasca é essencial para fornecer orientações adequadas quanto ao manejo, bem-estar e prevenção de enfermidades.
A origem da raça Malamute do Alasca
Um dos cachorros utilizados na tração de trenó mais antigos do Ártico, o Malamute do Alasca tem origem nos Estados Unidos da América, mais precisamente na região do Alasca (CBKC; FCI, 2025).
Acredita-se que eles tenham atravessado o Estreito de Bering há milhares de anos com pessoas das regiões árticas da Sibéria. Uma vez na América do Norte, viveram e trabalharam com os Inuit, sendo usado não somente para puxar trenós pesados, mas também para caçar e proteger os seus tutores de ursos (AKC, 2022).
A denominação Malamute do Alasca, também escrita como Malamute do Alaska, foi inspirada nos “Mahlemuts”, uma tribo de Inuit que vivia ao longo das margens do estreito do Kotzebue, no noroeste do Alasca.

Desenvolvimento e reconhecimento da raça
Conforme mencionado anteriormente, o Malamute do Alasca exercia funções de tração, caça e proteção em condições de clima extremamente severos do Alasca. Sendo assim, é uma raça que se desenvolveu sob forte pressão seletiva natural, pela necessidade de desempenho físico e resistência em ambientes inóspitos, resultando em exemplares robustos, fortes e resistentes.
Embora seja uma raça antiga, o Malamute do Alasca só passou a ser sistematicamente reconhecido no século XX. O American Kennel Club (AKC) reconheceu oficialmente a raça em 1935, e, posteriormente, sua padronização foi consolidada pela Fédération Cynologique Internationale (FCI) e pela Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC) (AKC, 2022).
A padronização da raça buscou preservar não apenas suas características morfológicas, mas também o temperamento estável e a aptidão para o trabalho, fatores essenciais para o perfil equilibrado do Malamute do Alasca (CBKC; FCI, 2025).
Introdução da raça Malamute do Alasca no Brasil
No Brasil, a raça Malamute do Alasca foi introduzida principalmente a partir da segunda metade do século XX, sendo inicialmente valorizado em exposições caninas e por criadores especializados em raças de trabalho e companhia de grande porte.
Atualmente, apesar de sua popularidade crescente, ainda é uma raça pouco vista no território nacional, o que reforça a importância da orientação veterinária quanto ao manejo adequado e às particularidades do clima brasileiro.
Quais são as principais características do Malamute do Alasca?
Entenda, detalhadamente, as particularidades relacionadas à raça Malamute do Alasca, incluindo suas características físicas, comportamentais e predisposição a algumas condições de saúde.

1. Porte e outras características físicas
O Malamute do Alasca é classificado como uma raça de grande porte, com machos apresentando 63,5cm de altura e 38kg e fêmeas com 58,5cm de altura e 34kg.
Sua morfologia corporal é vigorosa, marcada por forte ossatura, músculos desenvolvidos e cabeça larga e profunda. As orelhas eretas, de inserção bem afasta, possuem tamanho médio. A cauda, por sua vez, possui inserção moderadamente alta, está alinhada com a coluna vertebral na base e se curva para cima.
Apresenta pelagem dupla e densa, adaptada para ambientes frios, longa o suficiente para proteger o subpelo. O sobrepelo é grosso e áspero, e o subpelo denso, oleoso espesso, impermeável e possui de 2,5 a 5cm de comprimento. Quanto à coloração, todos os tons de cinza claro a preto e todos os tons de zibelina a vermelho são aceitos.
Vale ressaltar que as marcas faciais são uma característica peculiar, formando uma espécie de gorro sobre a cabeça, sendo o rosto completamente branco ou marcado com uma máscara ou uma barra.

2. Comportamento
O Malamute do Alasca é uma raça dotada de comportamento equilibrado, inteligente e sociável, com olhos sempre alertas, demonstrando interesse e curiosidade. São bons companheiros, afetuosos com humanos, mas sem se apegar a uma pessoa em particular.
São cães brincalhões quando incentivados, mas geralmente são mais recatados quando atingem a idade adulta.

3. Saúde geral e predisposição racial a doenças
Embora seja um cão rústico, o Malamute do Alaska apresenta predisposições raciais a determinadas condições médicas, tais como:
Displasia coxofemoral
A displasia coxofemoral é uma enfermidade ortopédica de caráter hereditário e multifatorial, caracterizada por um desenvolvimento anormal da articulação do quadril, no qual ocorre incongruência entre a cabeça femoral e o acetábulo, resultando em instabilidade articular. Esse desalinhamento promove desgaste progressivo da cartilagem, remodelação óssea e, consequentemente, osteoartrite secundária.
Manifesta-se clinicamente por sinais como claudicação, rigidez após exercícios, intolerância ao esforço físico e dor à manipulação dos quadris. Em estágios avançados, pode levar à atrofia muscular dos membros pélvicos e limitação significativa da mobilidade, comprometendo diretamente a qualidade de vida do animal (TOHOLOVA et al., 2024).
Condrodisplasia
A condrodisplasia é uma condição hereditária documentada no Malamute do Alasca, resultante de alterações genéticas que afetam o processo de ossificação endocondral. Essa anomalia leva a distúrbios no desenvolvimento da cartilagem de crescimento, comprometendo a formação e o alongamento dos ossos longos (BINGEL; SANDE; WIGHT, 1985; GOUGH et al., 2018).
Clinicamente, os cães acometidos apresentam baixa estatura, membros curtos e arqueados, deformidades angulares e desproporção corporal, características que se tornam mais evidentes durante o crescimento. Além do impacto estético, a doença pode comprometer a biomecânica locomotora, predispondo a claudicação, dor articular e desenvolvimento precoce de osteoartrite.
Hipotireoidismo
Os cães da raça Malamute do Alasca apresentam predisposição a alterações endócrinas, como o hipotireoidismo, enfermidade resultante da redução da produção ou da atividade dos hormônios tireoidianos. Essa deficiência hormonal compromete de forma sistêmica o metabolismo, afetando principalmente as funções cutânea, neuromuscular, reprodutiva e cardiovascular.
A manifestação clínica pode ser insidiosa, mas sinais como letargia, intolerância ao exercício, alopecia bilateral simétrica, alterações na pelagem (pelos secos e quebradiços), ganho de peso sem aumento de ingestão alimentar, intolerância ao frio e bradicardia são frequentemente observados (ELGALFY et al., 2025).
Polineuropatia idiopática do Malamute do Alasca
É uma neuropatia hereditária de caráter degenerativo, associada a mutações genéticas que comprometem o funcionamento adequado dos nervos periféricos. A enfermidade manifesta-se predominantemente em animais jovens, geralmente entre 4 e 18 meses de idade, e resulta na condução nervosa ineficiente, levando à perda progressiva da função neuromuscular (BRAUND et al., 1997; GOUGH et al. 2018).
Clinicamente, os cães acometidos apresentam fraqueza muscular generalizada, sobretudo nos membros pélvicos, acompanhada de ataxia, intolerância ao exercício, reflexos diminuídos e, em casos avançados, paralisia flácida. A doença compromete de forma significativa a qualidade de vida e pode evoluir para incapacidade locomotora severa.
Cuidados necessários com o Malamute do Alasca
Além de conhecer as principais características da raça Malamute do Alasca, é importante que o médico-veterinário saiba quais cuidados essa raça demanda para orientar corretamente os tutores.

Espaço
Por se tratar de uma raça de cão ativa e de grande porte, o Malamute do Alasca necessita de ambientes amplos e de rotinas que incluam atividades físicas diárias. Passeios regulares, corridas e práticas esportivas caninas são recomendados para atender suas necessidades de gasto energético.
Conforto térmico
Por ter uma pelagem dupla, espessa e impermeável, adaptada às condições climáticas do Ártico, os Malamutes do Alasca são sensíveis a altas temperaturas, devendo ter acesso a locais ventilados, sombreados e à hidratação constante em climas quentes.
Cuidados veterinários e check-ups
Consultas veterinárias periódicas são fundamentais para monitoramento de qualquer afecção, inclusive das doenças hereditárias que possam acometer o Malamute do Alasca. Além disso, o acompanhamento deve abranger questões de bem-estar, como adaptação ambiental, avaliação nutricional e conforto térmico do animal.
Manejo nutricional: como deve ser a alimentação do Malamute do Alasca?
O cão de grande porte Malamute do Alasca necessita de um manejo nutricional criterioso, que possua aporte equilibrado de macro e micronutrientes essenciais, favorecendo o desenvolvimento e a manutenção da massa muscular, além de garantir suporte à saúde osteoarticular.
A linha Royal Canin® Maxi possui apresentações desenvolvidas para atender às exigências específicas de cada faixa etária dos cães de grande porte e pode ser uma opção de alimentação para a raça.
A Maxi Puppy, indicada para filhotes de 2 a 15 meses, apoia o desenvolvimento do sistema imunológico saudável, ajuda a promover um equilíbrio saudável da microbiota intestinal para a saúde digestiva, e satisfaz as moderadas necessidades energéticas de filhotes de porte grande ao longo do seu período de crescimento.
A Maxi Adult, recomendada para cães de 15 meses a 5 anos de idade, possui fórmula e croquetes exclusivos para atender as necessidades dos cães de grande porte, ajudando no suporte a ossos e articulações que podem ser sobrecarregados pelo peso corporal e apoiando a saúde digestiva.
Já a Maxi Adult 5+, recomendada para cães a partir de 5 anos de idade, contém conteúdo adaptado de nutrientes para ajudar a manter a vitalidade dos cães de porte grande frente aos primeiros sinais de envelhecimento. Também conta com um exclusivo complexo de antioxidantes para ajudar a neutralizar os radicais livres. Ajuda, ainda, no suporte a ossos e articulações e promove ótima digestibilidade.
E a Maxi Ageing 8+, recomendada para cães de grande porte a partir de 8 anos de idade, possui fórmula e croquetes exclusivos, ajuda a manter a vitalidade nos primeiros sinais de envelhecimento, fornece suporte para uma ótima saúde e apoia a saúde digestiva.

Além do Malamute do Alasca: outras raças de cães de porte grande presentes nos consultórios veterinários
Outras raças de cães de grande porte podem estar presentes na rotina de atendimento clínico, tais como:
- Pastor Alemão;
- Boxer;
- Golden Retriever;
- AIDI (Cão das Montanhas do Atlas);
- Foxhound Americano.
Dúvidas frequentes sobre a raça Malamute do Alasca
Confira, a seguir, algumas das dúvidas mais frequentes sobre o Malamute do Alasca.
O Malamute do Alasca pode ser criado com crianças?
Sim, é uma raça que interage bem com crianças, porém é sempre importante ter supervisão adequada.
Qual a expectativa de vida do Malamute do Alasca?
Em média, a expectativa de vida do Malamute do Alasca varia entre 12 e 15 anos (ROYAL CANIN, s.d.).
O Malamute do Alasca é considerado uma raça gigante?
Não. De acordo com os padrões raciais, o Malamute do Alasca é considerado uma raça de porte grande.
Quais são as principais doenças que podem afetar a raça?
As principais doenças que podem acometer o Malamute do Alasca são displasia coxofemoral, condrodisplasia, hipotireoidismo e polineuropatia idiopática.
O Malamute do Alasca pode viver em regiões de clima quente?
Sim, desde que sejam oferecidas condições adequadas para conforto térmico e hidratação.
Qual a diferença entre o Malamute do Alasca e o Husky Siberiano?
O Husky Siberiano possui uma cauda de raposa, em formato de pincel, inserida logo abaixo do nível da linha do dorso e portada para baixo. É classificado como um cão de porte médio, sendo menor que o Malamute do Alasca.
Existe Malamute do Alasca de porte menor?
Não. O padrão da raça é consolidado para porte grande (CBKC; FCI, 2025).
Com mais de 50 anos de história, a Royal Canin® é referência em nutrição e saúde animal
Mais de cinco décadas de atuação traduzem-se em uma trajetória marcada por inovação, ética e compromisso. A Royal Canin® continua ampliando sua presença global, sempre com foco em ciência, sustentabilidade e saúde animal, reafirmando diariamente sua missão: melhorar a vida de gatos e cães por meio da nutrição de alta qualidade e baseada em evidências científicas.
Nossa linha de produtos oferece alimentos específicos para diferentes necessidades nutricionais. São alimentos completos e balanceados para atender as demandas nutricionais de gatos e cães em diferentes fases e estilos de vida*.
Conheça melhor o nosso portfólio e as nossas linhas de alimentos coadjuvantes e para animais saudáveis. Utilize a nossa ferramenta exclusiva e gratuita de Recomendação Nutricional, que tem como objetivo facilitar a escolha do melhor produto e da quantidade ideal para cada paciente*.
* A escolha do alimento ideal para o paciente deve ser sempre feita pelo médico-veterinário responsável, considerando suas particularidades, condição de saúde e necessidades específicas, promovendo uma nutrição adequada, bem-estar e longevidade.
Referências:
AKC. Alaskan Malamute History: From Arctic Sled Dog to Family Pet. 2022. Disponível em: https://www.akc.org/expert-advice/lifestyle/alaskan-malamute-history-arctic-sled/. Acesso em: 20 ago. 2025.
BINGEL, S.A.; SANDE, R.D.; WIGHT, T.N. Chondrodysplasia in the Alaskan malamute. Characterization of proteoglycans dissociatively extracted from dwarf growth plates. Lab. Invest., v.53, n.4, 1985. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/4046558/. Acesso em: 20 ago. 2025.
BRAUND, K.G. et al. Idiopathic polyneuropathy in Alaskan malamutes. J. Vet. Intern. Med., v.11, n.4, 1997. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/9298480/. Acesso em: 20 ago. 2025.
CBKC; FCI. Padrão Oficial da Raça Malamute do Alaska. Disponível em: https://cbkc.org/application/views/docs/padroes/padrao-raca_403.pdf. Acesso em: 20 ago. 2025.
ELGALFY, G.E. et al. Incidence, complications and therapeutic evaluation of clinical hypothyroidism in different breeds of dogs. BMC Vet. Res., v.21, n.1, 2025. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40346543/. Acesso em: 20 ago. 2025.
GOUGH, A.; THOMAS, A.; O’NEIL, D. Breed Predispositions to Disease in Dogs and Cats. Oxford: Wiley Blackwell, 3 ed., 2018.
ROYAL CANIN. Biblioteca de Raças – Malamute do Alasca. Disponível em: https://www.royalcanin.com/br/dogs/breeds/alaskan-malamute. Acesso em: 20 ago. 2025.
ROYAL CANIN. Enciclopédia do Cão. 2024.
TOHOLOVA, J.; HORNAK, S.; KURICOVA, M. Non-surgical pain management for hip joint disease in veterinary medicine. Vet. Med. (Praha), v.69, n.8, 2024. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39296629/. Acesso em: 20 ago. 2025.
