Alopecia X: o que é e quais os principais desafios da doença?
Links rápidos:
Os casos de Alopecia X podem ser desafiadores, tanto para chegar ao diagnóstico quanto para solucionar o quadro clínico. Saiba como agir diante dessa afecção!
A alopecia X é uma condição dermatológica de causa ainda pouco compreendida, que acomete cães de raças nórdicas, como, principalmente, o Spitz Alemão. Caracteriza-se pela ausência de pelos de forma simétrica, resultando em uma lesão de caráter não inflamatório.
Entenda um pouco mais sobre como conduzir um quadro suspeito de alopecia x, sabendo o que fazer desde o exame clínico até o diagnóstico e tratamento.
O que é a alopecia X?
Alopecia X é um distúrbio não-inflamatório ocasionado pela interrupção do ciclo capilar, levando à perda progressiva da pelagem em áreas do corpo onde se espera um revestimento capilar normal. Essa ausência de pelos ocorre de forma simétrica, bilateral, não pruriginosa, podendo-se, também, observar a hiperpigmentação da pele.
A etiologia e patogenia dessa enfermidade permanecem desconhecidas, mas há hipóteses que acreditam que tenha um componente hereditário associado a alterações de sensibilidade a receptores hormonais dos folículos pilosos (GONDIM, ARAUJO, 2020).

O que diferencia a alopecia X de outros tipos de alopecia vistos na rotina?
A alopecia X em cães diferencia-se dos outros tipos de alopecia pela sua simetria, por não ocasionar prurido e por não apresentar sinais clínicos inflamatórios e infecciosos como nos casos de:
- eritema;
- crostas;
- pápulas;
- pústulas;
- erosões;
- úlceras.
A relação entre a alopecia X e a raça Spitz Alemão
Vários estudos tentam elucidar a predisposição genética do Spitz Alemão em desenvolver alopecia X. Em sequenciamento genético realizado em amostras de pele de cães dessa raça, Brunner et.al. (2017) identificaram alterações em dez genes envolvidos na síntese de hormônios sexuais, vitamina D e metabolismo da melatonina, evidenciando a hipótese de que o metabolismo desses hormônios esteja alterado localmente na pele de indivíduos portadores da doença.
Além disso, neste mesmo trabalho foi constatada uma hiper-regulação de enzimas envolvidas na degradação plasmática e dérmica da melatonina, o que explicaria a provável resposta terapêutica do paciente à administração de melatonina, compensando parcialmente esse aumento da degradação local.
Outra possível explicação para a alopecia X em Spitz Alemão é a imunoexpressão significativamente diminuída do gene p63, um importante fator de transcrição correlacionado com os genes moduladores do ciclo capilar em folículos capilares telógenos e quenógenos em cães dessa raça (SALDA et.al., 2023).
Inclusive, Deleporte et.al. (2024) relataram um caso de alopecia x em um cão clonado da raça Pomerânia, de 2 anos de idade, que desenvolveu as mesmas lesões da alopecia x na mesma idade de seu antecessor, sugerindo que a doença se deve à interrupção do ciclo capilar geneticamente programada, sem fortes influências ambientais.
Acesse o Guia de Raças da Royal Canin e saiba mais sobre o Spitz Alemão!
Outras raças também podem ser acometidas
A alopecia X pode acometer qualquer raça canina, porém, é mais comumente diagnosticada em algumas raças nórdicas, cuja pelagem se caracteriza por ser dupla e densa, assim como:
- Malamute do Alasca;
- Chow Chow;
- Husky Siberiano;
- Samoieda.
Diagnóstico de alopecia X em cães
Após uma anamnese completa, ao se deparar com um possível portador de alopecia x, o médico-veterinário deve realizar exame clínico completo, incluindo a verificação da região afetada com o intuito de constatar uma perda de pelo real ou se o sinal clínico não está associado a autolesões que possam levar à quebra do pelame.
Afinal, pelos quebrados podem estar relacionados a condições que ocasionam prurido, como reações de hipersensibilidade, infestação por ectoparasitas ou infecções por bactérias/fungos.
Posteriormente, deve-se iniciar o processo de exclusão de outras dermatopatias, através de um perfil dermatológico, no qual se analisará a presença de ectoparasitas (sarnas), pesquisa de Malassezia, cultura bacteriana e micocultura.
Além disso, é importante excluir se o paciente possui alguma endocrinopatia que possa levar ao desenvolvimento de alopecia, como veremos mais detalhadamente a seguir.
A biopsia de pele pode fornecer informações adicionais sobre a causa da alopecia. Afinal, a análise histopatológica pode ser capaz de identificar possíveis alterações no ciclo de crescimento do pelo, inflamação ou outras anormalidades. Mas nem sempre este resultado fechará o diagnóstico para alopecia x.
Portanto, o diagnóstico definitivo para alopecia x é baseado na clínica do cão, mas as etapas descritas anteriormente não devem ser ignoradas, com o intuito de promover o tratamento realmente necessário para o paciente.
A importância do diagnóstico diferencial
Conforme dito anteriormente, o diagnóstico de alopecia x exige uma investigação detalhada, descartando as outras possíveis causas de alopecia não inflamatória e promovendo um diagnóstico correto para que possa ser adotada a terapêutica mais adequada.
Assim, além de descartar causas de dermatopatias superficiais e profundas, o diagnóstico diferencial inclui endocrinopatias como:
- hiperadrecorticismo;
- hipotireoidismo.
Essas síndromes hormonais também podem afetar o folículo piloso dos cães. O hiperadrenocorticismo frequentemente causa atrofia cutânea, calcinose cutânea e comedões. Já o hipotireoidismo pode levar ao aparecimento de pelagem de filhote, piodermites recorrentes e seborreia (FAVROT, 2011).
É importante ressaltar que os cães acometidos por esses distúrbios endócrinos geralmente apresentam outros sinais clínicos, como os descritos na tabela a seguir:
| HIPERADRENOCORTICISMO | HIPOTIREOIDISMO |
| Poliúria | Letargia |
| Polidpsia | Problemas reprodutivos |
| Atrofia muscular | Ganho de peso |
| Hipertrofia hepática | Neuropatia |
Tabela 1: Exemplos de sinais clínicos adicionais de hiperadrenocorticismo e hipotireoidismo.
É possível tratar a alopecia X?
Existem alguns tratamentos para a alopecia x em cães, porém, nenhum deles tem completa eficácia comprovada. Cada paciente reage de uma forma, podendo apresentar crescimento parcial ou total dos pelos nas áreas afetadas. Sendo assim, os métodos mais utilizados atualmente são:
- castração;
- melatonina;
- trilostano;
- microagulhamento.
Devido à possível influência dos hormônios sexuais sobre os folículos pilosos resultado em quadros de perda anormal de pelos, a castração deve ser recomendada como primeira escolha, uma vez que pode resultar no crescimento de novos pelos, melhorando a alopecia parcialmente ou totalmente (VENÂNCIO et.al., 2016).
A administração de melatonina apresenta uma taxa de sucesso moderado, é segura e apresenta baixo custo. Frank et.al. (2004) relataram o recrescimento parcial a completo de pelos em aproximadamente 60% dos cães Spitz Alemão Anão (Pomerânia). Já em outro estudo, o uso de trilostano levou ao crescimento completo de pelos em 85% dos Lulu da Pomerânia dentro de 4 a 8 semanas (CERUNDOLO et.al., 2004).
Por sua vez, o microagulhamento também tem sido uma terapia que desenvolve um resultado satisfatório em pacientes com alopecia x, sendo constatado recrescimento dos pelos em nível excelente e bom em, respectivamente, 61% e 13% dos animais submetidos ao procedimento (BAPTISTA, 2018).
O paciente com alopecia x deve ser sempre monitorado pelo médico-veterinário, com o intuito de adequar ou mudar o tratamento que esteja sendo utilizado.
A importância do manejo nutricional para a saúde da pele
O manejo nutricional é um importante aliado para ajudar na saúde geral da pele e dos pelos dos animais de companhia. Uma dieta equilibrada, composta por ingredientes especialmente selecionados e de alta qualidade fornece os nutrientes essenciais necessários para manter a integridade da pele, promover o crescimento saudável do pelo e fortalecer o sistema imunológico; que desempenha um papel importante na defesa contra infecções cutâneas.
As proteínas são essenciais para a síntese de queratina, o principal componente estrutural do pelo e da pele. Os ácidos graxos essenciais, como ômega-3 e ômega-6, desempenham um papel importante na manutenção da integridade da barreira cutânea e na redução da inflamação. As vitaminas e minerais são necessários para uma variedade de processos metabólicos envolvidos na regeneração celular, cicatrização de feridas e função imunológica.
Em casos de alopecia X em cães, a alimentação adequada pode ajudar na modulação do ciclo de crescimento do pelo e na manutenção de uma pele saudável, evitando problemas secundários.
Por isso, a Royal Canin® destaca o produto Skin Care como coadjuvante que contribui para a recuperação da pele dos animais com esse tipo de complicação. Formulado com um complexo de antioxidantes que auxilia na neutralização de radicais livres, o alimento é nutritivo e serve como base para uma vida longa e com qualidade.

A Royal Canin® faz questão de oferecer o que há de melhor em nutrição animal, tendo um portifólio repleto de produtos focados em cada etapa e exigência individual – no entanto, vale lembrar que os alimentos coadjuvantes não substituem os tratamentos convencionais, que devem ser indicados por médicos-veterinários.
E para garantir a melhor alimentação aos seus pacientes, não deixe de utilizar a nossa Calculadora para Recomendações.
Referências bibliográficas
BAPTISTA, A.B. Avaliação do microagulhamento na terapêutica da alopecia x em cães da raça spitz alemão. Portal Regional da BVS, 2018. Acesso em: 13 março 2024.
BRUNNER, M.A.T. et.al. Novel insights into the pathways regulating the canine hair cycle and their deregulation in alopecia X. Plos One, 2017. Acesso em: 13 março 2024.
CARVALHO, J.C., et.al. Técnica de microagulhamento para tratamento de alopecia x em cães, Revista Ciência Animal, v.30, n.2, 2020. Acesso em: 13 março 2024.
CERUNDOLO, R. et.al. Treatment of canine Alopecia X with trilostane. Vet. Dermatology, v.15, i.5, 2004. Acesso em: 15 março 2024.
DELEPORTE, S.; PRELAUD, P.; LAFFORT, C. Alopecia X in a cloned Pomeranian dog. Veterinary Dermatology, v.35, i.2, 2024. Acesso em: 15 março 2024.
FAVROT, C. Alopecia in dogs. University of Zurich, 2011. Acesso em: 13 março 2024.
FRANK, L..; HNILICA, K.A.; OLIVER, J.W. Adrenal steroid hormone concentrations in dogs with hair cycle arrest (Alopecia X) before and during treatment with melatonin and mitotane. Veterinary Dermatology, v.15, i.5, 2004). Acesso em: 13 março 2024.
GONDIM, A.L.C.; ARAUJO, A.K.L. Alopecia X em cães: revisão. PUBVET, v.14, n.5, 2020. Acesso em: 15 março 2024.
SALDA, L.D. et al. p63 immunoexpression in hair follicles of normal and alopecia X-affected skin of Pomeranian dogs. Veterinary Dermatology, v.34, i.6, 2023. Acesso em: 13 março 2024.
VENÂNCIO, J.; LIMA, R.K.R; SILVA, R.R.F.; HOLANDA, R. Alopecia X: a evolução da etiopatogenia. MedVep Dermato, v.4, n.12, 2016. Acesso em: 15 março 2024.
