Taurina na dieta dos felinos: sua importância e como incluir o nutriente na alimentação dos gatos

Taurina na dieta dos felinos: sua importância e como incluir o nutriente na alimentação dos gatos
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A taurina é um aminoácido essencial para os felinos e deve sempre estar presente em sua dieta. Saiba mais sobre a importância desse nutriente para a saúde dos gatos!

Os nutrientes como proteínas, vitaminas, gorduras, carboidratos e aminoácidos são indispensáveis para que o organismo funcione adequadamente.

A taurina, aminoácido encontrado em todos os tecidos do corpo, possui considerável papel em algumas funções do organismo. Os gatos apresentam um requerimento muito maior desse nutriente, já que não o produz em alta escala e o utiliza em grandes quantidades.

Dessa forma, todas as dietas fornecidas a animais dessa espécie devem conter uma quantidade mínima de taurina, com a finalidade de prevenir o desenvolvimento de problemas de saúde relacionados a sua deficiência.

Conheça mais sobre esse aminoácido e saiba como e por que o manejo nutricional deve ser especificamente adequado para os felinos.

O que é a taurina?

Taurina ou ácido 2-aminoetanossulfônico é um dos aminoácidos mais abundantes nos tecidos e fluidos biológicos, sendo encontrado por todo organismo, mas em maior concentração na musculatura cardíaca, na musculatura esquelética, no sistema nervoso central e na retina.

Entendendo a função da taurina no organismo

Apesar da função desse aminoácido ainda não ser totalmente elucidada, acredita-se que a taurina auxilia na manutenção das reações osmóticas celulares, na integridade da membrana celular e na regulação da concentração iônica de cálcio, sódio e potássio. Também possui um efeito antioxidante que age contra o envelhecimento.

Dessa forma, a deficiência dessa substância pode ter inúmeras consequências em diferentes órgãos e sistemas, ocasionando problemas de saúde graves.

No músculo cardíaco, por exemplo, uma severa redução na concentração de taurina pode levar a um desbalanceamento celular de cálcio, reduzindo a força de sístole (contração) e diástase (relaxamento) do coração, levando ao aparecimento de uma cardiomiopatia dilatada.

Efeito da falta de taurina no coração
Ecocardiograma, demonstrando dilatação das quatro câmaras cardíacas. Fonte: ASSUMPÇÃO et al., 2014.

Por sua vez, a diminuição desse aminoácido na retina ocasiona uma degeneração progressiva de estrutura e função, que, se não detectada e corrigida precocemente, leva a perda irreversível da visão.

Efeito da falta de taurina na retina do animal.
Fotografia de retina mostrando típica lesão por deficiência de taurina em um gato. Fonte: BURGER e BARNETT, 1982.

Já na corrente sanguínea, constatou-se que a escassez de taurina pode gerar a formação de agregados plaquetários, aumentando o risco de ocorrência de tromboembolismo.

Malformações congênitas e até mesmo morte fetal são relatadas quando a mãe é submetida à privação de taurina. Quando o filhote sobrevive, geralmente desenvolve cifose torácica e espasticidade de membros posteriores, que apresentam a característica de estarem em excessiva abdução (bem abertos).

Também podemos observar anormalidades no desenvolvimento de indivíduos jovens, pois a falta desse aminoácido leva a uma diminuição na taxa de crescimento.

Principais fontes de taurina

A alimentação a base de produtos de origem animal é a principal fonte de taurina, especialmente vísceras e músculos. Assim, podemos citar alguns exemplos como:

  • ovos;
  • aves (músculos e vísceras);
  • bovinos (músculos, vísceras e coração);
  • frutos do mar (camarões, mexilhões).

Taurina: Por que é tão importante incluir o ingrediente na dieta dos felinos?

A taurina é um nutriente essencial na dieta dos felinos, pois esses animais não são capazes de sintetizar esse aminoácido em quantidade suficiente para suprir todas as demandas metabólicas de seu organismo.

Isso acontece devido ao fato de os gatos apresentarem ação reduzida da enzima cisteína descarboxilase e da enzima cisteína dioxigenase, que são responsáveis pela transformação (biossíntese) de metionina e cisteína em taurina.

Além disso, essa espécie só consegue conjugar os ácidos biliares em sais biliares para serem excretados pela bile por meio da taurina. Em contrapartida, o organismo de outras espécies animais também consegue realizar essa conversão através da glicina, o que faz com que a exigência pela taurina não seja tão alta.

O produto desse processo de conjugação é, então, lançado no intestino, onde a taurina poderá seguir três caminhos: ser degradada pela microbiota intestinal, ser excretada pelas fezes ou ainda ser reabsorvida.

Portanto, devido ao seu alto consumo, toda a quantidade de taurina que os gatos necessitam além da sua pequena produção deve ser fornecida pela dieta, fazendo, assim, com que seja um ingrediente obrigatório e esteja sempre presente na formulação de alimentos específicos para esses pacientes.

Por isso, devemos ter cautela no fornecimento de comidas caseiras para os felinos, assim como pesquisar se não há hábito de comer alimentos de outras espécies que dividem o mesmo ambiente. Tais cuidados irão prevenir o aparecimento das afecções desenvolvidas pela deficiência desse aminoácido.

Quando é necessário suplementar taurina em pacientes felinos?

O Médico-Veterinário deve suspeitar de deficiência de taurina em gatos quando se deparar com algum sinal clínico ou afecção como:

  • filhote que apresenta paresia espástica com abdução de membros posteriores;
  • cardiomiopatia dilatada;
  • degeneração de retina.

Dando sequência na investigação, exames hematológicos, bioquímicos e urinálise provavelmente não apresentarão informações dignas de nota e, então, pode-se solicitar a dosagem de taurina plasmática ou no sangue total.

Vale ressaltar que a preparação do paciente para coleta do exame deve ser adequada, pois o jejum prolongado pode diminuir a dosagem plasmática.

O nível normal de taurina no sangue total é acima de 200 μmol/L e no plasma acima de 60μmol/L. Sendo assim, há recomendação de suplementação quando a dosagem apresentar resultado abaixo desses valores. O nível plasmático abaixo de 20μmol/L é considerado crítico, com risco de desenvolvimento de retinopatia e/ou cardiomiopatia.

Em pacientes com cardiomiopatia dilatada, a suplementação de taurina deve seguir a recomendação de 250 a 500 mg/gato, via oral a cada 12h, e ser iniciada em conjunto com a terapia convencional para a insuficiência cardíaca. Quando há resposta positiva à suplementação, a fisiologia padrão de contração do coração começa a se restabelecer após algumas semanas. Ao constatar a melhora clínica através do acompanhamento com ecocardiograma e a ausência de sinais clínicos relacionados à cardiopatia (edema pulmonar, efusão pleural), a terapia medicamentosa pode ser gradativamente reduzida.

Recomendações de manejo nutricional

O manejo nutricional dos felinos deve ser baseado em uma dieta que contém taurina. Comercialmente, os fabricantes já seguem a recomendação de adicioná-la às formulações, levando em conta que, segundo publicação da Associação Americana Oficial de Controle de Alimentos (AAFCO), as fórmulas comerciais devem apresentar o requisito mínimo de taurina para gatos adultos de 25mg/100kcal para alimentos secos e de 50mg/kcal para alimentos úmidos.

No entanto, as dietas caseiras estão mais sujeitas a desequilíbrios nutricionais, por isso, devem sempre ser formuladas por Médicos-Veterinários especializados em nutrição.

A ROYAL CANIN® preza pelo desenvolvimento de alimentos com nutrientes de alta qualidade, cuidadosamente balanceados para cada exigência específica, seja ela relacionada à faixa etária, à raça, à saúde ou ao estilo de vida. Além disso, todas as nossas dietas para gatos incluem taurina em sua formulação.

Rações Royal Canin indicadas para suplementação de taurina em gatos

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Produtos Royal Canin

Rações Royal Canin indicadas para suplementação de taurina em gatos

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Referência Bibliográficas:

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