Ômega 3: o que é e qual a sua importância para gatos e cães
Links rápidos:
- O que é o ômega 3?
- Entendendo o que são ácidos graxos
- A importância do ômega 3 na dieta dos pets
- Quais são as fontes de ômega 3 na dieta de gatos e cães?
- Particularidades entre espécies: existe diferença no uso do ômega 3 para gatos e cães?
- Cuidados e contraindicações no uso do ômega 3 para cães e gatos
O ômega 3, um ácido graxo poli-insaturado, é capaz de promover inúmeros benefícios para a saúde dos cães e gatos. Entenda os principais detalhes e saiba como incluí-lo na alimentação do pet.
Os ácidos graxos são os principais constituintes dos lipídeos e se caracterizam pelo número de átomos de carbono que os compõem. Dentre eles, o ômega 3, componente essencial na dieta de gatos e cães, é reconhecido por sua capacidade de regular respostas inflamatórias e imunológicas, desempenhando importantes funções para promover saúde e bem-estar desses animais.
Por isso, vamos compreender melhor esse nutriente, explorando todas as informações sobre esse composto e sabendo como utilizar o ômega 3 para gatos e cães, tanto no tratamento quanto na prevenção de diversas condições observadas na clínica veterinária.
O que é o ômega 3?
O ômega 3 é um tipo de ácido graxo poli-insaturado essencial que compõe estruturalmente as membranas celulares, possui cadeia longa e apresenta a primeira ligação dupla entre o 3º e o 4º carbono. É responsável por contribuir na fluidez da membrana celular e atuar como mediador bioquímico de respostas inflamatórias e imunológicas.
Entendendo o que são ácidos graxos
Os ácidos graxos são substâncias orgânicas que apresentam cadeia curta, média ou longa (Figura 1) e podem ser classificados como saturados, insaturados, monoinsaturados ou poli-insaturados.

Ômega 3 x ômega 6
O ômega 3 e o ômega 6 são ácidos graxos poli-insaturados, uma vez que possuem cadeia longa e apresentam mais de uma ligação entre seus carbonos. Porém, eles não podem ser convertidos um no outro devido à especificidade enzimática envolvida nos processos de ligação que impede essa conversão entre famílias.
O ácido linoleico (ômega 6) é um macronutriente precursor do ácido araquidônico que, por sua vez, é responsável por dar início à cascata da inflamação, ou seja, é pró-inflamatório. Já o ômega 3, é responsável por competir com o ácido araquidônico na cascata da inflamação, dando origem aos eicosanoides (principalmente prostaglandinas) da série ímpar, que são considerados menos inflamatórios e de menor capacidade quimiotática que os eicosanoides gerados de ácidos graxos da família do ômega 6.
O ômega 6 e o ômega 3 para gatos e cães são considerados essenciais, devendo ser inseridos na dieta desses animais conforme a recomendação adequada para cada espécie, com a finalidade de melhor aproveitar todos os efeitos desejáveis (FREITAS, 2020).
Ômega 3 EPA e DHA
Os exemplos de ômega 3 para gatos e cães de maior importância clínica são o EPA (eicosapentaenoico) e o DHA (docosahexaenoico). O EPA possui 20 carbonos com 5 ligações duplas, enquanto o DHA apresenta 22 carbonos com 6 ligações duplas.
A característica que os classifica como ômega 3 é a primeira dupla ligação entre seus carbonos, que está localizada no 3º carbono da cadeia (assim como ilustrado na figura2). Por isso a denominação [20:5n-3] e [22:6n-3] para EPA e DHA, respectivamente.

A importância do ômega 3 na dieta dos pets
O uso terapêutico de óleo de peixe em humanos foi reportado pela primeira vez em 1783, em pacientes que apresentavam reumatismo. Porém, foi em 1991 que uma revisão extensa do uso do ômega 3 para cães e gatos foi publicada, marcando o início da investigação científica dos potenciais benefícios deste elemento na Medicina Veterinária (BAUER, 2011).
A inflamação é a base para o desenvolvimento e perpetuação de diversas afecções. Por isso, levando em consideração sua ação anti-inflamatória, o fornecimento de ômega 3 para cães e gatos, em quantidades adequadas, é essencial para a manutenção das inúmeras funções orgânicas, como a saúde da pele, dos rins, do trato gastrointestinal, dos tecidos neurais, do sistema cardiovascular e do sistema imunológico. Além disso, o seu uso também pode prevenir alterações metabólicas que possam levar ao desenvolvimento de distúrbios endócrinos e até mesmo neoplasias.
Para completar, os ômegas 3 são nutrientes que devem ser obrigatoriamente fornecidos na dieta de gatos e cães, ou suplementados, uma vez que são sintetizados endogenamente de forma muito limitada pelo organismo desses animais.
Principais benefícios do ômega 3 para gatos e cães
Segundo Freitas (2020), os principais benefícios comprovados do ômega 3 para cães e gatos são:
- promover a modulação da resposta inflamatória;
- auxiliar no desenvolvimento cerebral, agindo na maturação do sistema nervoso e na capacidade de aprendizado de animais jovens;
- aumentar a capacidade visual e a função cognitiva, uma vez que EPA e DHA estão presentes em grande quantidade na retina e no sistema nervoso central (Figura 2).

Fonte: Guia de Nutrientes. Instituto Waltham, 2006.
Em animais saudáveis ou com patologias, além dos benefícios citados acima, esses ácidos graxos possuem papel importante no controle e prevenção de doenças crônicas como cardiopatias, nefropatias, neoplasias e osteopatias. Além disso, também são precursores de ceramidas, que auxiliam na hidratação cutânea e proporcionam o brilho da pelagem. Portanto, são essenciais para o bom funcionamento do organismo do gato e do cão como um todo.
Vale ressaltar que a suplementação de ômega 3 para cães e gatos deve ser indicada pelo Médico-Veterinário, de acordo com cada caso.
Principais indicações do uso do ômega 3 em tratamentos de doenças
O ômega 3 para cães e gatos pode ser indicado no tratamento de diversas doenças e condições, como (BARROS, 2018):
- doenças inflamatórias da pele ou lesões cutâneas;
- dificuldade na cicatrização de feridas;
- pelagem seca e sem brilho;
- perda de pelo (alopecia ou rarefação pilosa);
- quadros inflamatórios em geral;
- doenças osteoarticulares;
- proteção cardíaca e renal;
- neoplasias.
Quais são as fontes de ômega 3 na dieta de gatos e cães?
O ômega 3 pode ser encontrado em fontes de origem vegetal e animal, como nozes, castanhas, óleos extraídos de peixes e, também, nas algas. EPA e DHA também estão presentes nos fitoplânctons e nas algas unicelulares.
É importante ressaltar que não é qualquer peixe que possui o nutriente, mas, sim, os que vivem em regiões de águas frias e salgadas, como o salmão, cavala, solha, arenque, capelin, bacalhau e outros.
Os alimentos comerciais possuem ômega 3 na composição?
O ômega 3 para cães e gatos pode ser fornecido através de suplementos ou por meio de dietas recomendadas pelo médico-veterinário. Levando isso em consideração, esse nutriente pode ser inserido na formulação dos alimentos comerciais, na forma de aditivos, durante seu processo de fabricação, visando já fornecer o nutriente na alimentação do paciente.
A ROYAL CANIN® fornece ômega 3 em seus alimentos através da adição de ingredientes ricos neste nutriente, sendo o óleo de microalgas e óleo branqueado e desodorizado de peixe as principais fonte de ômega 3 em nossos produtos.
Particularidades entre espécies: existe diferença no uso do ômega 3 para gatos e cães?
Como vimos, o ômega 3 deve fazer parte da nutrição do pet, mas isso deve ser feito da maneira adequada.
A dose ideal de ômega 3 para cães e gatos pode variar para cada animal conforme peso, comorbidades preexistentes ou de acordo com a afecção clínica em questão, incluindo enfermidades do sistema cardiovascular, doença renal crônica, dermatopatias, hiperlipidemia, doenças articulares e em casos de neoplasias (BRUNETTO, 2019).
Portanto, é essencial o acompanhamento do profissional para a indicação da necessidade e dosagem ideal de acordo com cada paciente.
Cuidados e contraindicações no uso do ômega 3 para cães e gatos
Existem poucas evidências de efeitos colaterais no uso de ômega 3 para cães e gatos. Todavia, é necessário que haja um equilíbrio na relação entre ômega 3 e ômega 6, caso contrário, podem ocorrer efeitos indesejáveis como a oxidação desses compostos no organismo, além de efeitos pró-inflamatórios e pró-trombóticos ocasionados pelo excesso de ômega 6.
Ao consumir ômega 3 em altas dosagens e por período prolongado, o indivíduo também poderá ter vômito, diarreia, diminuição da agregação plaquetária, aumento da peroxidação lipídica e da formação de radicais livres e, intoxicação por metais pesados como o mercúrio encontrado em óleos de peixe.
Como referência em nutrição animal, a ROYAL CANIN® busca estudar e entender a importância de todos os nutrientes, inclusive do ômega 3 para cães e gatos, desenvolvendo fórmulas exclusivas há mais de 50 anos. Consulte a linha completa de produtos da ROYAL CANIN® e utilize a ferramenta gratuita Calculadora de Prescrições para auxiliar nas recomendações de manejo alimentar de seu paciente.
Referências bibliográficas
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