Controle de qualidade dos alimentos para os pets: da produção ao armazenamento
Links rápidos:
- O que é o controle de qualidade dos alimentos?
- Principais etapas e pontos que favorecem a qualidade e segurança dos alimentos para os pets
- Iniciativas do setor pet para manter a qualidade do produto
- Orientações dadas aos tutores para ajudar no controle de qualidade dos alimentos
- Com mais de 50 anos de tradição, a Royal Canin é referência em nutrição animal
Entenda todos os fatores cruciais para o controle de qualidade dos alimentos e como o transporte e o armazenamento influenciam na qualidade alimentar do seu paciente.
Um alimento de qualidade é produzido com excelentes nutrientes e pensado para atender as necessidades dos pets, de acordo com espécie, porte e condições específicas. Mas quando falamos de controle de qualidade dos alimentos, vamos além. Toda a cadeia de produção deve ser levada em conta.
Conheça os principais aspectos envolvidos no controle de qualidade dos alimentos e colabore com o bem-estar dos pets garantindo que os locais de armazenamento — tanto na sua clínica quanto na casa dos tutores — estejam sempre apropriados e seguros.
O que é o controle de qualidade dos alimentos?
O controle de qualidade dos alimentos engloba uma série de etapas que garantem a segurança e a adequação nutricional dos alimentos destinados aos pets.
Além de prezar pelas características nutricionais das matérias-primas utilizadas em sua composição, o processo ainda envolve analisar a origem destes ingredientes, a qualidade dos fornecedores, a composição e o balanceamento da fórmula, os métodos e tipos de embalagens utilizados, as condições sanitárias e as diversas etapas dos processos de fabricação e armazenamento.
A importância do controle de qualidade dos alimentos para a saúde animal
A ausência ou as falhas no controle de qualidade dos alimentos podem acarretar sérias consequências para a saúde dos pets.
O armazenamento inadequado, por exemplo, pode favorecer o crescimento de fungos e a produção de micotoxinas, como as aflatoxinas, que possuem potencial hepatotóxico (SILVA et al., 2024).
Além disso, uma infestação de insetos na ração dos animais pode trazer outros riscos, como:
- Ingestão de inseto: dependendo da quantidade de insetos ou larvas no alimento, a ingestão pode gerar reações adversas no trato digestivo do animal.
- Transmissão de microrganismos: insetos-praga atuam como vetores mecânicos, podendo transportar microrganismos patogênicos de locais contaminados para os alimentos.
Para completar, alimentos expostos a altas temperaturas também podem sofrer oxidação lipídica, reduzindo a palatabilidade e levando à formação de compostos tóxicos.
Em suma, é essencial adotar medidas preventivas e de controle de qualidade em toda a cadeia de produção para contribuir para a saúde e bem-estar de todos.
Principais etapas e pontos que favorecem a qualidade e segurança dos alimentos para os pets
A seguir, entenda, em detalhes, as etapas que fazem parte do controle de qualidade dos alimentos.
1. Seleção de ingredientes de alta qualidade
A escolha de ingredientes de fontes confiáveis e de alta qualidade é essencial. Ingredientes frescos e nutritivos contribuem para a saúde dos pets.
E para garantir a qualidade desses ingredientes, é importante realizar testes para verificar a presença de contaminantes físicos, químicos e/ou biológicos.
2. Uso de Boas Práticas de Fabricação (BPF)
A aplicação de Boas Práticas de Fabricação (BPF) e do controle microbiológico dos ingredientes são essenciais para garantir a segurança alimentar (MARCONI; GASPAROTTO, 2018).
Isso ainda quer dizer que, no processo de fabricação, é necessária a implementação de rigorosas práticas de higiene nas instalações de produção visando prevenir contaminações.
Para completar, a formação contínua dos colaboradores sobre segurança alimentar e boas práticas de fabricação é fundamental para manter padrões elevados.
3. Controle ambiental e de processos
Desde a produção, para se ter o controle de qualidade dos alimentos, é preciso seguir com o monitoramento rigoroso da temperatura e da umidade. Além disso, a adoção de processos padronizados garante que cada lote de produção mantenha a qualidade e segurança.
4. Embalagem Adequada
A embalagem deve ser projetada para proteger os alimentos de contaminantes externos, como poeira, insetos e umidade. Um bom exemplo são as embalagens trilaminadas, que contribuem para essa proteção adequada.
5. Transporte Seguro
O alimento está pronto, mas o processo do controle de qualidade continua. Durante o transporte, também é fundamental manter as condições ideais de temperatura e umidade, evitando a proliferação de microrganismos e a degradação de nutrientes (ALMEIDA JR et al., 2021).
Os transportadores devem ser selecionados com base em um programa de qualidade de fornecedor. Já o uso de tecnologia para monitorar o transporte garante que os alimentos cheguem ao destino em boas condições.
6. Armazenamento adequado
Para completar o ciclo do controle de qualidade de alimentos para pets, os estabelecimentos comerciais devem garantir que os produtos sejam armazenados em locais apropriados, protegidos da umidade e da incidência direta de luz solar (SILVA et al., 2024).
Iniciativas do setor pet para manter a qualidade do produto
A Royal Canin® emprega recursos avançados e exclusivos para garantir o controle de qualidade dos alimentos. Dentre eles podemos citar a tecnologia Atmosfera Controlada e o Programa Infestation, criado pela própria empresa.
Veja os detalhes a seguir:
Atmosfera Controlada
A Atmosfera Controlada, também conhecida como MAP (modified atmosphere packaging) é uma tecnologia empregada na etapa final da fabricação, durante o processo de ensaque ou envase do alimento. A técnica consiste em retirar todo (ou quase todo) o oxigênio residual presente no interior na embalagem e substituir por gases ou mistura de gases que, geralmente, são compostos de nitrogênio e/ou dióxido de carbono.
O uso dessa tecnologia é positivo porque o oxigênio é o principal precursor de reações oxidativas. Com a retirada do oxigênio residual, ou boa parte dele, há uma diminuição no potencial oxidativo e ainda se contribui para aumentar a vida útil do produto na prateleira.
Outras causas de deterioração estão ligadas ao crescimento microbiano e de bolores e leveduras que estão presentes naturalmente no ar e no ambiente. A substituição do oxigênio por misturas diferentes de gases como nitrogênio e dióxido de carbono constrói um ambiente desfavorável para o crescimento desses microrganismos.
A Atmosfera Controlada é eficaz quando aplicada em processos fabris que mantenham altos padrões de qualidade em higiene e instalações, seleção de fornecedores e matérias-primas, análise de perigos e pontos críticos de controle (APPCC).
Caso contrário, se essa tecnologia for aplicada em ambientes de baixos padrões de controle de qualidade dos alimentos, a eficácia do método não é comprovada e a qualidade final do produto poderá estar comprometida.
A Royal Canin® emprega a tecnologia MAP no processo final de produção de todos os alimentos que possuem embalagens de até 4 kg.
Vantagens e diferenciais da Atmosfera Controlada
Como vantagens e diferenciais dessa tecnologia, podemos destacar:
- frescor do alimento por maior tempo, devido à diminuição da rancidez oxidativa;
- aumento da validade do alimento;
- eliminação do acesso de possíveis pragas, uma vez que a embalagem é hermeticamente fechada;
- diminuição de reações enzimáticas de decomposição;
- redução e até eliminação de conservantes (em alguns casos);
- palatabilidade e aceitação do alimento por um tempo prolongado.
Programa Infestation
Já o Programa Infestation é uma iniciativa da MARS Petcare que compreende uma série de estratégias e diretrizes que têm como objetivo trazer novas soluções para a prevenção e o controle de insetos e pragas em toda a cadeia de distribuição – da fábrica até o cliente final.
Com base em um amplo estudo realizado em parceria com uma consultoria internacional e conduzido no mercado brasileiro, constatou-se que as reclamações dos consumidores em relação à presença de insetos no interior das embalagens dos alimentos vêm aumentando consideravelmente a cada ano. Esses seres indesejados são comuns no Brasil por conta da temperatura e umidade relativa do ar, que apresentam condições ideais para seu desenvolvimento.
As reclamações recebidas nos canais de comunicação, em sua maioria, referem-se ao besouro chamado Necrobia rufipes, uma das principais pragas que pode estar presente nos alimentos.
Em sua vida, um casal de N. rufipes pode gerar até 2 mil novos indivíduos, o que o classifica como um inseto de alto poder de infestação. Embora a infestação de pragas possa acontecer em qualquer momento, o mapa de risco da cadeia de distribuição do Brasil mostra que o maior potencial de infestação está nos pontos de venda.
Os fatores que favorecem a infestação por insetos são:
- ausência de boas práticas e gestão de limpeza;
- falhas no manuseio e movimentação do estoque;
- produtos expostos que sirvam como fonte de alimento para os insetos (sacos avariados, ossos defumados);
- ausência de gestão de resíduos e seu acúmulo;
- áreas de armazenagem de difícil acesso, dificultando a limpeza e o controle de pragas periódicos;
- ausência de controle de pragas realizado por uma empresa especializada no assunto.
Pensando neste problema e em todas as etapas da cadeia de distribuição que podem estar envolvidas, a MARS Petcare desenvolveu o Infestation, com o objetivo de suportar distribuidores e pontos de vendas no entendimento e prevenção de infestações. O programa nasceu no mercado brasileiro em 2019 e hoje já se expandiu para países como Argentina, África do Sul, México, Itália e Índia.
Sabemos que a prevenção é o melhor caminho e o que gera menos custo. Prover um ambiente inadequado às pragas contribuirá para que as condições ambientais sejam desfavoráveis para sua proliferação.
A Royal Canin® possui um controle de qualidade interno rigoroso e, por meio desta iniciativa, compartilha as boas práticas adotadas em nossa fábrica com nossos parceiros de distribuição. Com a aplicação das técnicas do programa, foi possível observar redução de 40% no número de reclamações por pragas, o que representa importante forma de prevenção de um dos principais problemas mercadológicos enfrentados por lojistas.
Para mais informações, acesse Programa Infestation | Mars Brasil
Outras iniciativas
Visando o controle de qualidade de alimentos, ainda é importante que o setor pet faça a coleta feedback dos consumidores sobre os produtos, com o objetivo de identificar áreas de melhoria, e ainda a análise dados de vendas e reclamações, para rever processos e controles.
Orientações dadas aos tutores para ajudar no controle de qualidade dos alimentos
Para concluir todo o processo de controle de qualidade de alimentos dos pets, é essencial levar em conta os cuidados que devem ser tomados na hora da compra do alimento e, também, no armazenamento em casa. É papel do médico-veterinário orientar tutores nesses momentos.
Confira algumas dicas que devem ser dadas aos tutores:
- ao adquirir o produto na loja, observar se a embalagem está íntegra, sem furos ou qualquer avaria, e se há algum tipo de inseto no local onde esses alimentos são armazenados para venda;
- armazenar o alimento em casa em local seco, arejado e dentro de recipientes próprios. Evitar que a embalagem seja mantida no chão e próximas às paredes;
- na hora de oferecer o alimento ao animal, colocar a quantidade calculada no comedouro e evitar que grãos se espalhem pelo chão;
- remover os resíduos caso o animal não consuma toda a quantidade oferecida;
- higienizar regularmente o comedouro e bebedouro do animal.
Ao encontrar pragas no interior das embalagens dos alimentos, é recomendado orientar o tutor que entre em contato com o serviço de atendimento ao consumidor (SAC) da empresa fabricante, para que as devidas instruções de descarte e possível troca possam ser passadas. Isso ainda ajuda a identificar em qual ponto da cadeia houve a provável contaminação, contribuindo, assim, para identificar pontos de melhoria.
Vale lembrar que os problemas com infestações podem ocorrer em qualquer ponto da cadeia produtiva e de distribuição, e os cuidados com armazenamento de alimentos comerciais extrusados são responsabilidade de todos.
Com mais de 50 anos de tradição, a Royal Canin é referência em nutrição animal
Como vimos, o controle de qualidade dos alimentos para pets é um aspecto essencial para garantir a segurança e a saúde dos animais. A Royal Canin® investe continuamente em pesquisas e tecnologias para garantir a segurança alimentar e promover a nutrição de alta qualidade, sendo uma referência na área há mais de 50 anos.
A Royal Canin ® possui uma planta fabril de excelência na indústria pet food no Brasil e no mundo, que apresenta um controle de qualidade interno rigoroso. Além disso, a empresa compartilha as boas práticas adotadas em nossa fábrica com todos os parceiros de distribuição e conta com programas como o Infestation com o objetivo de colaborar com o controle de qualidade dos alimentos que chegam aos nossos pacientes. Como resultado, oferecemos suporte a distribuidores, lojistas e ao médico-veterinário. Conte com o apoio da Royal Canin®!
E na rotina clínica, explore nosso portfólio de produtos e conheça as nossas linhas de alimentos coadjuvantes e para animais saudáveis. Também utilize a nossa ferramenta de Recomendação Nutricional exclusiva e gratuita para facilitar a escolha do melhor produto e da quantidade ideal para cada paciente. *
* A escolha do alimento ideal para o paciente deve ser sempre feita pelo médico-veterinário responsável, considerando suas particularidades, condição de saúde e necessidades específicas, promovendo uma nutrição adequada, bem-estar e longevidade.
Referências:
ALMEIDA JR, S.T. et al. Controle de qualidade e parâmetros microbiológicos em rações comerciais para cães e gatos. Brazilian Journal of Development, v.7, n.11, 2021. Acesso em: 12 mar. 2025.
Estudo CVA Vets 2021. (Dados internos)
MANTILLA, S.P.S. et a. Atmosfera Modificada. Rev. Acad. Ciênc. Anim., v.8, n.4, 2010. Acesso em: 12 mar. 2025.
MARCONI, M.H.; GASPAROTTO, A.M.S. O impacto positivo no uso das boas práticas de fabricação em uma indústria de alimentos pet. Revista Interface Tecnológica, v.15, n.1, 2018. Acesso em: 12 mar. 2025.
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SILVA, I.C. et al. Pet food: aspectos de segurança relacionados à oxidação lipídica e palatabilidade de alimentos extrusados. Zootecnia: tópicos atuais em pesquisa, v.6, 2024. Acesso em: 12 mar. 2025.
SIVERTSVIK, M.; ROSNES, J.T.; BERGSLIEN, H. Modified atmosphere packaging. In: OHLSSON, T.; BENGTSSON, N. Minimal Processing Technologies in the Food Industry. Cambridge: Woodhead publishing, 2002a. cap. 4, p 61- 87.
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