Pontos-chaves do alimento coadjuvante para o sucesso do emagrecimento

Pontos-chaves do alimento coadjuvante para o sucesso do emagrecimento

A obesidade em pets é uma doença global de alta prevalência. Entenda os fatores cruciais do tratamento e as características desejadas na dieta para o programa de perda de peso

A obesidade é definida como o acúmulo excessivo de gordura no corpo e que acontece quando o paciente apresenta balanço energético positivo, ou seja, quando a ingestão de calorias é superior ao gasto energético. O animal é considerado obeso quando seu peso excede 30% do peso ideal.

É a doença nutricional mais comum em gatos e cães de países industrializados e leva a sérias alterações em diversas funções orgânicas, acarretando na redução da qualidade e da expectativa de vida dos animais. Uma pesquisa realizada pela Pet Obesity Prevention nos Estados Unidos revelou que 60% dos gatos e 56% dos cães estavam em sobrepeso ou obesidade.

Uma parcela considerável de tutores e médicos-veterinários não considera “grave” que o pet esteja acima do peso. Porém, 1 kg a mais para um gato que deveria pesar 4 kgs, por exemplo, significa, proporcionalmente, 16 kg a mais para um ser humano de 65 kg, conforme mostra a imagem abaixo:

relação de ganho de peso humano animal
Imagem 1: Proporção de ganho de peso em pets quando comparado ao ganho de peso em seres humanos. Fonte: ROYAL CANIN®, 2016

As consequências da obesidade são diversas e compreendem maior risco dos animais apresentarem:

  • Doenças ósseas e articulares;
  • Diabetes mellitus e doenças do trato urinário inferior em gatos;
  • Problemas cardiorrespiratórios;
  • Problemas dermatológicos;
  • Hiperlipidemia e dislipidemia;
  • Redução da imunidade;
  • Problemas reprodutivos e parto distócico;
  • Aumento do risco anestésico e da dificuldade cirúrgica;
  • Redução da expectativa de vida;
  • Câncer.

A World Small Animal Veterinary Association (WSAVA) determinou a avaliação nutricional como o quinto parâmetro vital a ser verificado no exame clínico, além de temperatura, pulso, respiração e verificação da dor.

A consulta clínica nutricional para pacientes obesos tem como objetivo estabelecer um programa de perda de peso monitorado. O Escore de Condição Corporal (ECC) deve ser determinado durante a consulta, e reavaliado a cada retorno do paciente ao consultório.

Plano de perda de peso e a escolha correta de alimentos

Após a constatação de que o animal está acima do peso desejado e de que não há outra causa de base para tal, um plano de emagrecimento deve ser traçado.

Para um resultado eficaz, é indispensável o uso de alimentos coadjuvantes que auxiliem a perda de peso saudável e ainda promovam a saciedade do animal. Ao contrário do que muitos acreditam, alimentos considerados “light” não são destinados para esta finalidade, pois eles apenas evitam o ganho de peso, não controlam com eficiência a saciedade e não resultam em um emagrecimento saudável.

O controle da saciedade é muito importante para que o tratamento e a adesão ao programa de perda de peso ocorram. Caso o animal esteja sentindo fome durante o tratamento, muito provavelmente irá se comportar de forma “pedinte”, o que aumentará as chances de desistência do tratamento por parte do tutor.

É imprescindível que sejam feitos retornos periódicos para o acompanhamento da perda de peso. Uma taxa de emagrecimento adequada varia entre 0,5% e 2% do peso corporal por semana para gatos, e entre 1% e 3% por semana para cães.

Alimentos formulados para animais obesos favorecem uma perda de peso saudável, pois possuem características específicas como:

  • Baixa densidade energética: menor quantidade de calorias e gordura que os alimentos de manutenção, contribuindo para redução da ingestão calórica pelo animal;
  • Alto teor de proteínas: ajuda a reduzir a quantidade de energia do alimento, além de favorecer a manutenção da massa magra do animal e promover saciedade;
  • Alto teor de fibras: ajuda a diluir a energia do alimento, aumenta o volume a ser oferecido sem incrementar a quantidade de calorias, promove maior preenchimento do conteúdo estomacal e retarda o esvaziamento gástrico, favorecendo a sensação de saciedade e a menor ingestão voluntária de alimento;
  • Croquete aerado: permite fornecer maior volume de alimento por refeição, sem necessariamente aumentar as calorias;
  • Nutrientes balanceados: maior quantidade de minerais, vitaminas e outros nutrientes essenciais, para que não ocorram deficiências nutricionais durante o tratamento. O intuito é apenas reduzir a ingestão de calorias, não a ingestão de outros nutrientes;
  • Inclusão de L-carnitina: mobiliza ácidos graxos para as mitocôndrias e promove queima da gordura;
  • Suporte articular: nutrientes importantes na dieta de pacientes obesos que apresentam problemas articulares e/ou de locomoção, como derivados da glicosamina e sulfato de condroitina.

Pontos-chaves de um programa de perda de peso

1. Motivação do tutor – o proprietário precisa estar ciente sobre

  • As consequências negativas que a obesidade causará ao seu animal em curto, médio e longo prazos;
  • Os benefícios que a perda de peso proporcionará ao animal;
  • A importância da cooperação de todas as pessoas que convivem com o animal;
  • A importância do acompanhamento regular do peso do animal;
  • Duração do tratamento e perda de peso esperada por semana/quinzena.

2. Utilização de um alimento específico para emagrecimento

  • Fornecimento único e exclusivo do alimento específico para o tratamento da obesidade durante todo o tratamento;
  • A quantidade de alimento a ser fornecida diariamente precisa ser pesada e ajustada conforme a porcentagem de perda de peso do animal.
  • Reajustar periodicamente a quantidade diária de alimento fornecida, para que o animal mantenha a perda de peso constante durante todo o tratamento;
  • Fracionar a quantidade de alimento diária em pelo menos 2 refeições;
  • Não oferecer petiscos ou “extras” durante o tratamento;

3. Manejo do animal durante o tratamento

  • Fazer caminhadas e dedicar alguns momentos de brincadeiras com os animais em tratamento é fundamental para favorecer a perda de peso, lembrando que a intensidade e duração da atividade física deve ser acompanhadas por um médico-veterinário;
  • Fornecer a refeição ao animal após dar atenção a ele, para minimizar o valor afetivo e social atribuído ao alimento.

4. Monitoramento do tratamento

As principais causas do insucesso do tratamento são a falta de monitoramento regular do paciente e a desistência do proprietário. Recomenda-se que este monitoramento seja feito a cada 15 dias com os seguintes objetivos:

  • Pesagem do animal para verificar a percentagem de perda de peso semanal alcançada;
  • Ajuste da quantidade de alimento recomendada caso o animal não esteja apresentando uma perda de peso satisfatória;
  • Verificação dos sucessos e dificuldades obtidos pelo proprietário;
  • Acompanhar a evolução do tratamento para manter a motivação do proprietário.

Particularidades de cães pequenos

Cães com menos de 10 kg possuem particularidades fisiológicas inerentes a seu porte. Além de apresentarem necessidades nutricionais específicas, eles têm tendência ao desenvolvimento de cálculos urinários, cálculo dental e ainda possuem características de mandíbula e maxila que demandam um croquete adaptado em termos de textura, tamanho e formato. Ademais, as fezes de cães pequenos tendem a ser mais ressecadas, o que é propício a quadros de constipação.

Por estas características, alimentos destinados à perda de peso para cães pequenos devem conter uma formulação diferente dos alimentos para emagrecimento destinados aos cães grandes, promovendo a saúde intestinal, urinária e oral.

Particularidades dos felinos

Gatos obesos apresentam risco de rápido desenvolvimento de lipidose hepática caso desenvolvam anorexia prolongada. Alguns estudos referem que a instalação do quadro de lipidose hepática se dá, em 95% dos casos, secundariamente a doenças graves acompanhados de jejum prolongado e não ao tratamento de obesidade/sobrepeso. Ainda, há relação entre o teor e a qualidade proteica e a distribuição calórica da dieta.

Recomenda-se, portanto, que as dietas para perda de peso para gatos contenham proteínas de alta digestibilidade e que, no mínimo, 30% da energia do alimento venha de proteínas. Além de, obviamente, serem muito palatáveis, estimulando seu consumo pelos felinos.

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alimentos Satiety

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