O papel da nutrição na insuficiência renal em cães

O papel da nutrição na insuficiência renal em cães

Intervenção nutricional é ponto-chave no tratamento coadjuvante da doença renal crônica em cães. Saiba mais

A doença renal crônica (DRC) é uma afecção comum em cães, e acomete cerca de 10% da população idosa. O termo DRC não deve ser confundido com insuficiência renal crônica (IRC), que pode ser definida como a perda das funções excretora, reguladora e endócrina dos rins. A IRC é, portanto, uma consequência da DRC.

A DRC se desenvolve de forma silenciosa e causa manifestações clínicas visíveis apenas quando já houve perda significativa da capacidade renal. Por este motivo, é fundamental a conscientização dos tutores para que façam check-ups periódicos em seus cães, pois a detecção precoce da doença auxilia no controle de sua progressão.

A intervenção nutrição é ponto-chave no tratamento coadjuvante da doença, pois apesar de seu caráter irreversível, a extensão da injúria renal pode ser minimizada pelas modificações dietéticas.

Os objetivos do manejo nutricional são:

  • Garantir ingestão adequada de nutrientes;

  • Minimizar efeitos negativos da uremia;

  • Manter peso ideal e evitar desnutrição calórico-proteica;

  • Evitar desbalanços hidro-eletrolítico e ácido-básico;

  • Retardar a progressão da doença;

  • Proporcionar qualidade de vida e maior longevidade ao paciente.

A modificação dietética deve considerar e apresentar como características:

ALTA PALATABILIDADE

Cães com doença renal crônica podem apresentar apetite caprichoso, náuseas e aversão alimentar. Alimentos com variações de texturas e perfis aromáticos estimulam o apetite e as preferências sensoriais dos cães, favorecendo a ingestão voluntária do alimento.

ALTA ENERGIA

A ingestão energética ideal deve ser garantida para prevenir o catabolismo muscular. A gordura exerce papel importante na distribuição calórica do alimento, pois lipídeos fornecem o dobro de energia por grama, se comparado aos demais macroelementos energéticos da dieta (proteínas e carboidratos). Por esta razão, dietas com alta densidade energética são recomendadas, pois suprem as necessidades nutricionais em menor volume de alimento.

PROTEÍNAS DE ALTO VALOR BIOLÓGICO

Objeto de controvérsias durante décadas, atualmente as pesquisas apontam que cães com DRC devem receber quantidade de proteína suficiente para suprir suas necessidades nutricionais diárias e prevenir catabolismo da massa muscular. Por outro lado, o excesso deve ser evitado para limitar a produção de toxinas urêmicas e de outros resíduos nitrogenados. Proteínas de alto valor biológico e com perfil de aminoácidos essenciais contribui para a manutenção da massa magra e evita a desnutrição calórico-proteica em pacientes com DRC.

RESTRIÇÃO DE FÓSFORO

Apesar de o fósforo ser um nutriente essencial à vida, animais com doença renal perdem a capacidade de filtração e excreção deste mineral, levando ao acúmulo sérico. De acordo com a International Renal Interest Society (IRIS), a restrição moderada do fósforo na dieta tem sido associada a maiores taxas de sobrevida, além de contribuir para evitar a mineralização de tecidos moles e o desenvolvimento do hiperparatireoidismo secundário renal. O fósforo é encontrado naturalmente em fontes proteicas de origem animal, por este motivo estas geralmente se apresentam em menor quantidade no alimento coadjuvante.

tabela de restrição de fósforo x DRC
Figura 1. Taxa de sobrevida de cães com DRC que receberam dieta com 1,1 g de fósforo a cada 1000 kcal de alimento (grupo 1) e cães que receberam dieta contendo 3,8 g de fósforo a cada 1000 kcal de alimento (grupo 2) (Brown et al., 1991).

ÔMEGA-3 & ANTIOXIDANTES

Evidências científicas sugerem que ácidos graxos poliinsaturados ômega-3 EPA e DHA reduzem a produção de citocinas inflamatórias, diminuem a pressão intraglomerular, melhoram a perfusão renal e contribuem para a redução da pressão arterial em cães com DRC. Associado a outros antioxidantes contribuem para diminuir o estresse oxidativo celular nos néfrons.

SÓDIO MODERADO

Não há evidências científicas que relacionem a ingestão de sódio com o agravamento da DRC e o desenvolvimento de hipertensão arterial em cães. Por este motivo, o teor de sódio na dieta deve ser moderado. Além de diminuir a palatabilidade da dieta, baixos níveis de sódio poderiam ativar eixos neuro-hormonais que contribuíram para a progressão das lesões renais.

EQUILÍBRIO HÍDRICO

O equilíbrio hídrico é comprometido em cães com doença renal, portanto o fornecimento de alimento úmido de forma isolada ou associado ao alimento seco (mix feeding) é desejado, pois estimula o apetite e favorece a manutenção da hidratação.

EQUILÍBRIO ÁCIDO-BÁSICO

Rins lesionados perdem gradativamente sua capacidade de homeostase ácido-básica. O uso de agentes alcalinizantes na dieta coadjuvante, como bicarbonato de sódio e citrato de potássio, em quantidades e proporções corretas, contribui para minimizar as alterações metabólicas e sintomas clínicos agravados pela acidose metabólica.

A Royal Canin® pesquisa minuciosamente o papel de cada nutriente e desenvolve fórmulas especiais que minimizam efeitos negativos das alterações metabólicas causadas pela doença renal. Suas diferentes versões de alimentos secos e úmidos formuladas para o manejo nutricional da doença renal crônica favorecem a manutenção da qualidade de vida e contribuem para o aumento do tempo de sobrevida de cães acometidos pela doença.

Produtos da linha Renal da ROYAL CANIN

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