Como a nutrição auxilia no tratamento de gatos e cães com câncer

Como a nutrição auxilia no tratamento de gatos e cães com câncer

A abordagem terapêutica em pacientes oncológicos deve priorizar a qualidade e a expectativa de vida dos animais acometidos, e neste contexto, a nutrição exerce papel central; entenda!

O câncer é causado pelo acúmulo de alterações que ocorrem no DNA ao longo da vida. Os genes que sofrem alterações são os oncogenes (proto-oncogenes que são normalmente inativos no DNA e que na presença de mutação são ativados e contribuem para a perpetuação da lesão celular) e os genes supressores de tumores, como por exemplo o p53, que reparam células quando há dano.

A longevidade dos animais de estimação tem aumentado nos últimos anos. Isso pode ser atribuído aos melhores cuidados dedicados aos pets, à melhoria da alimentação e nutrição, à maior higiene e aos cuidados cada vez mais especializados de saúde. Com o aumento da expectativa de vida, houve também o aumento da proporção de indivíduos com neoplasias.

Estudos conduzidos nos Estados Unidos, Europa e Japão concluíram que os tumores malignos são a principal causa de mortalidade em cães idosos. Estima-se que o câncer seja o fator de mortalidade em 15 a 30% dos pets ao redor do mundo. Um estudo com mais de dois mil cães revelou que as neoplasias foram a causa de morte em mais de 45% dos animais com mais de 10 anos de idade.

Os animais de companhia na sociedade contemporânea vivem em ambiente controlado com suprimento suficiente de alimento, proteção contra perigos e disponibilidade de tratamento médico, onde a mortalidade devido a fatores diferentes do câncer é reduzida. É o que conclui um estudo conduzido por Tanaka et al. (2020), no qual foi desenvolvido um modelo multi-etapas para avaliar a relação entre diferentes fatores genéticos e ambientais no desenvolvimento de neoplasias em animais domésticos.

Fatores ambientais como estilo de vida, exposição solar, exposição a agentes químicos, medicamentos, fatores hormonais, obesidade e outros exercem influência significativa no desenvolvimento de tumores.

Quando pensamos em raças, algumas são mais predispostas a tal patologia, como cães das raças Boxer, Bernese e Rottweiler. Nestes casos, os indivíduos herdam as mutações ou deformações genômicas de seus pais e apresentam maior predisposição a desenvolver determinados tipos de tumores.

A título de curiosidade, algumas espécies que vivem muito mais tempo do que outras, como por exemplo os elefantes, possuem mecanismos para desacelerar a progressão de alterações neoplásicas (por exemplo, maior expressão do gene p53) e, por isso, apresentam expectativa de vida consideravelmente maior do que outras espécies.

Alimentação de pacientes com câncer

A nutrição em animais oncológicos já é uma realidade. Sua importância é muito clara, uma vez que contribui para promover qualidade de vida e aumentar o tempo de sobrevida destes pacientes. Promover a nutrição adequada nos estágios iniciais da doença e ao longo do tratamento é um importante componente dos cuidados que devem ser adotados para pacientes oncológicos.

Gatos e cães com doença neoplásica apresentam alterações metabólicas que aumentam o catabolismo e causam balanço calórico negativo, levando o paciente a um quadro de caquexia neoplásica. Além disso, muitas vezes esses animais se encontram nauseados pelos efeitos colaterais da quimioterapia ou até pelo uso de fármacos, o que compromete a ingestão alimentar adequada.

Os objetivos do uso de alimentos específicos para pacientes com câncer são:

  • Minimizar os efeitos secundários do tratamento oncológico;
  • Auxiliar na manutenção da condição corporal do paciente;
  • Preservar a massa magra;
  • Prevenir e/ou corrigir deficiências nutricionais;
  • Auxiliar na melhora da resposta imunológica;
  • Contribuir para uma melhor qualidade de vida;
  • Contribuir com o aumento no tempo de sobrevida.

As proteínas, as gorduras e os carboidratos são macronutrientes que fornecem energia ao organismo, sendo que as gorduras fornecem o dobro de calorias se comparado aos carboidratos e proteínas. Embora na última década estudos tenham trazido evidências de que as células tumorais utilizam principalmente os carboidratos como fonte de energia, este tópico ainda é bastante discutido pela comunidade científica.

De qualquer forma, outros motivos justificam o uso de alimentos com maior teor de proteínas e lipídeos em detrimento do teor de carboidratos, como a maior chance de desnutrição calórico-protéica, que pode levar à caquexia, a necessidade de proteínas em maior quantidade para preservação da massa muscular e produção de proteínas de fase aguda, e a presença de apetite comprometido, que pode ser contornado com alimento com alta gordura e consequentemente maior densidade calórica em menor quantidade de alimento.

Leia também: Alterações metabólicas no paciente crítico hospitalizado 

Dietas não-convencionais devem ser evitadas, pois além de contarem com menor segurança alimentar e maior probabilidade de contaminação bacteriana, geralmente apresentam baixa densidade calórica e não fornecem a totalidade dos nutrientes que gatos e cães necessitam para suprir suas necessidades diárias. Este ponto é especialmente importante quando pensamos em animais oncológicos, que apresentam alterações metabólicas importantes e exigem adaptações nutricionais para amenizar as consequências dos processos patológicos.

Pontos-chave na nutrição de pacientes oncológicos

Alta densidade energética: para promover calorias em quantidade suficiente para atender as necessidades energéticas com menor volume de alimento;

Adequada fonte de energia: priorizando proteínas e gorduras como fontes calóricas, e controlando teor de carboidratos;
Alta digestibilidade: para garantir o melhor aproveitamento dos nutrientes pelo organismo;

Concentração adequada de arginina: aminoácido que desempenha papel antineoplásico no organismo;

Glutamina: importante substrato energético para as células do sistema imunológico e que também atua na preservação de efeitos colaterais da quimioterapia;

Leucina: aminoácido que possui papel importante na regulação da síntese proteica;

Taurina: aminoácido que também atua como antioxidante e regula a ação inflamatória;

Suplementação com ácidos graxos ômega 3: essenciais na dieta de gatos e cães pois não são produzidos pelo organismo e apresentam importante ação na modulação da inflamação e na diminuição das alterações que ocorrem em processos metabólicos;

Antioxidantes: nutrientes como as vitaminas C e E, luteína e taurina, que combatem a ação oxidativa dos radicais livres e atua prevenindo o envelhecimento celular;

Selênio: um dos minerais mais estudados em pacientes oncológicos e que está associado à redução da carcinogênese de alguns tipos tumorais;

Alta palatabilidade: textura e aromas atrativos para estimular a ingestão voluntária do alimento.

A alimentação do paciente oncológico deve ser realizada em pequenas refeições ao longo do dia, preferencialmente por via oral, em quantidade suficiente para manutenção de escore corporal saudável. Caso não seja possível, deve-se avaliar a possibilidade de alimentação enteral ou parenteral, dependendo das condições clínicas do paciente. Se o animal estiver inapetente, é altamente recomendado reintroduzir o alimento de forma gradual para evitar a síndrome da realimentação.

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Referências bibliográficas

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