Guia do filhote: como orientar novos tutores?

Guia do filhote: como orientar novos tutores?

A chegada de um filhote em casa é um momento muito especial para os tutores. Confira neste breve guia um passo-a-passo para orientar os tutores novatos sobre os principais cuidados que devem ser adotados na adaptação de um filhote ao seu novo lar.

A introdução de um filhote em casa é um momento de bastante empolgação. Os animais domésticos se popularizaram muito nas últimas décadas, e quando consideramos apenas gatos e cães, atualmente a população totaliza mais de 70 milhões de indivíduos no país. Sejam famílias ou pessoas que moram sozinhas, cada vez mais os pets vem conquistando o coração dos brasileiros.

Entretanto, a introdução de um filhote em casa é uma novidade que irá mudar a rotina do tutor, afinal os pets apresentam características e necessidades específicas que devem ser levadas em consideração. Por isso, é papel do médico-veterinário abordar questões sobre posse responsável e também alinhar as expectativas do tutor em relação ao animal. Desta forma, os filhotes encontram um ambiente favorável ao seu desenvolvimento, enquanto o elo homem-animal é fortalecido pela convivência saudável e harmoniosa.

Este guia tem como objetivo abordar 6 aspectos importantes da adaptação do filhote:

  • A escolha do filhote
  • Primeiros cuidados
  • Saúde geral
  • Higiene bucal
  • Comportamento e socialização
  • Alimentação e nutrição

1. Escolhendo o filhote

Embora seja tentador basear a escolha do filhote por seus atributos estéticos, o tutor deve ser orientado a considerar uma série de fatores como as características e as necessidades de cada espécie (gato ou cão), porte, temperamento e personalidade, além de sua disponibilidade de espaço físico, recursos e tempo para cuidar do animal. Ponderar estes fatores certamente ajudará na escolha assertiva do filhote e aumentará as chances de tutor e animal se adaptarem ao estilo de vida um do outro.

A origem do filhote também é um aspecto importante e que deve ser levada em consideração. O recomendado é que tutores adquiram animais de criadores certificados ou ONGs/protetores responsáveis e confiáveis.

2. Primeiros dias

Nos primeiros dias é normal que o filhote se sinta um pouco perdido no novo ambiente. Neste momento, o ideal é manter somente a família por perto e evitar na medida do possível visitas de vizinhos e amigos. Desta forma, o filhote consegue se adaptar mais rápido.

Para auxiliar na adaptação, é recomendado que os tutores reservem um local específico na casa para colocar a caminha/casinha e brinquedos do pet. O filhote precisa ter seu próprio espaço para descansar e dormir. É importante se certificar de que a caminha possua tamanho adequado e que seja de fácil higienização. Se o criador entregou o filhote com uma manta com o cheiro da mãe, é indicado colocá-la no cantinho reservado ao filhote.

Nos primeiros dias em casa, é importante continuar fornecendo o alimento ao qual o filhote já estava habituado antes de ir para o novo lar. A fase de filhote envolve transições alimentares que devem ser conduzidas de forma gradual. A alimentação dos filhotes representa um tópico de extrema importância e será abordado com mais detalhes adiante.

Os membros da família devem respeitar o ritmo do filhote – as crianças não devem acordá-lo se ele estiver em um sono profundo, por exemplo. Como todos os recém-nascidos, os filhotes de gatos e cães também precisam de mais horas de sono para crescerem de forma harmoniosa e saudável.

3. Saúde geral

Ao longo de toda a vida, os animais irão necessitar de cuidados regulares com a saúde, incluindo visitas periódicas ao médico-veterinário.

Filhotes são indivíduos vulneráveis e mais propensos a desenvolverem certas doenças, tanto pelo momento de intensa exploração ambiental quanto pela imaturidade do seu sistema imunológico.

Os tutores devem ser conscientizados sobre o esquema vacinal necessário nas primeiras semanas de vida para que o filhote possa construir sua própria defesa imunológica. O protocolo deve contemplar as vacinas essenciais e também ser individualizado para cada filhote considerando histórico, ambiente, fatores geográficos e riscos vs benefícios.

Além da imunização, o controle parasitário deve ser introduzido quando filhote, e mantido regularmente durante toda a fase adulta.

É recomendado orientar os tutores a guardarem em uma pasta todos os documentos do filhote, como carteirinha de vacinação e exames, para que um histórico de saúde deste filhote seja mantido e possa ser acessado rapidamente quando necessário.

4. Comportamento e socialização

O período de socialização é crítico e influencia no desenvolvimento de um temperamento estável no animal adulto. O período que ocorre de 3 a 12 semanas de vida em cães e de 2 a 7 semanas de vida em gatos é o momento em que o filhote está mais receptivo a novas experiências (principalmente por volta de 8 semanas de idade), e as primeiras experiências de socialização deixarão uma marca duradoura na vida do animal.

Para o filhote, este é o começo de uma nova vida em um novo ambiente, longe de sua mãe e irmãos. O filhote de cão rapidamente encontrará uma pessoa na casa que seja autoridade, como se fosse seu líder, a quem tenderá a obedecer. Já os filhotes de gatos são mais independentes e não se comportam da mesma forma.

Filhotes são curiosos e inexperientes e, por isso, são exploradores incansáveis! O tutor deve ficar atento e não deve permitir nenhum comportamento momentâneo se não tiver a intenção de permitir que o filhote o repita no futuro: subir no sofá ou dormir na cama, por exemplo.

O adestramento básico começa com a fórmula de recompensar o comportamento bom e ignorar o comportamento indesejável. A maioria dos filhotes caninos, por exemplo, anseia por atenção, mesmo que negativa. Desta forma, repreensão ou gritos podem ser estimulantes e incentivar mais o comportamento indesejado. Os tutores não devem usar a punição, pois este é um método de adestramento menos eficaz e pode induzir a outros problemas.

Os tutores devem treinar seu filhote a gostar de ser manipulado por meio de movimentos suaves e calmos de suas mãos sobre todo o corpo do animal. O tutor deve examinar os olhos, orelhas, abrir a boca e palpar cada uma de suas patas. Tudo isso deve ser feito com muita calma e sempre com associação positiva. Desta forma, o filhote se acostuma a ser examinado por um médico-veterinário.

5. Higiene bucal

O médico-veterinário deve ressaltar como é importante começar a ensinar um filhote a permitir que seus dentes sejam escovados desde cedo. Introduzir uma rotina de higiene bucal o mais cedo possível permitirá que esse hábito se estenda por toda a vida do adulto, diminuindo as chances de doenças orais.

Ao adquirir um filhote, os tutores devem diariamente introduzir seu dedo na boca do filhote e gentilmente massagear dentes e gengiva. Quando o filhote aceitar isso de bom grado, a escovação com os dedos deverá ser introduzida. Quando a dentição estiver completa, a escovação dos dentes poderá ser realizada com escova e pastas de uso específico veterinário. Não é recomendado o uso de pastas humanas, pois elas contém flúor e agentes formadores de espuma, que podem causar desarranjos gastrointestinais se eventualmente ingeridas.

6. Nutrição e alimentação

Atualmente está bem documentado que as necessidades nutricionais dos filhotes diferem das necessidades do animal adulto. Garantir que a ingestão diária de nutrientes atenda às necessidades dos filhotes é fundamental para promover crescimento e desenvolvimento saudáveis e harmoniosos.

Filhotes apresentam alta necessidade energética, pois estão crescendo rapidamente a cada dia. Os nutrientes fornecidos por meio da alimentação serão utilizados para a síntese tecidual (principalmente de ossos e músculos), que é intensa nos primeiros meses de vida.

Como mencionado, é prudente manter por alguns dias o alimento que o filhote já estava recebendo antes de sua chegada à nova casa, e se necessário, tal alimento pode ser substituído realizando-se uma mudança gradual para uma dieta que melhor se adeque às suas necessidades, de acordo com porte, raça, idade e particularidades.

A quantidade diária deve ser fornecida fracionada em pequenas refeições ao longo do dia. No caso de cães, alimentar o filhote somente depois que todos os membros da família já tiverem terminado suas refeições mostrará a ele quem está no comando e que ele deverá obedecer ao seu tutor.

Já filhotes felinos apresentam uma dinâmica diferente de alimentação, e como estes animais realizam diversas pequenas refeições ao longo do dia, é recomendado disponibilizar o alimento no comedouro para que o filhote tenha livre acesso.

É importante ressaltar que, em caso de alimentos úmidos, estes devem ser descartados após 1 hora caso estejam expostos no ambiente e o filhote não o tenha consumido.

Ainda é imprescindível disponibilizar tigelas de água limpa e fresca para que os filhotes possam se manter hidratados. No caso de felinos, recomenda-se espalhar algumas tigelas em diferentes ambientes, como forma de estimular a ingestão hídrica nesta espécie.

Alimentos úmidos completos e balanceados também podem ser fornecidos pois apresentam diversos benefícios aos animais, como manutenção da hidratação, alta palatabilidade e ótima aceitação nos momentos de transição alimentar.

Imagem 1: Linha de alimentos ROYAL CANIN® para todos os portes de filhotes saudáveis de cães.
Imagem 2: Linha de alimentos ROYAL CANIN® para filhotes saudáveis de gatos.

A ROYAL CANIN® possui soluções nutricionais para filhotes de gatos e cães em diferentes fases de crescimento. Nossos alimentos são produzidos com ingredientes de altíssima digestibilidade, formulados pelos mais experientes profissionais e baseados nas reais necessidades de filhotes em desenvolvimento. Saiba mais! Esperamos que este breve guia tenha lhe ajudado a orientar tutores em sua nova jornada, a fim de criarem filhotes saudáveis, felizes e bem adaptados.

Referências

HILL, R.; BUTTERWICK, R. WALTHAM® Livro de bolso sobre nutrição e cuidados de filhotes de cães. WALTHAM®, 2012.

MALANDAIN, E.; LITTLE, S.; CASSELEUX, G.; SHELTON, L.; PIBOT, P.; PARAGON, B.M. Guia prático de criação de gatos. ROYAL CANIN®, 2013.

ROYAL CANIN® Guia do Filhote: as atitudes essenciais para um bom começo na vida. ROYAL CANIN®, 2010.