Hiperlipidemia em cães e as diferentes abordagens nutricionais

Hiperlipidemia em cães e as diferentes abordagens nutricionais

Entenda as diferentes classificações da hiperlipidemia em cães e o manejo dietético em cada caso

A hiperlipidemia é um distúrbio do metabolismo das lipoproteínas no plasma e que resulta em aumento dos lipídios no sangue, particularmente triglicérides (hipertrigliceridemia) e/ou colesterol (hipercolesterolemia).

No estado de jejum, a hiperlipidemia é um achado laboratorial incomum e é consequência da aceleração da síntese ou redução da degradação das lipoproteínas decorrente de diversas possíveis causas.

A hiperlipidemia em cães pode ser classificada como:

  • Pós-prandial
  • Primária
  • Secundária

Pós-prandial

Corresponde ao aumento fisiológico de lipídios no sangue após a refeição. A hiperlipidemia pós-prandial pode ser detectada até 7 a 12 horas após a alimentação. No entanto, mesmo quando o animal recebe dieta com alto teor de gordura, não é esperado que os triglicérides séricos estejam acima de 500 mg/dL em um paciente saudável. O colesterol é carreado apenas parcialmente pelos quilomícrons, portanto a ingestão dietética tem pouco impacto nos níveis séricos no período pós-prandial.

Hiperlipidemia primária

Geralmente, a hiperlipidemia primária tem como base causa genética. A principal forma em cães é a hiperlipidemia idiopática apresentada por cães da raça Schnauzer Miniatura, caracterizada pelo aumento na circulação das lipoproteínas VLDL (very-low-density lipoprotein ou lipoproteínas de densidade muito baixa), característico da raça.

O diagnóstico da hiperlipidemia primária é menos frequente e deve ocorrer somente quando todas as possíveis causas de hiperlipidemia secundária tiverem sido descartadas.

Hiperlipidemia secundária

Já a hiperlipidemia secundária é mais comum na rotina clínica de cães e pode estar relacionada a alterações no metabolismo de lipídeos causadas por:

  • Hipotireoidismo
  • Pancreatite
  • Colestase
  • Hiperadrenocorticismo
  • Diabetes mellitus
  • Síndrome nefrótica
  • Obesidade
  • Ingestão de dietas com alto teor de lipídeos

Na hiperlipidemia secundária, a hipertrigliceridemia é atribuída ao declínio da degradação dos lipídios secundária a uma redução da atividade da lipoproteína lipase (LPL). Acredita-se que a hipercolesterolemia seja resultado do clearance prejudicado das proteínas de baixa densidade (low-density-lipoprotein ou LDL) da circulação, embora diversas outras hipóteses também sejam discutidas.

Diferente de humanos, a maior parte do colesterol em cães é carreado pelas lipoproteínas de alta densidade (HDL), as menores dentre todas as lipoproteínas. Cães com hipercolesterolemia não apresentam soro lipêmico (a menos que os triglicérides também estejam elevados), pois as partículas de HDL são refratárias à luz devido ao seu pequeno tamanho.

As consequências de longo prazo da hiperlipidemia em cães são desconhecidas, uma vez que estes são resistentes ao desenvolvimento de aterosclerose devido às diferenças no metabolismo das lipoproteínas na espécie. Evidências científicas sugerem que para a aterosclerose ser desenvolvida no cão, a concentração de colesterol sérico deve se manter acima de 750 mg/dL por mais de 6 meses.

Manejo nutricional na hiperlipidemia

A intervenção nutricional é parte essencial do tratamento e deve ser iniciada com a mudança da dieta para alimento com baixo percentual de gordura (<25 g/1.000 kcal) e com teor moderado de proteínas (>60 g/1.000 kcal). Dietas com baixo teor proteico poderiam causar aumento da colesterolemia, e, portanto, devem ser evitadas.

A maioria das recomendações em literatura sugerem introdução de dieta que apresente em sua formulação 20% ou menos das calorias advindas de gorduras. No entanto, em diversos pacientes, restrições mais severas podem ser necessárias, de acordo com a gravidade do caso.

A análise do rótulo do alimento deve ser feita de forma cautelosa para evitar equívocos de interpretação. Por exemplo, uma dieta contendo 10% de gordura (identificada na tabela nutricional como “extrato etéreo”) e energia metabolizável (EM) de 4.000 kcal/kg fornece 25 g de gordura a cada 1.000 kcal; já uma dieta contendo 8% de gordura e EM de 2.700 kcal/kg fornece 30 g de gordura para as mesmas 1.000 kcal. A avaliação cuidadosa do rótulo deve ser feita para garantir que o alimento correto seja prescrito ao paciente.

Após alimentar o paciente com dieta de baixa gordura por 6 a 8 semanas, os exames bioquímicos devem ser repetidos. A hiperlipidemia secundária geralmente é corrigida quando se trata a causa de base.

Em alguns casos, porém, apenas a modificação dietética é insuficiente para diminuir as concentrações de lipídeos no sangue, sendo necessária abordagem multimodal. A associação de ácidos graxos poli-insaturados ômega-3 EPA & DHA em indivíduos que apresentam hiperlipidemia foi extensivamente estudada e mostrou-se efetiva para diminuir as concentrações de lipídio sérico em diversas espécies, incluindo cães. Fármacos também podem ser utilizados em associação no tratamento desta enfermidade.

Soluções nutricionais ROYAL CANIN®

Hypoallergenic Moderate Calorie®

Cães que necessitam se alimentar com dieta hipoalergênica por toda a vida e que apresentam tendência ao ganho de peso e e/ou tendência também a hiperlipidemia concomitante podem agora se beneficiar do novo alimento da ROYAL CANIN®, Hypoallergenic Moderate Calorie®, formulado com proteína de soja 100% hidrolisada e ingredientes de baixo potencial alergênico, além de menor teor de gordura, se comparado à Hypoallergenic tradicional.

Seguindo nossa missão de oferecer um melhor mundo para os pets e investir cada vez mais em pesquisa e inovação, lançamos no Brasil esta nova solução nutricional, reforçando o amplo portfólio de alimentos coadjuvantes que têm como objetivo alcançar a máxima individualização na prescrição nutricional.

Hypoallergenic Moderate Calorie

Gastro Intestinal Low Fat®

Um estudo interno conduzido em 2011 com 15 cães da raça Schnauzer miniatura diagnosticados com hiperlipidemia primária revelou diminuição bastante expressiva dos níveis séricos de triglicérides e colesterol após oito semanas de tratamento exclusivo com o alimento Gastro Intestinal Low Fat da ROYAL CANIN®, comprovando que uma dieta com baixa gordura (18,6 g de gordura para cada 1.000 kcal, neste caso) melhora o perfil lipídico de cães hiperlipidêmicos (Imagem 1).

estudo sobre a Gastro Intestinal Low Fat
Imagem 1: Concentrações séricas de triglicérides e colesterol antes e depois de 8 semanas de alimentação com a dieta Gastro Intestinal Low Fat da ROYAL CANIN® em 15 cães da raça Schnauzer miniatura diagnosticados com hiperlipidemia primária.Fonte: Estudo interno, 2011.

Além do alimento seco, a ROYAL CANIN® também possui a opção úmida, que pode ser fornecida isoladamente (pois se trata de um alimento completo e balanceado e que atende 100% das exigências nutricionais de cães adultos) ou em combinação com o alimento seco (mix feeding).

alimentos gastro intestinal low fat

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Referências

SCHENCK, P. Canine hyperlipidemia: causes and nutricional management. In: Encyclopedia of canine clinical nutrition. p.223-245. Royal Canin®, 2006.

FASCETTI, A.J.; DELANEY, S.J. Nutritional management of endocrine diseases. IN: Applied Veterinary Clinical Nutrition. Cap. 17, p.294-296.

Informativo técnico. Manejo nutricional da hiperlipidemia em cães. Estudo interno, Royal Canin, 2011.