6 dicas para conversar com o tutor de gatos e cães sobre obesidade

6 dicas para conversar com o tutor de gatos e cães sobre obesidade

Abordar o assunto obesidade com tutores é um desafio enfrentado com frequência por médicos-veterinários. Confira como lidar com este assunto na prática

A obesidade é a doença de maior prevalência global tanto em seres humanos quanto em gatos e cães domesticados. As causas deste fenômeno são usualmente as mesmas da obesidade humana, ou seja, um desequilíbrio entre o consumo e o gasto energético, caracterizando balanço energético positivo e ganho de peso.

Apesar de sua relevância, ainda assim é a doença mais negligenciada na prática clínica de pequenos animais, provavelmente por não se tratar de uma condição emergencial. No entanto, a obesidade é caracterizada por um estado inflamatório crônico relacionado a diversas comorbidades comuns nestes animais e que compromete a qualidade de vida, o bem-estar e a longevidade.

Animais que são obesos quando jovens apresentam tendência a continuarem obesos quando adultos, por exemplo.

Em medicina veterinária, há um fator agravante da doença em gatos e cães: o fato do tutor fornecer alimentos e petiscos aos animais como forma de demonstrar afeto e melhorar a relação com o pet. No entanto, a alimentação não tem o mesmo significado social para os animais como acontece entre seres humanos, mas este é apenas um dos pontos que devem ser delicadamente abordados durante a consulta.

Confira 6 dicas para ter sucesso na conversa com o tutor sobre obesidade em pets:

1. Procure compreender se a queixa principal que fez o tutor levar seu pet à consulta pode estar relacionada com a obesidade. Por exemplo, sabe-se que doenças ortopédicas, endócrinas e urinárias, dentre outras, podem estar associadas ao excesso de peso, portanto este é um momento apropriado para abordar o assunto e explicar ao tutor a associação entre as diferentes enfermidades.

2. Após pesagem do animal, incentive o próprio tutor a determinar o escore de condição corporal (ECC) do seu pet utilizando como base a escala de ECC de 9 pontos, adotada globalmente como a principal ferramenta de avaliação e triagem de animais em sobrepeso e/ou obesos. Estudos revelam que 85% dos tutores subestimam o peso do seu animal, portanto, deixar que ele faça essa avaliação primeiro e depois revelar a verdadeira condição corpórea do animal fará com que o tutor seja menos relutante em aceitar que seu pet precisa de tratamento.

3. Utilize comparações didáticas para mostrar ao tutor o quanto o ganho de peso em seu pet, mesmo que aparentemente discreto, corresponde a um aumento significativo quando pensamos em termos proporcionais. Para melhor visualização, abaixo ilustramos o quanto 1 kg a mais em animais de diferentes portes corresponderia proporcionalmente ao ganho de peso para uma pessoa. Observe que, para um gato cujo peso normal é de 4 kg, 1 kg a mais representa 25% do seu peso total, o que proporcionalmente equivaleria a um ser humano com 16 kg a mais, aproximadamente. Para um cão de 10 kg de peso, 1 kg a mais corresponderia a um aumento de 10%, ou 7 kg a mais para uma pessoa de 70 kg, e por fim, para um cão saudável de grande porte de 25 kg, 1 kg a mais seria o equivalente a 3 kg de excesso em um ser humano. Essa ilustração causa impacto em tutores e os ajuda a compreender o quão significativo é o excesso de peso em seu pet.

Comparação entre humano e cão em relação ao ganho de peso

4. Explique ao tutor sobre o comportamento natural do pet. Na maioria das vezes, gatos e cães buscam atenção de seus tutores, o que é frequentemente confundido com fome e comportamento de implorar por alimento. Dar atenção ao pet e brincar com ele é muito mais saudável e apropriado do que oferecer alimento. Explique ao tutor que, para gatos e cães, a comida não possui o mesmo significado social e afetivo que para nós e que o comportamento de implorar nem sempre significa que o pet está com fome.

5. Oriente o tutor a substituir eventuais petiscos pelo próprio alimento dentro da quantidade diária recomendada para a dieta do animal. Por exemplo, se o animal se alimenta com SATIETY® versão seca, a versão úmida pode ser oferecida como “agrado” ou “petisco”, e suas calorias devem ser consideradas no plano nutricional do paciente. Desta forma, o próprio alimento com perfil nutricional adequado substitui possíveis petiscos prejudiciais ao pet.

6. Sugira ao tutor que mantenha um diário de anotações durante o tratamento para perda de peso do pet e também que ele registre a evolução do animal com fotografias. Isso ajudará o tutor a se sentir mais engajado à medida que observa a perda de peso do animal e o aumento da disposição física dele para praticar exercícios e brincar.

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