Como lidar com os impactos do isolamento social para saúde e bem-estar dos pets domesticados

Como lidar com os impactos do isolamento social para saúde e bem-estar dos pets domesticados

As medidas para controle da transmissão do novo coronavírus podem interferir também na rotina de gatos e cães domiciliados. Saiba mais!

Mais de um ano já se passou após a declaração oficial da pandemia de Covid-19 pela Organização Mundial de Saúde (OMS), em março de 2020. Desde então, ocorreram diversas mudanças individuais e coletivas que transformaram a sociedade. Com a necessidade de isolamento social e de medidas de restrições para redução do contágio pelo novo coronavírus, as pessoas e as organizações tiveram de criar novos hábitos.

Todas essas mudanças têm refletido na vida dos pets. Estar atento às possíveis alterações comportamentais em gatos e cães domesticados é de extrema importância para amenizar possíveis consequências impostas pelas medidas adotadas durante a pandemia.

A relação homem-animal

Se a relação homem-animal já vinha se estreitando voluntariamente ao longo das últimas décadas, a pandemia apenas acelerou este vínculo, que hoje é mais forte do que nunca. As restrições da Covid-19 proporcionaram aos tutores mais tempo com seus pets. É o que mostra uma pesquisa realizada pela rede norte-americana de hospitais veterinários Banfield Pet Hospital®, que possui mais de mil unidades nos Estados Unidos e no Canadá. O levantamento mostrou que 39% dos tutores entrevistados afirmaram que a convivência mais próxima com o pet ajudou a reduzir sintomas de ansiedade.

Esta maior proximidade traz inúmeros benefícios à saúde dos tutores. O convívio com animais de estimação estimula a produção e liberação de endorfina e serotonina, o que proporciona sensação de bem-estar e relaxamento. A convivência com um pet pode melhorar significativamente estados de depressão e ansiedade (consideradas “doenças do século” em seres humanos) e trazer mais alegria para a vida de ambos.

Por outro lado, a nova rotina também pode trazer impactos negativos para a saúde dos pets.

Alterações comportamentais nos pets

Assim como as pessoas, os pets também são afetados pelas restrições de isolamento social, e adaptações devem ser implementadas por seus tutores para que sua saúde e bem-estar sejam preservados.

O repentino convívio mais intenso em casa pode fazer com que alguns animais fiquem mais agitados e cães podem passar a latir mais. Por outro lado, alguns pets podem ficar menos ativos e mais sedentários. Em um estudo conduzido no início da pandemia com mais de 1.200 tutores de pets na Espanha, país que teve rígidas restrições de circulação, 37% dos entrevistados afirmaram que seus cães aparentaram ter dificuldade em passar pelo período de confinamento. A possível explicação foi a redução no tempo de passeio e as características comportamentais da espécie. Por outro lado, os gatos aparentemente lidaram melhor com a quarentena, de acordo com a opinião dos tutores que responderam a pesquisa.

A espécie canina geralmente é mais ativa, sociável e, de acordo com o porte, necessita de mais espaço para brincar e expressar seu comportamento normal. Cães também adoram passar mais tempo com seus tutores. Já os gatos são mais independentes, solitários e se adaptam melhor a espaços mais compactos, por isso podem estranhar o repentino contato mais próximo com as pessoas da casa. Entender essas diferenças comportamentais permite que se façam adaptações na rotina que amenizem os impactos provocados pelo isolamento social.

Pensando no bem-estar de cães domésticos sujeitos a diferentes fontes de estresse, a ROYAL CANIN® lançou recentemente no Brasil o alimento RELAX CARE, indicado para cães que necessitam de apoio para se adaptarem a situações intensas causadas por mudanças na rotina. Sua fórmula contém proteína hidrolisada de peixe, descrita em literatura científica por sua propriedade ansiolítica.

alimento Relax Care

Um estudo interno conduzido com 174 tutores de cães adultos revelou aumento de 44% no comportamento normal dos animais que se alimentaram com RELAX CARE em um período de 6 semanas.

Resultados com alimento Relax Care

Saiba mais: Como a nutrição pode auxiliar em situações de estresse para o pet no dia a dia

Consequências das mudanças impostas pela pandemia

Se os benefícios da proximidade entre pets e tutores durante a quarentena estão claros, as possíveis consequências negativas também devem ser lembradas. Dos tutores entrevistados no estudo de Banfield, 33% relataram que seus pets ganharam peso neste período. Além disso, o estudo de casuística do hospital evidenciou aumento de:

  • 58,7% de atendimentos relacionados a alergias de pele;
  • 11,4% nas visitas relacionadas a vômitos;
  • 25% das consultas relacionadas a ansiedade e medo;
  • 24% de crescimento em visitas relacionadas ao ganho de peso.

Já nos lares brasileiros, um levantamento semelhante realizado pelo Hospital Veterinário Sena Madureira em São Paulo/SP revelou algo parecido. Dos tutores entrevistados, 30% afirmam que seus pets ganharam peso no último ano.

Neste contexto, é importante que o médico-veterinário sugira que o tutor busque alternativas para gastar a energia dos cães, tanto para que o estresse e ansiedade possam ser evitados como também para auxiliar no gasto energético e evitar o ganho de peso. Interagir com o pet, brincar e fazer passeios curtos, se possível, pode contribuir para que o pet tenha uma rotina leve e mais próxima do normal.

Outro ponto que o médico-veterinário deve sempre lembrar é em relação à alimentação. Oferecer alimento adequado para cada animal e em quantidades corretas contribui para a manutenção do peso e evita as consequências negativas da obesidade – isso vale para gatos e cães.

Além disso, o enriquecimento ambiental se torna ainda mais importante para os felinos. A colocação de nichos ou prateleiras em locais altos, arranhadores e brinquedos onde o pet passa a maior parte do tempo contribui para que eles possam explorar, se entreter e se esconder, ou seja, seguir o comportamento instintivo normal da espécie.

Por último, a pesquisa de Banfield também revelou que 73% dos tutores afirmam estarem preocupados em passar muito tempo longe de seus pets quando retornarem ao trabalho após meses de convívio intenso, uma vez que seus pets podem ficar mais sensíveis à separação. Antecipar este cenário e instituir pequenas adaptações na rotina também contribuirá para manter o bem-estar dos pets em casa.

A atual pandemia de Covid-19 criou níveis de incerteza sem precedentes na nossa história recente, mas uma coisa é certa: o vínculo homem-animal, agora mais do que nunca, desempenha um papel integral na vida das pessoas. Encontrar formas de conciliar rotinas que respeitem as necessidades tanto de seres humanos quanto de seus pets contribuirá para que a relação e troca de afeto se fortaleçam cada vez mais e que ambos possam expressar saúde e bem-estar durante e após a pandemia.

Referências bibliográficas

Banfield Pet Hospitals® data shows increase in care for pets in 2020 despite pandemic. Disponível em: <https://www.banfield.com/about-banfield/newsroom/press-releases/2021/banfield-pet-hospital-data-shows-increase-in-care-for-pets-in-2020-despite-pandemic>. Acesso em: 06/05/2021.

BOWEN, J. et al. The effects of the Spanish Covid-19 lockdown on people, their pets, and the human-animal bond. J Vet Behavior, 2020.
New study reveals upside of pandemic shutdown for pets. DVM 360, 2020. Disponível em: <https://cdn.sanity.io/files/0vv8moc6/dvm360/234aa7c027037ecc57cf178aaac702a1b5bc940f.pdf>. Acesso em 06/05/2021.

Os efeitos da quarentena e o novo normal para os animais. Hospital Veterinário Sena Madureira. Revista Veja Saúde. Editora Abril, 2020. Disponível em: <https://www.senamadureira.com/os-efeitos-da-quarentena-e-o-novo-normal-para-os-animais-coluna-do-hospital-veterinario-sena-madureira-na-revista-veja-saude-da-editora-abril-confira/>. Acesso em 06/05/2021.