O CONTROLE DE PESO EM GATOS E CÃES: FATORES, TRATAMENTO E CONVERSA COM O TUTOR

publicado em: 15/07/2019

A obesidade afeta cerca de 52% dos gatos e 59% dos cães no mundo. É uma doença que está crescendo e atinge cada vez mais animais no mundo.

A doença é resultado do desequilíbrio entre consumo e gasto energético, com consequente balanço energético positivo e ganho de peso 5. Atualmente, a obesidade é compreendida como um estado inflamatório de baixa intensidade, uma vez que o tecido adiposo é capaz de produzir citocinas que resultam em inflamação 4,6. Entre as principais citocinas produzidas temos o fator de necrose tumoral (TNFα) e a IL-6, envolvidos também na resistência insulínica 8,9. 

Indivíduos que possuem a doença secretam mais insulina e leptina, sendo a secreção relacionada a quantidade de tecido adiposo no corpo. Apesar da maior produção hormonal, o indivíduo obeso possui menor sensibilidade a neuropeptídeos, aumentando o consumo de alimentos, diminuição do gasto energético e aumento do peso corporal gerando um desequilíbrio e falta de regulação do mecanismo.

 

 Fatores que contribuem com a obesidade e suas consequências

Devido a alterações fisiológicas e diferentes necessidades energéticas, pets idosos possuem uma maior tendência a terem obesidade. Para cães, a faixa etária entre 6 e 10 anos é a de maior risco e para gatos entre 5 e 11 anos. Animais que são obesos quando jovens possuem tendência a estar com sobrepeso ou obesidade na vida adulta também. Fatores como idade, genética, taxa de crescimento e alimentação durante o primeiro ano de vida influencia a condição corporal pelo resto da vida. A castração precoce é outro fator que influencia na condição corporal quando adulto, isso acontece devido a alterações metabólicas, diminuição de atividades físicas e sedentarismo.

O ambiente também é um fator determinante para a obesidade. Animais que vivem em apartamentos possuem baixo nível de atividade física e livre acesso a comida, o que leva a perda do controle da ingestão de calorias. O fornecimento de petiscos e suplementação da dieta é um problema, pois essas calorias raramente são contadas como parte da dieta total do animal. 

A obesidade afeta diretamente na expectativa de vida de gatos e cães, já que a maioria possui outras doenças concomitante. A diabetes, por exemplo, é uma delas e é consequência da alteração na homeostase da insulina e glicose no organismo. A célula beta do pâncreas ainda produz insulina, porém há uma insensibilidade periférica das células corporais ao hormônio causando a hiperinsulinemia e diversos graus de intolerância à glicose.

A obesidade é o principal fator de risco para enfermidades ortopédicas, o excesso de peso e grande quantidade de tecido adiposo geram dificuldade respiratória, principalmente em animais braquicefálicos. É possível observar um maior trabalho cardíaco para a introdução de substâncias na massa corporal normal, forçando o sistema circulatório. Afeta também diretamente o esforço para atividades físicas devido a maior dificuldade de oxigenação, diminuição da tolerância e fadiga.

Animais obesos possuem maior tendência a doenças no trato urinário, como cistites, urolitíase, obstrução, infecções e diarréia do que animais normais. É importante que aconteça um programa de controle de peso para a melhoria da qualidade de vida do animal, durante a consulta no médico-veterinário deve ser feito o diagnóstico baseado na cintura, ossos torácicos e existência de gorduras palpáveis, é simples e mostra muitas informações sobre a saúde geral do animal.

 

A importância da conscientização do tutor e dieta adequada

Estudos mostram que 85% dos tutores subestimam o peso do pet e não acham que seja um problema, é importante a conscientização desde a primeira consulta para evitar problemas de saúde futuros e prolongar a vida do gato ou cão. 

A dieta prescrita pelo médico-veterinário é de grande importância para o controle e programa de perda de peso. O alimento ideal, quantidades, número de refeições são fatores determinantes para a obesidade. O alimento deve suprir as necessidades específicas além de ser balanceado com a quantidade correta de nutrientes, aminoácidos, vitaminas e minerais. 

Além da menor densidade energética, adaptações no croquete do alimento específico para a perda de peso permitem a ingestão de um volume superior de alimento por refeição, minimizando a sensação de fome. O maior teor de proteínas e a elevada quantidade de fibras também garantem maior saciedade ao animal 19. O teor de fibras tem destaque na composição de alimentos para controle de peso. As fibras do tipo não fermentáveis ou pouco fermentáveis colaboram para a sensação de saciedade através do preenchimento do estômago e intestino, assim como no retardo do esvaziamento gástrico. Elas estão relacionadas com a redução da ingestão energética voluntária. Já as fibras fermentáveis, como o psyllium e polpa de beterraba por exemplo, estão relacionadas com a produção de hormônios da saciedade no animal além da produção de ácidos graxos de cadeia curta, como resultado da fermentação 24

Dieta adequada combinada a exercícios físicos à longo prazo são fundamentais para a manutenção da massa magra do pet. Evitar a obesidade e check-ups no médico-veterinário são cuidados essenciais que prolongam e melhoram a qualidade de vida do gato e cão. 

 

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