Oxalato de cálcio: quais as principais causas e como tratar?

Oxalato de cálcio: quais as principais causas e como tratar?
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Os urólitos de oxalato de cálcio são dos tipos mais comuns de urólitos em gatos, cães e humanos. Há inúmeros fatores que predispõe a formação do urólito de oxalato de cálcio. Saiba mais! 

A urolitíase é uma condição de causa multifatorial, sendo considerada consequência de outras condições. Logo, identificar a causa primaria da formação dos urólitos é importante para determinar o melhor tratamento e manejo para o seu paciente.  

Identificar as possíveis causas que influenciam o desenvolvimento de urólitos pode ser um desafio para o médico-veterinário. Consequentemente, determinar a composição do urólito facilita o processo de investigação e auxilia tanto na definição de um diagnóstico quanto na adoção de medidas preventivas. 

O que é o oxalato de cálcio? 

Os cálculos de oxalato de cálcio são formados a partir da ocorrência de precipitados minerais microscópicos na urina de gatos e cães. Isto é, a supersaturação da urina com uma ou mais substâncias calculogênicas, como cálcio e ácido oxálico, que resulta na formação de urólitos.  

Esses urólitos não podem ser dissolvidos com dieta ou medicamentos e, portanto, ao causarem sinais clínicos problemáticos, requerem remoção por meio de cirurgia ou métodos minimamente invasivos.  

Vale citar que, apesar de não serem capazes de eliminar os cálculos, as dietas específicas podem auxiliar o tratamento ao tornar a urina do animal mais diluída e, com isso, equilibrar os precursores dietéticos de cálculos. 

A urolitíase por oxalato de cálcio atinge gatos e cães na mesma proporção? 

A urolitíase por oxalato de cálcio é uma complicação que acomete gatos e cães e, nos últimos 30 anos, essa incidência aumentou e se tornou comum, assim como a dos urólitos de estruvita. 

Na década de 1990, o urólito de estruvita era o mais comum em felinos. Porém, atualmente o oxalato de cálcio é o urólito mais frequente, destacando uma incidência em 40% a 50% dos gatos, seguido de perto pela estruvita.  

Algumas raças específicas estão mais sujeitas aos problemas causados pelo oxalato de cálcio, incluindo, principalmente, felinos de pelo longo e semi-longo como Birmanês, Persa e raças do Himalaia.  

Nos cães, o oxalato de cálcio é o tipo mais comum de urólito, e raças como o Schnauzer miniatura, Shih tzu, Yorkshire terrier, Bichon Frisé, Chihuahua e Maltês se destacam entre as que têm uma predisposição ao problema.   

Principais causas de formação de oxalato de cálcio

Entre as principais causas para a formação dos cálculos de oxalato de cálcio, podemos citar as seguintes. 

  • Excesso de acidez do pH

O pH da urina influencia na formação de cálculos urinários. No caso do oxalato de cálcio, o pH urinário baixo/ácido favorece a agregação dos cristais de oxalato, influenciando na formação do oxalato de cálcio. 

  • Hiperadrenocorticismo

O hiperadrenocorticismo primário também pode promover a hipercalciuria reabsortiva. A condição é caracterizada pela mobilização de cálcio do osso e mediada pelo hormônio da paratireóide. 

  • Distúrbios alimentares e o manejo nutricional

A alimentação pode causar hipercalcemia através da ingestão excessiva de: 

  • cálcio; 
  • proteína; 
  • sódio; 
  • vitamina D ou vitamina C na dieta;  
  • dietas acidificantes;  
  • acidificantes urinários.  

A hipercalcimia resulta em hipercalciuria, e o excesso deste mineral na urina predispõe a formação dos cristais e urólitos de oxalato de cálcio.  

A hiperoxalúria pode ocorrer com o aumento da ingestão de precursores de oxalato na dieta. O cálcio dietético liga-se ao ácido oxálico e inibe sua absorção. Assim, a restrição de cálcio aumenta a hiperoxalúria. A vitamina C (ácido ascórbico) é metabolizada em oxalato e a vitamina B6 altera o metabolismo do oxalato.  

Principais sinais clínicos apresentados 

Os sinais clínicos apresentados por animais com oxalato de cálcio são:  

  • incontinência urinária; 
  • estranguria; 
  • polaciúria; 
  • hematúria; 
  • disúria; 
  • infecções persistentes do trato urinário; 
  • abdômen doloroso; 
  • depressão; 
  • letargia; 
  • vômito; 
  • anorexia. 

Se o os cálculos são pequenos o suficiente, o paciente pode apresentar sinais de obstrução urinária, o que é uma emergência médica e possível cirúrgica 

Como diagnosticar a formação de cristais oxalato de cálcio? 

Para identificar a formação de cristais ou urólitos de oxalato de cálcio, inicialmente deve-se realizar uma urinálise de rotina com a avaliação do sedimento urinário. Exames de sangue possibilitam identificar condição de azotemia. 

O exame de urina pode identificar tanto hematúria como cristalúria, com possível piúria. O valor do pH da urina pode auxiliar na diferenciação entre os urólitos de oxalato de cálcio e de estruvita – sendo que a urina de pH ácido possui maior predisposição a formar cálculos de oxalato de cálcio.  

Como urólitos são compostos por camadas, podendo ser misto ou composto por somente um tipo de sedimento, para o diagnóstico definitivo do tipo de urólito, o médico-veterinário deve enviar o cálculo para análise. 

Os diagnósticos diferenciais para urolitíase, em geral, são semelhantes para qualquer causa de obstrução urinária ou sinais clínicos urinários. Eles incluem:  

  • infecção do trato urinário; 
  • cistite; 
  • ureteres ectópicos; 
  • nefrolitíase; 
  • pielonefrite; 
  • e neoplasia.  

Tratamento para urolitíase por oxalato de cálcio 

Quando um animal apresenta cálculos vesicais grandes demais para passarem pela uretra, eles podem provocar obstruções uretrais. Em caso de obstrução ou identificação de urólitos grandes na vesícula, estes devem ser removidos através de cistostomia.  

Quando o cálculo é sugestivo de oxalato de cálcio, a remoção cirúrgica é indicada, pois o urólito de oxalato de cálcio não é passível de dissolução.  

Caso durante exames de imagem (ultrassom ou Raio-x) o médico-veterinário identifique um urólito pequeno, a remoção pode ocorrer por meio de catéter transuretral, auxiliando sua passagem por meio de urohidropropulsão miccional ou ainda por meio de cistoscopia. 

Outra opção de tratamento não cirúrgico é a litotripsia, procedimento que envolve a emissão de ondas mecânicas de alta energia para que os urólitos sejam quebrados em pedaços menores.  

O procedimento é menos eficaz para urólitos do que para nefrólitos, devido à dificuldade de posicionamento e ao fato de que múltiplos tratamentos de litotripsia podem ser necessários para reduzir adequadamente urólitos grandes. 

Após a remoção cirúrgica, o médico-veterinário pode realizar a prescrição de antibioticoterapia de acordo com os achados do hemograma (leucocitose) e urinálise (hematúria ou bacteriúria), e orientar o tutor sobre mudanças de manejo – orientando para que seja promovida a diluição urinaria e para a produção de urina com pH ideal, em que não haja a agregação espontânea dos cristais.

Mais sobre o tratamento e o manejo da urolitíase 

Manejo e tratamento de animais com urolitíase foi tema de duas aulas da Jornada do Conhecimento sobre saúde urinária, treinamento intenso e gratuito promovido pela Royal Canin® em parceria autoridades em Urologia Veterinária do Brasil do CBNUV (Colégio Brasileiro de Nefrologia e Urologia Veterinárias). 

Na primeira das aulas, Dr. Luciano Giovanini e o Dr. Leandro Crivellenti falam justamente sobre os exames importantes para o diagnóstico da afecção e da implementação dos tratamentos específicos e inespecíficos. Veja abaixo:  

A segunda aula é dedicada a elucidar os casos de reincidência de cálculos, as possíveis associações de métodos e a importância do acompanhamento contínuo dos gatos e cães. Confira:  

O melhor caminho para a saúde dos pets é a prevenção! 

Para atuar com a prevenção, o médico-veterinário de gatos e cães pode realizar exames de rotina, como a urinálise, em animais mais velhos e em raças que sabidamente possuem predisposição a formação de urólitos.  

Em animais com quadros de recidiva, exames de urina devem ser realizados a cada 3 a 6 meses, para garantir que o pH da urina esteja entre 6,5 e 8,0 e que a urina especifique gravidade de 1,020 ou inferior. 

A realização do diagnóstico de cristalúria indica que o médico-veterinário oriente mudanças de manejo. Entre as principais e mais eficientes alterações, podemos citar (Hunprasit, 2019):  

Estímulo a ingestão hídrica 

  • Fornecimento de alimentos úmidos que induzem naturalmente o aumento da ingestão hídrica.  
  • Em gatos, utilização de fontes ou disponibilização de fontes de água em diversos pontos da casa.  

Modificação precoce da dieta para minimizar o crescimento dos urólitos 

  • O alimento coadjuvante, sozinho, não impede completamente a formação de cálculos de oxalato de cálcio, mas pode retardar a progressão da recorrência de cálculos. 
  • A prescrição de alimentos da linha urinary da Royal Canin, formulados a partir do método RSS, possibilita que o animal produza urina com baixo potencial para a formação de urólitos de oxalato de cálcio e estruvita. 

alimentos da linha Urinary

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Referências bibliográficas 

Bartges, J. W. Feline Calcium Oxalate Urolithiasis – Risk factors and rational treatment approaches. Journal of Feline Medicine and Surgery, n.18, 2016. Acesso em 24/01/2024 

Brown, S. A. Urolithiasis in Small Animals. MSD Manual Veterinay Manual, 2022. Acesso em: 25/01/2024 

Carvalho, M. Urinary pH in calcium oxalate stone formers: does it matter? Braz. J. Nephrol. (J. Bras. Nefrol.), n. 40, v. 1, 2018.. Acesso em: 25/01/2024 

Foste, J. D. Management Strategies – Managing Urolithiasis. Todays Veterinary Practice, 2021. Acesso em: 24/01/2024.  

Gisselman, K., Langston, C., Palma, D., McCue, J. Calcium Oxalate Urolithiasis. Vet Folio, v. 31, n. 11, 2009. Acesso em: 27/01/2024. 

Hunprasit, V., Scheriner, P., Bender, J. B., Lulich, J. P. Epidemiologic evaluation of calcium oxalate urolithiasis in dogs in the United States: 2010-2015. J Vet Intern Med, v. 33, n. 5, 2019. Acesso em: 24/01/2024 

Minnesota Urolith Center. College of Veterniary Medicine. Acesso em: 27/01/2024. 

Pugh, C. C. Canine Calcium Oxalate Urolithiasis. Mississippi State University – College of Veterinary Medicine, 2017. Acesso em: 25/01/2024