Dermatologia e Gastroenterologia são temas do Fórum Internacional ROYAL CANIN® 2021

Dermatologia e Gastroenterologia são temas do Fórum Internacional ROYAL CANIN® 2021

Ao todo, foram 12 palestras transmitidas de forma online e gratuita a Médicos-Veterinários e estudantes. Reveja os principais conteúdos do evento

Nos dias 19 e 26 de Outubro de 2021 aconteceu o 5º Fórum Internacional promovido pela ROYAL CANIN® no Brasil, que neste ano apresentou em sua programação palestras ministradas por profissionais renomados no universo da Dermatologia e da Gastroenterologia.

O Fórum Internacional ROYAL CANIN® 2021 reuniu mais de 3.500 pessoas ao longo do evento. Além da transmissão ao vivo, foram disponibilizadas também duas palestras internacionais gravadas especialmente para o Fórum. Ao todo, foram 12 palestras e mais de 8 horas de conteúdo atualizado sendo transmitido de forma online e gratuita a médicos-veterinários e estudantes. O conteúdo ficou disponível na plataforma online até o dia 01 de novembro.

O Fórum Internacional ROYAL CANIN® 2021

O evento deste ano teve dois pilares: Dermatologia e Gastroenterologia. O Fórum ainda abordou a medicina comparada. Cada dia do evento foi dedicado a um desses temas e os participantes puderam interagir por meio de chat online e também enviar dúvidas aos palestrantes, que se reuniram ao final das palestras em uma mesa redonda para um rico debate.

Logo na abertura do Fórum Internacional 2021, o presidente da ROYAL CANIN® do Brasil, Jon Van Wyk fez uma breve apresentação e reforçou a nutrição precisa como papel central nas ações da empresa. Wyk também contou, com exclusividade, que em breve a marca terá novas soluções nutricionais no portfólio, desenvolvidas exclusivamente para auxiliar na promoção de mais saúde a gatos e cães.

Em seguida, Carlos Martella, diretor de Marketing da ROYAL CANIN®, afirmou que o principal propósito da marca é o de oferecer saúde através da nutrição e reforçou o compromisso da companhia em compartilhar conhecimento com a comunidade veterinária que vem desde a sua fundação pelo Dr. Jean Cathary, na década de 1960.

A condução do evento foi realizada pela médica-veterinária e jornalista Silvia Correa. Reveja o resumo das palestras.

As palestras do Fórum Internacional ROYAL CANIN® 2021

O evento de 2021 contou com apresentação de dados consolidados em literatura, assim como novas evidências científicas e discussão de alguns casos clínicos. Confira a seguir os principais conteúdos apresentados em cada dia do fórum:

gato da raça Maine Coon

Dermatologia comparada

Assim como em medicina humana, a dermatologia veterinária é um amplo campo do conhecimento e está muito presente na rotina clínica, uma vez que enfermidades dermatológicas estão entre as doenças mais frequentes em humanos e também em pets.

Levando em conta esse cenário, o tema Dermatologia Comparada foi o foco do primeiro dia de palestras e discussões do Fórum Internacional 2021. Foram cinco palestras ricas sobre o assunto; saiba o que foi abordado em cada uma:

Aspectos epidemiológicos e clínicos das reações adversas ao alimento em cães e gatos

Dr. Rafael Ferreira

Quando se fala em reações adversas ao alimento em gatos, devemos ter como diagnóstico diferencial outras enfermidades alérgicas nestes pacientes, como a dermatite alérgica à picada de pulgas (mais frequente dentre as citadas), a síndrome atópica cutânea felina e a asma.

De acordo com a nova nomenclatura proposta por uma recente publicação de alta relevância científica na dermatologia veterinária (HALLIWELL, R. et al, 2021), o que antes era conhecido como “síndrome atópica felina” (também chamada de non-flea, non-food), agora passa a ser tratada por “síndrome atópica cutânea felina”.

Um dos mais importantes estudos de prevalência existentes na dermatologia veterinária de felinos foi conduzido por FAVROT et al. (2012) em diversos países europeus e também nos Estados Unidos. Este estudo avaliou 501 gatos com histórico de prurido. Destes, 27% apresentavam alergia à saliva de pulgas, 12% apresentavam reação adversa alimentar e 20% foram diagnosticados com síndrome atópica cutânea felina.

Já em cães, o palestrante apresentou a última atualização disponível sobre atopia canina (NUTTALL et al., 2019), que afirma que a alergia alimentar pura (ou dermatite trofoalérgica), a qual é controlada apenas com dieta, é uma enfermidade não muito comum. Em um estudo apresentado pelo Dr. Rafael (GASCHEN & MERCHANT, 2011), a dermatite trofoalérgica foi diagnosticada em menos de 5% dos animais estudados. O mais comum é que a reação alimentar seja uma das causas de reação inflamatória em cães atópicos, ou seja, uma atopia induzida e potencializada por alimentos. Dados de literatura levantados pelo palestrante trazem evidências de que este é o caso em cerca de 30% dos cães estudados.

Quando falamos em aspectos clínicos em felinos, o índice SCORFAD é uma ferramenta amplamente utilizada para avaliar clinicamente o paciente de acordo com o padrão distributivo lesional presente em diferentes regiões do corpo do gato alérgico. Já em cães, um índice muito utilizado para avaliar o grau de severidade das lesões cutâneas é o escore CADESI, que é específico para a dermatite atópica. Sua última versão, publicada por Olivry et al. (2014) divide a avaliação física em 20 áreas corporais que podem apresentar lesões características da doença. As regiões periocular, interdigital e perianal são as mais frequentemente acometidas.

Avaliação da criança com alergia alimentar e reatividade cruzada entre alimentos

Dr. Herberto Chong Neto

A alergia alimentar e a reação cruzada entre alimentos são tópicos bastante frequentes tanto em medicina humana quanto na medicina veterinária, e nesta palestra o Dr. Chong apresentou dados baseados na última atualização do Consenso Brasileiro sobre Alergia Alimentar, publicado em 2018. A prevalência das doenças alérgicas vem aumentando nas últimas duas décadas, de acordo com os levantamentos publicados pelo consenso.

Inúmeros fatores podem estar relacionados à quebra da tolerância oral e o surgimento da alergia alimentar, e identificar qual elemento é o alérgeno responsável pela deflagração da resposta imunológica se torna um grande desafio. Uma boa investigação clínica inclui anamnese detalhada, exame físico, dieta de exclusão, testes para detecção de IgE específica (in vivo e in vitro) e teste de provocação oral, que ainda é o padrão-ouro no diagnóstico das alergias alimentares.

Dentre as diversas ferramentas disponíveis para auxiliar no diagnóstico das alergias (cada uma com suas vantagens e limitações), atualmente o que tem sido utilizado com frequência na medicina humana é o diagnóstico por componentes, que são alérgenos moleculares naturais purificados ou recombinantes. O procedimento permite a predição de reações cruzadas por alérgenos presentes em diferentes fontes alimentares, assim como permite também predizer a gravidade das reações.

Um exemplo de reação cruzada pode ser dado com a proteína parvalbumina, que está presente no salmão e que também pode ser encontrada no atum e no bacalhau. Isso explica por que o paciente pode continuar apresentando reação alérgica mesmo quando há troca de ingredientes na alimentação.

As ferramentas cada vez mais precisas na identificação dos alérgenos contribuem para um diagnóstico mais assertivo do componente alimentar ao qual o indivíduo é alérgico e possibilitam uma intervenção dietética adequada na abordagem terapêutica do paciente.

Os dados apresentados pelo Dr. Chong nos mostram o quanto a medicina comparada pode ser útil para auxiliar no avanço científico da medicina veterinária e na melhor compreensão dos aspectos imunogênicos das alergias alimentares.

Testes alérgicos na avaliação da reação adversa aos alimentos em cães com dermatite atópica

Dr. Marconi Farias

Cães podem desenvolver alergias a diversos componentes alimentares, como frango, carne vermelha, ovo, trigo, leite, soja, entre outros. Dados apresentados pelo palestrante mostram que em gatos e cães com prurido crônico, a frequência de reações adversas ao alimento é de 15 a 20%, e em cães com atopia, de 19 a 33%.

Um estudo prospectivo realizado na Suíça por Picco et al. (2008) demonstra que a dermatite atópica induzida por alimentos ocorre mais frequentemente em cães de raças específicas, como Pug, Pastor Alemão, Shih Tzu, Lhasa Apso, Bulldog Francês, Sharpei e West Highland White Terrier, sendo que o início dos sintomas geralmente ocorre entre 1 e 3 anos de idade. Ao contrário dos felinos, cães geralmente têm a IgE envolvida na resposta imunológica ao alérgeno.

De acordo com o Dr. Marconi, o diagnóstico da reação adversa ao alimento deve ser realizado a partir da introdução de uma dieta com ingredientes inéditos e/ou hidrolisados, pois estes alimentos favorecem bastante a identificação do componente alimentar ao qual o animal apresenta a reação imunomediada. Entretanto, conforme apresentado na palestra anterior, ainda que a fonte alimentar seja inédita, é importante considerar a possibilidade de reação cruzada. A dieta hipoalergênica deve ser mantida por pelo menos 8 semanas, porém grande parte dos animais alérgicos apresentam melhora dos sintomas já nas primeiras semanas.

Alimentos comerciais apresentam como vantagem a segurança alimentar, o balanceamento energético-nutricional e a hidrólise de seus componentes em partículas de baixo peso molecular, que contribuem para diminuir expressivamente a deflagração mastocitária de histamina nos pacientes alérgicos.

Os testes alérgicos também estão disponíveis na medicina veterinária, sendo os testes de puntura (“prick test”) os mais comuns, nos quais se utilizam extratos com alérgenos alimentares a serem testados no animal. A partir do resultado de reatividade é possível selecionar uma dieta mais adequada para o paciente.

Cães com dermatite atópica mediada por alimentos também podem apresentar reação imunológica mediada por células ou inflamação do tipo 1. Neste caso, o teste ideal é o “patch-test” ou teste de contato. Em um trabalho publicado por Bethlehem et al. (2012) foi observado que o patch-test foi capaz de triar dietas restritivas em cães com prurido crônico em até 99% dos pacientes.

Uma tese de doutorado realizada por Possebom et al. (2020) e orientada pelo Dr. Marconi identificou, por meio da utilização tanto do prick-test quanto do patch-test, que os principais alérgenos alimentares nos pacientes estudados foram a proteína de frango, de soja, bovina e do peixe, e que ao se utilizar dieta restritiva com base nos resultados destes testes, houve remissão dos sintomas clínicos de alergia. A combinação dos dois tipos de teste permitiu a identificação da reação adversa ao alimento em até 80% dos cães estudados.

Apesar de os testes alérgicos de contato e de puntura com extratos alimentares não serem utilizados como diagnóstico das reações adversas aos alimentos, eles são úteis para auxiliar na escolha da dieta restritiva mais adequada para cada indivíduo. O palestrante finalizou afirmando que, futuramente, testes de alergia específicos com boas taxas preditivas positivas podem subsidiar a imunoterapia oral e a dessensibilização aos alérgenos alimentares em cães diagnosticados com alergia alimentar.

Qualidade de vida em crianças com dermatite atópica

Dra. Vânia Carvalho

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), “qualidade de vida” é um conceito amplo, definido como o bem-estar que o indivíduo sente em relação a sua vida. Ele inclui aspectos como padrão de vida, inserção na comunidade e na família. A qualidade de vida está relacionada às esferas social, física e emocional.

A dermatite atópica é uma enfermidade cujos sintomas e lesões influenciam diretamente a qualidade de vida dos pacientes pediátricos. Uma pesquisa realizada por Magin (2013) avaliou a ocorrência de bullying em crianças de acordo com diversas doenças que as acometiam. Indivíduos com atopia apresentaram frequência de bullying de 18 a 60%, dependendo da gravidade da doença. Aspecto visual, perturbações do sono e prurido excessivo são os principais fatores que afetam o bem-estar destes indivíduos. Como as crianças estão em uma importante fase de desenvolvimento da personalidade, o impacto vivido neste período pode causar sérias consequências em suas relações sociais a longo prazo.

Uma abordagem ampla envolvendo equipe multidisciplinar pode auxiliar no processo de educação terapêutica do paciente e na adoção de múltiplas estratégias que facilitem a convivência com a dermatite atópica. A educação terapêutica, ainda que não seja padronizada na medicina humana, geralmente envolve a disseminação de conhecimento sobre a doença, o desenvolvimento de habilidades práticas e também de habilidades relacionais. Grupos de apoio também se mostraram úteis para a melhora da qualidade de vida não apenas das crianças acometidas, mas também da família e cuidadores envolvidos.

Reação cruzada entre alérgenos alimentares nas reações adversas aos alimentos em gatos e cães: o que há de novo

Dr. Thierry Olivry

O renomado Dr. Thierry Olivry ministrou a palestra internacional sobre Dermatologia no Fórum Internacional ROYAL CANIN® 2021.

Em sua apresentação, ele definiu a reatividade cruzada como uma resposta imune a um alérgeno ou antígeno específico que causa uma reatividade secundária a outros alérgenos que são estruturalmente relacionados àqueles que induzem a resposta imune. Até mesmo fontes proteicas exóticas, como carne de crocodilo ou jacaré, não estão isentas do risco de reatividade cruzada. Em um dos estudos que participou (Bexley et al., 2018) foi possível observar a alta reatividade de IgE entre carnes de frango e de salmão no soro de cães com suspeita alérgica, substituição realizada com frequência na clínica de pequenos animais.

Por este motivo, as dietas de eliminação extensivamente hidrolisadas se apresentam como uma forma mais adequada de diagnóstico das reações adversas ao alimento, pois não apresentam o risco da reatividade cruzada.

Ainda na palestra, Olivry citou três importantes fatores que podem reduzir a sensibilidade de uma dieta comercial para o diagnóstico da reação adversa ao alimento, que são a possibilidade de contaminação cruzada de diferentes fontes protéicas durante o processo de fabricação do alimento, o grau de hidrólise da proteína utilizada na dieta hipoalergênica e a possível reação cruzada entre componentes alimentares que podem estar presente em mais de um tipo de ingrediente utilizado em sua composição.

Realizar mais estudos sobre os alérgenos de gatos e cães e avaliar a relevância clínica das reações cruzadas encontradas em laboratório são dois pontos-chave citados pelo palestrante para investigação futura em medicina veterinária.

Gastroenterologia em gatos e cães

A segunda metade do Fórum Internacional ROYAL CANIN® foi dedicada à Gastroenterologia em gatos e cães. As afecções gastrointestinais compreendem um amplo conjunto de doenças bastante frequentes na rotina clínica dos pets. Compreender os mecanismos fisiopatológicos e utilizar corretamente as ferramentas diagnósticas é fundamental para obter o diagnóstico correto e instituir tratamento adequado.

Confira um resumo das principais palestras apresentadas sobre este tema:

cão adulto da raça Border Collie

Insuficiência pancreática exócrina

Dr. Ricardo Duarte

A insuficiência pancreática exócrina (IPE) é uma das principais doenças crônicas observadas na clínica de cães. O pâncreas é um órgão metabólico que produz hormônios importantes como insulina e glucagon, e sua fração acinar produz o suco pancreático necessário para a digestão e absorção dos nutrientes.

A principal causa de IPE é a atrofia acinar pancreática, na qual os processos digestivos e absortivos ficam comprometidos. A doença acomete cães de todos os portes e se manifesta por volta dos 2 aos 5 anos de idade. Pacientes com IPE apresentam perda de peso, diarreia crônica, polifagia, coprofagia, aumento da frequência e volume fecal, fezes amareladas e presença de borborigmas e flatulência.

O diagnóstico da doença é confirmado pelo teste de imunorreatividade semelhante à tripsina sérica (TLI), e o tratamento é realizado com reposição enzimática com pancreatina para o resto da vida do animal. A dieta para estes pacientes deve ser altamente digestível, conter baixo teor de gordura e maior quantidade de fibras. A suplementação com cobalamina pode ser necessária, já que pacientes com IPE não produzem o fator intrínseco necessário para sua absorção.

De acordo com o Dr. Ricardo Duarte, os objetivos do tratamento são (a) promover ganho de peso até o cão atingir o escore corporal ideal, (b) interromper a diarreia e (c) eliminar a coprofagia.

Diagnósticos diferenciais de vômitos e diarreias em gatos e cães

Dra. Ana Rita Pereira

Vômitos e diarreias são manifestações clínicas muito inespecíficas e que podem estar associados a diversos órgãos e doenças. Descartar possíveis causas presentes fora do trato gastrointestinal deve ser o primeiro passo na investigação clínica.

Em cães, as enteropatias são muito mais frequentes do que as gastropatias. Embora ainda não exista um consenso na classificação das enteropatias, diversas nomenclaturas foram propostas.

Os sinais clínicos dependem de qual segmento do intestino se encontra afetado, e identificar qual segmento intestinal está acometido é essencial para um diagnóstico correto e uma abordagem terapêutica eficaz. A enteropatia responsiva à dieta ou a dermatite trofoalérgica devem sempre ser considerados como diagnósticos diferenciais.

Diversas são as ferramentas diagnósticas que podem ser empregadas na rotina clínica. Endoscopia, colonoscopia, ultrassonografia e biópsia para histopatológico são os principais exames que contribuem para um diagnóstico assertivo. A avaliação de biomarcadores intestinais, como folato, cobalamina e albumina também são importantes para a interpretação correta das possíveis afecções do trato gastrointestinal.

Hepatopatias em gatos e cães

Dra. Maria Carolina Pappalardo

Existe um grande número de afecções que podem acometer o fígado de gatos e cães. Na maior parte dos casos, a inflamação presente no parênquima hepático leva ao edema de hepatócitos e a colestase intrahepática, que evolui para fibrose e surgimento de anomalias vasculares que caracterizam a doença em seu estágio terminal. Postergar a insuficiência hepática é o principal objetivo da abordagem terapêutica nas hepatopatias.

As principais doenças apresentadas pela Dr. Maria Carolina em sua palestra, que foi dividida em duas etapas, foram:

Hepatite crônica em cães: doença inflamatória crônica que a longo prazo leva a insuficiência dos hepatócitos, pois o fígado é um órgão que apresenta um limite de regeneração. Inúmeras são as causas que podem levar ao desenvolvimento da doença. As manifestações clínicas geralmente incluem náuseas, letargia, icterícia, ascite, poliúria e polidipsia, vômitos, diarreia, dor abdominal e sinais de encefalopatia hepática.

Corticóides são utilizados no início do tratamento, e a dieta deve ser de alta digestibilidade principalmente em fases iniciais da doença. A Dra. Maria Carolina citou os alimentos Hypoallergenic® e Gastrointestinal® da ROYAL CANIN® como boas opções, e em estágios mais avançados da doença (na qual geralmente é recomendado diminuir a quantidade de proteínas), o alimento Hepatic® passa a ser mais indicado.

Leitura recomendada: Doenças hepáticas em cães – como a nutrição pode ajudar?

Doença do armazenamento do cobre em cães: doença crônica e silenciosa que causa destruição dos hepatócitos e na qual é fundamental se diferenciar outras possíveis causas de colestase.

O diagnóstico definitivo é feito por biópsia e o tratamento é instituído com o uso de quelantes de cobre, como o zinco elementar. A dieta Hepatic® é indicada nestes casos por apresentar em sua composição menor teor de cobre. Se possível, a palestrante ainda recomendou o uso de água destilada para estes pacientes.

Desvios portossistêmicos: podem ser congênitos ou adquiridos e, em cães, a principal raça acometida é o Yorkshire Terrier. As manifestações clínicas dependem da localização do desvio e da quantidade de sangue que é desviada. Uma das características mais importantes é o acúmulo de amônia no sangue, que leva à encefalopatia hepática.

A mensuração dos ácidos biliares é um exame laboratorial essencial para direcionar o diagnóstico da doença. A confirmação do diagnóstico é feita com exame de imagem (ultrassom ou tomografia, sendo esta mais indicada). O tratamento pode ser feito por cirurgia (quando possível), e a abordagem dietética com teor adequado de proteínas é fundamental para controlar a quantidade de resíduos nitrogenados gerados com a metabolização dos nutrientes.

Hepatopatias vacuolares em cães: apresentam como característica marcante o aumento significativo da fosfatase alcalina (FA), com ALT normal ou levemente aumentada. As causas mais comuns são as dislipidemias primária ou secundária à endocrinopatia, a obesidade, o hipercortisolismo e o uso de alguns fármacos. Algumas raças, como o Schnauzer, apresentam maior predisposição para a doença.

O tratamento dependerá da causa primária e deve ser individualizado de acordo com as comorbidades presentes em cada paciente. A abordagem nutricional deve considerar dieta com baixo teor de gordura.

Lipidose hepática em gatos: doença que geralmente acomete felinos obesos que perderam mais de 25% do peso. Pode ser primária ou secundária e se caracteriza por uma mobilização excessiva de gordura periférica para o fígado na presença de altas concentrações do hormônio lipase hormônio sensível (LHS), que é estimulado no jejum prolongado.

O tratamento deve ser a realimentação gradual do paciente com dieta de alta densidade energética com o objetivo de interromper o processo de lipólise.

Saiba mais sobre a lipidose hepática em gatos

Enteropatias responsivas a dieta

Dr. Fabio Teixeira

De acordo com o Dr. Fábio, as enteropatias responsivas à dieta representam grande parte dos casos observados na rotina clínica. A dieta de eliminação é a forma de diagnóstico terapêutico indicada para identificar as possíveis reações alimentares que podem acontecer com a quebra da tolerância oral.

Se antes se preconizava o uso de dietas caseiras, hoje os estudos mostram que este tipo de dieta pode apresentar desvantagens que devem ser consideradas pelo Médico-Veterinário, como o fato de grande parte dos tutores não seguirem à risca o manejo alimentar prescrito em consultório, além de apresentar alto custo e muitas vezes dificuldade de acesso a tipos de ingredientes não-convencionais. Além disso, o uso de ingredientes limitados apresenta grande risco de deficiência nutricional ao paciente.

As dietas com proteína hidrolisada como a Hypoallergenic® da ROYAL CANIN são amplamente utilizadas como forma de diagnóstico, pois seus componentes não agem como antígenos e não deflagram resposta imunológica pelos mastócitos, auxiliando no diagnóstico correto e na manutenção deste pacientes, que provavelmente irão necessitar deste tipo de dieta para o resto da vida.

Casos clínicos na gastroenterologia

Dr. Paulo Renato Costa

Para dar sequência ao dia de palestras, o Dr. Paulo Costa apresentou alguns casos clínicos de sua rotina para estimular o raciocínio clínico dos participantes. O palestrante reforçou que ao atender um paciente com manifestações gastrointestinais, o primeiro a se fazer é a identificação correta do paciente e uma anamnese detalhada. Questionar o tutor sobre como e quando os sintomas iniciaram, classificar se é agudo ou crônico e considerar a raça do cão e sua faixa etária são informações importantes que podem auxiliar no direcionamento do diagnóstico correto.

Os casos apresentados na palestra foram de pacientes diagnosticados com miotonia congênita, enteropatia responsiva à dieta, tricobezoar, enterite granulomatosa associada a linfangiectasia intestinal e colite granulomatosa ou ulcerativa histiocítica.

O manejo da disbiose intestinal

Dr. Jan Suchodolski

A palestra internacional de Gastroenterologia foi ministrada pelo Dr. Jan Suchodolski. Ele abordou em detalhes o manejo da disbiose intestinal em pets.

A microbiota intestinal e sua relação com o hospedeiro exercem papel de extrema relevância no metabolismo e na saúde de gatos e cães. A disbiose se instala quando há um desequilíbrio desta relação, além de possíveis alterações que podem ocorrer na estrutura da mucosa intestinal. A presença de disbiose geralmente indica que há uma doença gastrointestinal subjacente.

O uso de medicamentos como antibióticos e inibidores da bomba de prótons (como o omeprazol) nos casos de disbiose intestinal vem sendo questionado e muitas vezes contraindicado por potencialmente apresentar impacto negativo no microbioma, favorecendo ainda mais a disbiose. De acordo com o palestrante, existem diversos tratamentos possíveis para esta afecção, mas a intervenção dietética deve ser a primeira escolha a ser considerada. Outras abordagens terapêuticas incluem o uso de prebióticos, probióticos e transplante fecal, e elas podem ser utilizadas como terapia complementar à dieta.

Introduzir um alimento altamente digestível é de extrema importância na disbiose, pois desta forma haverá menos substrato disponível para o crescimento bacteriano no lúmen intestinal. A presença de fibras na dieta contribui para a saúde do intestino por serem digeridas pelas bactérias intestinais, que a partir delas geram ácidos graxos de cadeia curta, importantes fontes de energia para os colonócitos. A combinação de nutrientes específicos auxilia na manutenção de uma barreira intestinal funcional e saudável. De acordo com o palestrante, os alimentos hidrolisados formulados para pacientes com reação adversa ao alimento podem ser uma opção bastante interessante na abordagem nutricional do paciente com disbiose.

Este foi um resumo do conteúdo apresentado no 5º Fórum Internacional da ROYAL CANIN®! Esperamos ter contribuído para seu conhecimento e para a atualização dos principais temas discutidos no universo da dermatologia e gastroenterologia veterinária.

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Até o próximo Fórum Internacional!

Referências apresentadas nas palestras

BETHLEHEM, S.; BEXLEY, J.; MUELLER, R.S. Patch testing and allergen-specific serum IgE and IgG antibodies in the diagnosis of canine adverse food reactions. Vet Immunol Immunopathol, 2012.

BEXLEY, J.; KINGSWELL, N. J.; OLIVRY, T. Serum IgE cross-reactivity between fish and chicken meats in dogs. Vet Dermatology, 2018.

FRAVOT, C., STEFFAN, J., SEEWALD, W. et al. Establishment of diagnosis criteria for feline nonflea-induced hypersensitivity dermatitis. Veterinary Dermatology, 2021.

GASCHEN, F.; MERCHANT, S. Adverse food reactions in dogs and cats. Vet Clin North Am Small Anim Pract, 2011.

HALLIWELL, R.; PUCHEU-HASTON, C.M.; OLIVRY, T. et al. Feline allergic diseases: introduction and proposed nomenclature. Vet Dermatology, 2021.

HOBI, S.; LINEK, M.; MARIGNAC, G. et al. Clinical characteristics and causes of pruritus in cats: a multicentre study on feline hypersensitivity-associated dermatoses. Vet Dermatology, 2011.

MAGIN, P. Appearance-related bullying and skin disorders. Clin Dermatol, 2013.

NUTTALL, T.; MARSELLA, R.; ROSENBAUM, M.; GONZALES, A.J.; FADOK, V.A. Update on pathogenesis, diagnosis, and treatment of atopic dermatitis in dogs. J Am Vet Med Assoc, 2019.

OLIVRY, T.; SARIDOMICHELAKIS, M.; NUTTALL, T. et al. Validation of the Canine Atopic Dermatitis Extent and Severity Index (CADESI)-4, a simplified severity scale for assessing skin lesions of atopic dermatitis in dogs. Vet Dermatology, 2014.

POSSEBOM, J. CRUZ, A.; GMYTERCO, V.; MARCONI, F. Association of prick-and-patch test in the evaluation of adverse food reaction in dogs with allergic dermatitis. Vet Dermatology, 2020.

SOLE, D.; SILVA, L.R.; COCCO, R.R. et al. Consenso Brasileiro sobre Alergia Alimentar: 2018 – Parte 1: Etiopatogenia, clínica e diagnóstico. ASBAI, 2018.

STEFFAN, J.; OLIVRY, T.; FORSTER, S.L.; SEEWALD, W. Responsiveness and validity of the SCORFAD, an extent and severity scale for feline hypersensitivity dermatitis. Vet Dermatology, 2012.