Como minimizar os riscos de distúrbios gastrointestinais em gatos

publicado em: 14/10/2020

Alguns dos principais problemas no trato gastrointestinal (TGI) de gatos podem ser evitados ou até minimizados por meio de conduta terapêutica específica associada ao manejo adequado

 

Existem diversos problemas no TGI de gatos acompanhados de distintas etiologias. As causas dos distúrbios digestivos mais comuns são variadas e podem envolver aspectos de manejo ou até mesmo doenças hereditárias, congênitas ou adquiridas. Em todos os casos, o diagnóstico preciso é fundamental para traçar a melhor conduta terapêutica. Porém, não raramente o Médico-Veterinário se depara com distúrbios no TGI que poderiam ser evitados ou até minimizados se o manejo adequado tivesse sido estipulado.

 

Segue uma lista sucinta dos problemas no TGI de felinos com dicas práticas para auxiliar a prevenção de sua ocorrência: 

 

  • Sensibilidade no TGI

 

O gato com sensibilidade no TGI é aquele paciente que apresenta alterações recorrentes nesse sistema sem uma causa base aparente ou diagnosticada. Os sinais clínicos mais frequentes são vômito ou regurgitação, diarreia ou constipação e alterações no apetite. Outros sinais como dor abdominal, perda de peso e letargia também podem ser encontrados. O manejo adequado para esses pacientes é fundamental na tentativa de prevenir novos episódios gastrointestinais. 

 

Assim, orientar o tutor quanto a evitar ambientes estressantes ou situações que levam à agitação excessiva do animal, removendo-o da sua de segurança e conforto, devem ser recomendadas. Além disso, uma alimentação de altíssima digestibilidade também deve ser prescrita. O alimento completo e balanceado para gatos com sensibilidade no TGI é composto por proteína de elevada assimilação, fibras prebióticas, amido de alta digestão e ácidos graxos do tipo EPA e DHA (ômega 3). O fornecimento de um perfil nutricional adequado aos gatos sensíveis é de suma importância para auxiliar a prevenção das manifestações de problemas gastrointestinais. 

 

  • Bolas de pelos

 

Em muitos casos, a origem da alteração está relacionada a ingestão excessiva de pelos. Sabemos que faz parte do hábito dos felinos a auto-higienização. Porém, principalmente em casos de estresse e sedentarismo a auto-higienização pode se tornar excessiva e a ingestão de pelos pode ocasionar vômito, regurgitação, constipação, desconforto abdominal, hiporexia/anorexia e até o óbito. Os pelos ingeridos podem formar a bola em qualquer parte do TGI levando à obstrução parcial ou total do segmento acometido. 

 

Algumas estratégias a fim de ajudar a evitar a formação das bolas de pelo são a escovação da pelagem pelo menos 3x por semana e a prescrição de uma alimentação apropriado para esses casos. O perfil nutricional do alimento objetiva ajudar a prevenção da formação das bolas de pelos, tendo em vista que, uma vez formadas, apresentam um risco iminente de obstrução. Portanto, o alimento deve conter fibras como o Psyllium que auxiliarão na eliminação natural dos pelos nas fezes, auxiliando, assim a evitar que a bola de pelo seja formada. 

 

  • Gastroenterite aguda

 

Dentre as diversas causas das gastroenterites agudas estão as parasitárias, ingestão de alimentos estragados ou tóxicos, manejo alimentar inadequado, trocas alimentares bruscas, ingestão de corpo estranho ou plantas tóxicas, estresse, alergias alimentares entre outras. A maior parte das gastroenterites agudas levarão a sinais clínicos como vômito, diarreia, letargia e, em casos mais crônicos, perda de peso significativa. Após o diagnóstico e a detecção da causa, o tratamento médico deve ser conduzido. Em muitos dos casos acima citados o manejo ambiental e alimentar adequados devem ser minuciosamente orientados ao tutor. O ambiente em que o gato vive e tem acesso deve ser livre de plantas tóxicas e/ou matérias orgânicas ou não inapropriadas para a espécie que possam ser ingeridas. 

 

Além disso, o enriquecimento ambiental por meio de brinquedo para gatos, prateleiras, arranhadores e outros objetos que contribuam para que o gato consiga expressar seus hábitos é fundamental para mitigar o estresse. O manejo alimentar adequado, com o comedouro posicionado distante da liteira, bebedouro e equipamentos barulhentos, como máquina de lavar, por exemplo, são importantes para estimular a alimentação. A quantia do alimento a ser oferecido deve seguir a tabela de racionamento a fim de garantir que todos os nutrientes necessários sejam consumidos em quantidade ideal. Os gatos diagnosticados com alergia alimentar devem receber um alimento coadjuvante ao tratamento, altamente digestível, com proteína hidrolisada e ácido graxos EPA e DHA (ômega 3). 

 

Os distúrbios no TGI de gatos são frequentes e muitos deles podem ser minimizados ou até mesmo evitados com manejo ambiental e alimentar apropriados.  O alimento correto pode auxiliar a aliviar esses problemas.

 

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Referências bibliográficas

 

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