Desafios na nutrição de filhotes

publicado em: 01/07/2020

Priscila Rizelo
Coordenadora de Comunicação Científica – ROYAL CANIN® do Brasil

 

Gatos e cães, sempre cheios de energia, vigor e entusiasmo passam por um período extremamente importante durante a sua fase de crescimento. A nutrição que o filhote recebe é um ponto crítico e terá influência direta em sua saúde quando adulto. Equívocos cometidos durante a fase de desenvolvimento podem afetar a saúde e o bem-estar desses animais por toda a vida. 

 

Pesquisas científicas confirmam que as necessidades nutricionais básicas dos filhotes diferem dos adultos. Atualmente, está documentado também que o porte do cão influencia na duração da fase de crescimento e que gatos possuem duas fases de crescimento distintas.

 

DESENVOLVIMENTO DO SISTEMA IMUNOLÓGICO

 

Ao contrário dos humanos em que o recém-nascido recebe anticorpos protetores da mãe por transferência placentária, filhotes de gatos e cães recém-nascidos, que têm uma barreira placentária mais complexa do que os humanos, recebem os primeiros anticorpos ao ingerir o colostro da mãe. Estes são absorvidos durante as primeiras 24 horas de vida e fornecem proteção imunológica sistêmica para o filhote durante as primeiras semanas de vida, enquanto suas próprias defesas estão sendo estabelecidas. Sem os anticorpos de origem materna, o neonato rapidamente fica susceptível a infecções e pode ir a óbito. No entanto, apesar de essencial para a sobrevivência, a presença dos anticorpos maternos também interfere para que o filhote desenvolva sua própria resposta imune na resposta às vacinas convencionais. Esses anticorpos maternos têm uma vida útil finita e, portanto, se degradam, permitindo que o filhote substitua os anticorpos maternos por anticorpos que ele mesmo produz. Somente quando os anticorpos maternos estão suficientemente degradados é que o filhote é capaz de gerar sua própria resposta imune adaptativa à memória protetora à vacina.

 

O período em que o filhote não está mais protegido pelos anticorpos maternos, mas ainda não possui anticorpos suficientes para se proteger é chamado de janela imunológica. Em uma ninhada, ou em ninhadas distintas, cada indivíduo absorve diferentes quantidades de colostro. Essencialmente, isso significa que o momento da janela imunológica varia de um animal para outro, e cada um torna-se capaz de responder à vacinação em momentos diferentes. O indivíduo da ninhada que recebeu menos colostro pode ser capaz de responder à vacinação às 8 semanas de idade, enquanto outros ainda podem ter anticorpos maternos persistentes até 12 semanas de idade ou mais. É por isso que a WSAVA (World Small Animal Veterinary Association) recomenda a última dose de vacinas essenciais para filhotes com 16 semanas de idade ou mais (1).

 

Por volta de 2 a 4 meses de idade, os filhotes e seu sistema imunológico são muito desafiados, já que é nessa época que a maioria deles passa por situações de estresse como mudança de casa, separação da mãe e dos irmãos de ninhada, mudança de dieta e vacinação.

 

A alimentação do filhote pode apoiar o desenvolvimento das suas defesas naturais através de antioxidantes para a proteção de suas células contra a ação dos radicais livres. Para se proteger de danos oxidativos maciços derivados de forma autógena, os fagócitos requerem maiores concentrações de antioxidantes que são degradados e rapidamente reabastecidos durante a explosão respiratória. Os antioxidantes mais importantes são a vitamina C, vitamina E, luteína e taurina.

 

CRESCIMENTO

 

As curvas de crescimento de gatos e cães são diferentes. Enquanto em gatos há duas curvas características de crescimento, cães já apresentam curvas específicas para cada porte.

 

Em gatos até os 4 meses de vida o crescimento é intenso e rápido, requerendo um alimento mais energético. Dos 4 aos 12 meses de vida, o gatinho ainda está crescendo, mas mais lenta e gradativamente, tornando-se necessária uma alimentação com um teor energético moderado.

 

Em cães, a variação é ainda maior. Cães miniatura e pequenos completam o crescimento entre 8-10 meses de vida, cães médios aos 12 meses, grandes entre 15-18 meses e gigantes de 18-24 meses. Com isso, os requerimentos nutricionais devem atender, especificamente, cada curva de crescimento tão própria e distinta de cada porte. A necessidade energética de cães filhotes podem ser até duas vezes maior do que um adulto do mesmo porte (2).

 

Filhotes tem uma necessidade maior de proteínas do que os adultos, principalmente nas primeiras 14 semanas de vida, onde o crescimento é mais intenso. Um aporte insuficiente de proteínas resultará em um crescimento e desenvolvimento deficientes. Não só a quantidade deve ser adequada, mas o perfil da proteína – atendendo ao fornecimento dos aminoácidos essenciais – também é importante.

 

A gordura é uma importante fonte de energia durante o crescimento, sendo uma fonte concentrada de ácidos graxos. Dentre os essenciais, destacamos o ácido docosaexanoico (DHA) e o ecosapentaenoico (EPA) da série ômega 3, e ao ácido linoleico (LA) e araquidônico (AA) da série ômega 6. Eles atuarão sobre o desenvolvimento do filhote e a qualidade de pele e pelagem, respectivamente. 

 

Dentre os micronutrientes, destacamos a importância tanto da quantidade adequada quanto o equilíbrio ideal dos minerais Cálcio e Fósforo. Eles têm um papel importante na formação ativa de ossos e dentes durante a fase de crescimento. A deficiência de algum destes minerais pode acarretar malformações e a não mineralização óssea.  Raças de porte grande são mais suscetíveis aos excessos, o que se faz necessário um controle mais rigoroso e a correta orientação aos tutores.

 

DIGESTÃO SENSÍVEL

 

Perturbações digestivas são frequentes quando o assunto são os filhotes. Eles são sensíveis a problemas digestivos por várias razões. Com o passar das semanas, a capacidade digestiva do filhote à lactose diminui, enquanto a capacidade de digestão do amido aumenta (Figura 1). Este é o momento do desmame. Eles também são propensos a obter parasitas intestinais da mãe que podem causar diarreia. Além disso, como o sistema imunológico não está totalmente amadurecido, são mais susceptíveis à vírus causadores de gastroenterite, como o parvovírus.

 

Figura 1: Capacidade digestiva do filhote à lactose e ao amido

 

Alimentos com proteínas de alta digestibilidade, conteúdo e mix adequado de fibras solúveis e insolúveis e prebióticos são fundamentais para uma ótima qualidade das fezes. O adequado processamento das matérias primas, como moagem e o processo de gelatinização do amido, e a quantidade de alimento oferecido ao filhote também tem influência direta na saúde digestiva.

 

MUDANÇA DA DIETA

 

O tamanho das porções das diferentes opções de dietas pode variar, pois cada alimento terá uma densidade calórica. Assim, é recomendável sempre prescrever a transição gradual de um tipo de alimento a outro, que geralmente tem a duração média de 7 dias.

 

IMPORTÂNCIA DA VARIEDADE

 

É durante as primeiras semanas de vida que ocorre a fase de socialização dos filhotes sendo da 4-12ª semana de vida no cão e entre a 3-8ª semana de vida no gato.

 

Este é o período que estão mais receptivos a aprender e conhecer coisas novas e é o melhor momento para terem contato com variedades de texturas e formatos de alimentos, por exemplo alimento seco e alimento úmido. Alguns animais, principalmente gatos, podem desenvolver neofobia alimentar caso não tenham sido apresentados à novas texturas de alimentos quando filhotes. 

 

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Referências:

  1. WSAVA - World Small Animal Veterinary Associatio: Diretrizes para a vacinação de cães e gatos, 2015, 50 p.
  2. NATIONAL RESEARCH COUNCIL - NRC. Nutrient requirements of dogs and cats. Washington, D.C: National Academy Press, 2006.
  3. CRESPILHO, A.M., et al. Abordagem terapêutica do paciente neonato canino e felino: 1. Particularidades farmacocinéticas. Rev Bras Reprod Anim, Belo Horizonte, v.30, n.1/2, p.3-10, jan./jun. 2006.
  4. PRATS, A. Farmacologia e terapêutica veterinária. In: Prats A. (Ed.). Neonatologia e pediatria canina e felina. Madri: Interbook,p.270-3001,2005.