DOENÇAS PARASITÁRIAS EM FILHOTES

publicado em: 12/11/2018
    INTRODUÇÃO

 

O filhote recém-nascido depende das células de defesa da mãe para desenvolver seu próprio sistema imunológico. É durante as primeiras 24 horas que o filhote ao mamar o leite da mãe, também denominado de colostro, adquire estas células de defesa, chamadas anticorpos. A proteção inicial materna tem uma curta duração e se estabelece apenas nas primeiras semanas de vida, após este período, cabe ao filhote sozinho estabelecer e amadurecer seu sistema imunológico para lutar contra agentes agressores. Desde a diminuição da proteção das células de defesa vindas da mãe até a sua completa vacinação, temos um período que chamamos de “janela imunológica”. É neste período em que o filhote fica mais propenso às doenças como as parasitoses, por isso, precisamos protegê-lo ao máximo de contato com possíveis patógenos e garantir a nutrição ideal para seu fortalecimento.

 


PARASITOSES MAIS COMUNS EM FILHOTES DE CÃES E GATOS
 

Podemos dividir as parasitoses em dois grandes grupos: as endoparasitoses, que são aquelas em que o parasita se localiza dentro do organismo do animal, e as ectoparasitoses, nas quais os parasitas situam-se na parte externa do corpo. Iremos abordar uma pouco de cada uma delas mais adiante.


 

ENDOPARASITOSES
 

As parasitoses intestinais são as mais comumente encontradas em filhotes de cães e gatos trazendo riscos para a saúde do animal. Apesar de estarem preferencialmente alocados no intestino, os parasitas podem migrar para outros órgãos como coração, estômago, rim e pulmão.  



A maior prevalência de carga parasitária em filhotes é encontrada no período de cinco a oito semanas de vida. Geralmente, apresentam consequências clínicas muito semelhantes, incluindo menor digestão e absorção de nutrientes, perda de apetite, perda de peso, fraqueza, pelos eriçados e sem brilho, aumento de volume abdominal, dor, vômitos, anemia, fezes amolecidas e algumas vezes com sangue. Animais com alta infestação de parasitas podem chegar a óbito devido à consequência e à evolução dos sinais clínicos. Dentro deste grupo encontramos alguns parasitas de maior frequência, são eles:

 


Os vermes redondos, também conhecidos como nematoides, têm formato cilíndrico e com pele firme, elástica e sem divisões. O Toxocara spp e o Ancylostoma spp são os maiores representantes deste grupo. A infecção por Ancylostoma spp pode ocorrer por via oral, através da ingestão de larvas do parasita ou contato das mesmas através da pele. O Toxocara spp também vive no intestino do cão e do gato e é adquirido através da ingestão de ovos do parasita eliminados nas fezes. Gatos podem contrair o parasita pela ingestão de outros hospedeiros, como o rato. Animais jovens chegam a apresentar diarreia com sangue, chegando até ao óbito em filhotes muito jovens. A transmissão destes agentes também se dá através da placenta e durante a amamentação, na qual a larva é repassada da mãe para o filhote.



Outro grupo observado é o dos vermes de formado achatado, conhecidos também como cestoides, cuja aparência é semelhante a uma fita. O representante mais comum deste grupo é a tênia Dipylidium caninum, cuja infecção se dá através da ingestão de pulgas contaminadas com o parasita.

 

Uma frequência bastante elevada de parasitoses em filhotes também está dentro do grupo dos protozoários, dos quais podemos destacar: Cystoisospora spp, Cryptosporidium spp, Isospora spp e o Tritrichomonas foetus, sendo este último como causa importante de diarreia em gatos.

 

Entretanto, devemos destacar uma doença intestinal muito comum em cães e gatos filhotes, a Giardíase. Trata-se de uma parasitose causada pelo protozoário Giardia spp que pode ser transmitida para o ser humano. A contaminação ocorre através da ingestão de cistos eliminados por animais infectados e que contaminam a água, alimentos e fômites. Sua disseminação é rápida e de difícil controle. Os sinais clínicos são bastante variáveis, sendo a diarreia intermitente ou persistente com odor rançoso e presença de muco de maior frequência.


 

ECTOPARASITOSES


São infestações causadas por parasitas que se localizam na região externa do corpo do animal e, que podem causar alergia e dermatites, além da transmissão de doenças. Pulgas e carrapatos são os principais representantes deste grupo, são hematófagos, ou seja, se alimentam do sangue do cão ou do gato. Filhotes com grande infestação de ectoparasitas podem apresentar principalmente anemia, irritação cutânea e perda de pelo.


 

COMO A ALIMENTAÇÃO PODE AJUDAR?


O objetivo específico da alimentação do filhote é atingir um crescimento saudável, fortalecer a imunidade e minimizar problemas quando adulto. Crescer é uma combinação de fatores genéticos, nutricionais e ambientais. Queremos um animal forte e com boa capacidade de recuperação em casos de doenças. A nutrição desempenha um forte papel no desenvolvimento do sistema imune, por meio do fornecimento do macro e micronutrientes necessários para esta fase de vida.

 

O alimento deve auxiliar as defesas naturais do filhote, como a presença de ácidos graxos, exemplo o DHA, que ajudam a manter o desenvolvimento cerebral do filhote. Recomenda-se também a combinação de antioxidantes que também suportam o sistema imune em amadurecimento, além do balanceamento de proteínas altamente digestíveis, vitamina e minerais. A composição do alimento deve apresentar uma ótima digestibilidade e desempenhar equilíbrio da microbiota intestinal através de fibras e prebióticos.


 

 

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