PERGUNTAS FREQUENTES FEITAS POR VETERINÁRIOS SOBRE OBESIDADE

publicado em: 25/07/2018

1. Por que o veterinário deve se importar com um paciente obeso?

 

A obesidade atualmente é considerada uma doença inflamatória de baixa intensidade que pode ocasionar consequências negativas para a saúde do animal. Animais com sobrepeso ou obesidade podem apresentar expectativa de vida menor do que animais com escore de condição corporal ideal, além de menos qualidade de vida e bem-estar. Muitos tutores relatam que nunca ouviram do médico-veterinário que seu cão ou gato estava obeso e todos os riscos envolvidos no não tratamento deste quadro. O manejo nutricional é a melhor forma de prevenção e faz parte de um ótimo atendimento clínico para o paciente e seu tutor.

 

2. Nunca tive sucesso em protocolo de perda de peso com meus pacientes. O que posso fazer?

 

O princípio da perda de peso inclui a restrição energética baseada no requerimento diário do animal em seu peso ideal. Para isso, é necessário que o alimento específico forneça todos os nutrientes requeridos, porém, com menos calorias, evitando deficiências nutricionais. Deve-se atentar que dietas do tipo “light” não são formuladas para perda de peso. Superestimar o peso corporal ideal é uma das principais razões de insucessos em protocolos de perda de peso. O volume da dieta prescrita também é importante e depende da densidade energética do alimento, quanto maior a energia por 100g de alimento, menor o volume da porção prescrita. Dietas para perda de peso apresentam baixa densidade energética e maior quantidade de fibras, mantendo um volume satisfatório da porção diária de alimento oferecida. O alimento para perda de peso não deve ser trocado durante o processo de emagrecimento, uma vez que pode haver diferença na energia metabolizável final e haveria necessidade de novo ajuste em quantidade diária. O descontrole do tipo de alimento e quantidade são também razões para o fracasso de protocolos de emagrecimento. Por último, o volume de alimento oferecido deve ser restrito apenas à quantidade calculada pelo médico-veterinário. Recomenda-se a utilização de balanças para pesar a porção de alimento fornecida, a utilização de medida caseira (como copo ou xícaras) e medidas aproximadas não são indicadas e podem fornecer mais calorias do que o animal precisa para emagrecer.

 

3. Como realizar protocolo de perda de peso para um animal que vive em um ambiente com outros cães e gatos?
 

Implementar um protocolo de perda de peso para um animal que vive com outros pets em um mesmo ambiente pode ser desafiador. Temos algumas dicas para este manejo:

  • Alimentar os animais em espaços separados, de forma que para o animal obeso possa ser oferecido o alimento específico para a perda de peso.
  • Alimentar os animais no mesmo ambiente, porém com supervisão para que um animal não coma o alimento do outro. Sugere-se retirar os potes de comida assim que todos pararem de comer.
  • Servir as refeições em momentos diferentes para cada pet.
  • Fornecer o alimento do animal com escore de condição corporal normal em locais nos quais o animal com sobrepeso não consiga alcançar. Para gatos, o alimento pode ser oferecido em locais elevados ou em caixas com aberturas pequenas impedindo que o animal obeso alcance.

Para filhotes, o oferecimento de alimento deve ser cuidadosamente monitorado. O filhote não deve ingerir a dieta do adulto para perda de peso e vice-versa.

 

 

                     Figura 1. Oferta de alimento para animais com ECC diferentes (Veterinary Focus 2008)

 

 

4. Como aumentar a atividade física em gatos obesos?


A inclusão de atividades físicas no planejamento para perda de peso de um animal é um fator fundamental no sucesso do programa e, deve ser ajustado conforme condição de cada paciente. Limitações físicas e o porte do cão e do gato devem ser levados em consideração, assim como a idade e possíveis problemas de saúde. O ideal é aumentar a atividade física gradualmente e tornar um hábito regular e diário na vida do animal. O tipo de atividade física vai depender especificamente do pet e deve ser planejada de maneira individual.

Alguns métodos utilizados para aumentar a atividade física em gatos obesos são:

  • Aumentar a duração e a frequência das brincadeiras ao longo do dia.
  • Incentivar o gato a se exercitar sozinho.
  • Incentivar movimentos por meio de agrados.

Ao iniciar a inclusão de atividade física, recomenda-se começar com duas ou três atividades curtas de 2 a 3 minutos cada, fazendo com o que gato se acostume e não sobrecarregue o tutor. Uma vez que as atividades foram incluídas diariamente e o animal ficou mais acostumado, a intensidade e a duração de atividade física podem aumentar gradualmente. Brinquedos são ótimas ferramentas para estimular atividade física do pet.

 



Figura 2. Alguns brinquedos são ótimos para estimular a atividade física e melhorar o comportamento do gato (Veterinary Focus 2008).

 

 

5. Desde a perda de peso, o cão/gato se tornou hiperativo!
 

Animais com sobrepeso tendem a apresentar atividade reduzida e menor frequência de brincadeiras. Um animal em condição corporal ideal, por outro lado, é um animal que brinca mais e prefere interagir com o tutor em sua rotina. É esperado que com a perda de peso o animal retorne progressivamente ao seu nível normal de atividade e se torne mais notável. Esta mudança é perfeitamente normal e desejável, mostrando uma melhora na qualidade de vida do cão e do gato. Este comportamento deve ser distinguido do comportamento de agressividade ou de um animal ansioso, que devem ser evitados.  
 

 

 

 

    REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

 

  • ADAPTADO DE: YAGUIYAN-COLLIARD, L. et al. Tackling obesity in cats. Veterinary Focus-, v. Special Ed, n. 1, p. 49–56, 2008.