OBESIDADE EM GATOS APÓS A CASTRAÇÃO

publicado em: 16/07/2018

 

    INTRODUÇÃO


Sabe-se que a castração influencia em mudanças fisiológicas e comportamentais que predispõe a obesidade nos gatos (LARSEN, 2017) . O aumento da ingestão de alimento é um fator de risco após a castração. Por isso, estímulo para atividade física associado à mudanças no manejo alimentar podem ser a chave para o controle do ganho de peso nesta fase da vida (COLLIARD et al., 2009).
 

Alguns estudos, que tiveram a castração como fator de risco para a obesidade, verificaram aumento na ingestão de alimento em animais submetidos à cirurgia de castração (FETTMAN et al., 1997). Gatos castrados com alimentação ad libitum apresentaram aumento de peso e maior porcentagem de gordura corporal (HARPER et al., 2001). O aumento da massa gordurosa junto do ganho de peso são os principais responsáveis pela obesidade em gatos castrados (ALEXANDER et al., 2011).
 

Gatos machos castrados ganharam 30,2% de peso entre 1 a 3 meses pós-castração, enquanto gatos inteiros apresentaram ganho de peso de 11,8% neste mesmo período. Para fêmeas, o resultado foi de 40% de ganho de peso para gatas castradas versus 16,1% para fêmeas inteiras (FETTMAN et al., 1997). Houve aumento da ingestão de alimento quase que imediatamente após a cirurgia de castração. O ganho de peso médio em massa gorda foi de aproximadamente 28%. (KANCHUK et al., 2003)
 

Observou-se um aumento na ingestão de alimento e diminuição do gasto energético, apesar deste último não diferenciar em valor significativo para diversos estudos que comparam gatos castrados de gatos inteiros (KANCHUK et al., 2003).
 

Demonstrou-se que menos calorias foram requeridas para manter o peso corporal em gatas castradas quando comparadas a fêmeas inteiras. A atividade física também se mostrou 60% menor no grupo de fêmeas castradas para o período diurno e 33% menor em período noturno (BELSITO et al., 2009).
 

O livre acesso ao alimento, consumo ad libitum, favorece a maior ingestão alimentar em 17% após 10 semanas da castração cirúrgica. Gatos filhotes castrados continuaram a acumular peso, apresentando-se 24% mais pesados com um ano de idade do que os gatos inteiros com o mesmo tempo de vida (ALEXANDER et al., 2011). Alguns gatos chegaram a precisar de uma redução de até 50% da quantidade calórica ingerida para a manutenção de peso após a castração (HARPER et al., 2001).
 

O ganho de peso pode ser evitado através de dois pontos principais: adequação na quantidade diária de alimentos mais o aumento da atividade física estimulada.

 


Figura 1. Fatores de risco para obesidade em gatos obesos


 


MECANISMOS DO AUMENTO DA INGESTÃO DE ALIMENTO
 

Após a castração, observam-se mudanças hormonais que influenciam no ganho de peso e maior ingestão de alimentos nos felinos. Temos maior impacto na resposta do hormônio colecistoquinina (BACKUS; KANCHUK; ROGERS, 2006), aumento da prolactina, do fator de crescimento dependente de insulina e elevação dos níveis de leptina (MARTIN et al., 2001). Por outro lado, temos diminuição na concentração de hormônios como testosterona e estrógeno. Encontrou-se redução significativa de estradiol em gatos após a castração, aparentando ser um dos fatores de influência no aumento de ingestão de alimento (BACKUS, 2011) .
 

 

MANEJO NUTRICIONAL DO GATO CASTRADO
 

A ingestão de alimento é o fator chave para o ganho de peso após a castração. Recomenda-se os ajustes na quantidade de alimento oferecida, porções controladas, assim como o seu fracionamento ao longo do dia (LARSEN, 2017). Deve-se evitar o oferecimento ad libitum, aumentar a ingestão de fibras e reduzir a ingestão energética (LOUREIRO et al., 2017). A utilização de brinquedos ou “food puzzles” pode ser útil para minimizar a velocidade de consumo do alimento. O aumento da atividade física é interessante para evitar a restrição de alimento muito severa (BROOKS et al., 2014).
 

Uma peça chave para o sucesso do manejo nutricional é o engajamento e instrução do tutor do gato. Estudos mostram que tutores tendem a subestimar o escore de condição corporal do seu pet, contribuindo para o desenvolvimento da obesidade (COLLIARD et al., 2009). Além disso, mostrou-se que 80% dos tutores de gatos fornecem alimento ad libitum aos seus animais (DONOGHUE; SCARLETT, 1998). Sendo assim, a educação nutricional do tutor deve incluir a monitoração do ganho de peso, identificação correta do escore de condição corporal e acompanhamento veterinário para ajustes nas quantidade de alimentos (LARSEN, 2017). A prevenção é preferível para evitar ganho de peso e para a manutenção da massa magra.
 


 


Figura 2. Fatores envolvidos no manejo da obesidade em gatos castrados


 

    REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

 

  • ALEXANDER, L. G. et al. Effects of neutering on food intake, body weight and body composition in growing female kittens. British Journal of Nutrition, v. 106, n. S1, p. S19–S23, 2011.
  • BACKUS, R. Plasma oestrogen changes in adult male cats after orchiectomy, body-weight gain and low-dosage oestradiol administration. The British journal of nutrition, v. 106 Suppl, n. September 2010, p. S15-8, 2011.
  • BACKUS, R. C.; KANCHUK, M. L.; ROGERS, Q. R. Elevation of plasma cholecystokinin concentration following a meal is increased by gonadectomy in male cats. Journal of Animal Physiology and Animal Nutrition, v. 90, n. 3–4, p. 152–158, 2006.
  • BELSITO, K. R. et al. Impact of ovariohysterectomy and food intake on body composition, physical activity, and adipose gene expression in cats. Journal of Animal Science, v. 87, n. 2, p. 594–602, 2009.
  • BROOKS, D. et al. 2014 AAHA Weight Management Guidelines for Dogs and Cats. Journal of the American Animal Hospital Association, v. 50, n. 1, p. 1–11, 2014.
  • COLLIARD, L. et al. Prevalence and risk factors of obesity in an urban population of healthy cats. Journal of Feline Medicine and Surgery, v. 11, n. 2, p. 135–140, 2009.
  • DONOGHUE, S.; SCARLETT, J. M. Diet and Feline Obesity. J Nutr, v. 128, p. 2776–2778, 1998.
  • FETTMAN, M. . et al. Effects of neutering on bodyweight, metabolic rate and glucose tolerance of domestic cats. Research in Veterinary Science, v. 62, n. 2, p. 131–136, 1997.
  • HARPER, E. J. et al. Effects of feeding regimens on bodyweight, composition and condition score in cats following ovariohysterectomy. Journal of Small Animal Practice, v. 42, n. 9, p. 433–438, 2001.
  • KANCHUK, M. L. et al. Weight gain in gonadectomized normal and lipoprotein lipase-deficient male domestic cats results from increased food intake and not decreased energy expenditure. The Journal of nutrition, v. 133, n. 6, p. 1866–1874, 2003.
  • LARSEN, J. A. Risk of obesity in the neutered cat. Journal of Feline Medicine and Surgery, v. 19, n. 8, p. 779–783, 2017.
  • LOUREIRO, B. A. et al. Insoluble fibres, satiety and food intake in cats fed kibble diets. Journal of Animal Physiology and Animal Nutrition, v. 101, n. 5, p. 824–834, 2017.
  • MARTIN, L. et al. Leptin, body fat content and energy expenditure in intact and gonadectomized adult cats: A preliminary study. Journal of Animal Physiology and Animal Nutrition, v. 85, n. 7–8, p. 195–199, 2001.