ASPECTOS NUTRICIONAIS EM GATOS COM SENSIBILIDADES DO TRATO DIGESTÓRIO

publicado em: 09/07/2018

 

    INTRODUÇÃO

 

O gato é um animal com muitas particularidades. Ele passa 30% do tempo de vida se lambendo. Além disso, eles têm 40% de risco de sobrepeso porque brincam menos de 1 hora por dia e 75% dos felinos são castrados e dormem muito – consequentemente têm menos atividade no trato digestivo. Não raramente alguns gatos se alimentam muito rápido ocasionando regurgitações e/ou alterações na digestibilidade do alimento. Com isso, torna-se fundamental a clareza dos conceitos em torno do tema e a precisa abordagem nutricional a fim de melhorar a qualidade de vida do animal.
 

 

REGURGITAÇÃO

DEFINIÇÃO
 

A regurgitação é o refluxo passivo de alimento não digerido do esôfago e faringe. Uma vez que a regurgitação é passiva, não ocorre decorrente de sinais específicos (em particular sem contrações abdominais) e não é realizada por esforços de expulsão.

A regurgitação pode ocorrer imediatamente após uma refeição (caso o alimento permaneça na faringe ou porção cranial do esôfago) ou após várias horas (se o alimento estiver na porção caudal do esôfago).

O conteúdo regurgitado geralmente é um material não digerido e cilíndrico, oriundo do esôfago. Um critério importante é o pH, uma vez que normalmente o pH do conteúdo não é ácido.  Deve-se observar que o animal frequentemente consome o material regurgitado novamente.
 

OTIMIZANDO A DIGESTÃO
 

O exame do esvaziamento gástrico e a fase de digestão mostram que a velocidade de esvaziamento é modulada, entre outras, por:

  • O tamanho das partículas de alimento no estômago: um tamanho entre 1 e 1,5 mm parece ser um pré-requisito para evacuação ao intestino delgado.
  • A composição da alimentação diária: o conteúdo de lipídeo, em particular, e a densidade calórica interferem na velocidade de esvaziamento gástrico.

A consistência do bolo alimentar é o fator chave para o esvaziamento gástrico.
Um alimento com a finalidade de otimizar o esvaziamento gástrico e evitar o risco de vômito deve ser reidratável e/ou dissolver rapidamente em contato com a saliva e secreções gástricas em partículas pequenas que serão facilmente digeridas.



VÔMITO
 

O vômito corresponde à expulsão de conteúdo gástrico que pode estar parcialmente digerido. Normalmente precede de sinais prodrômicos: náusea (hipersalivação) e contrações abdominais com esforço de expulsão.
Nesse caso, a digestão do alimento pode estar mais ou menos avançada e, diferentemente do que ocorre na regurgitação, o pH do alimento geralmente é ácido, devido às secreções ácidas oriundas do lúmen estomacal.

 

 

DIARREIA

A diarreia resulta da absorção prejudicada dos nutrientes ou de excesso de solutos no bolo alimentar. A osmalilidade aumentada no interior do lúmen intestinal resulta em maior deslocamento  de líquido para o interior do intestino e consequente perda de água pelas fezes. A maiora dos solutos presentes na diarreia é composta por sódio, cloro, íons orgânicos e potássio. A perda de fluidos isotônicos diminui o volume plasmático circulante e pode, em casos graves, levar ao choque hipovolêmico que, sem intervenção médica, pode ocasionar a morte do animal. Quando a diarreia é grave e/ou prolongada, quantidades específicas de potássio podem ser perdidas pelas fezes e devem ser repostas.
 

 

QUANTIDADE DE FEZES


Os alimentos altamente digestíveis são os que proporcionarão um menor volume e odor fecal. A digestibilidade de um alimento é o quanto foi aproveitado ou absorvido a partir do ingerido. Assim, quanto maior a digestibilidade do alimento menor o volume fecal.

Para gatos que apresentam predisposição a problemas digestivos e regurgitações esporádicas, o alimento deve, além de ser nutricionalmente específico, com qualidade e quantidade de fibras ideais, proporcionar uma velocidade de ingestão e preensão adequadas e estimular a mastigação.

 

O PAPEL DA NUTRIÇÃO
 

Alguns gatos têm sensibilidade digestiva  que levam às fezes moles e diarreicas e essa sensibilidade requer um alimento de elevada digestibilidade. A quantidade de alimento, formato do croquete, frequência de alimentação e composição da dieta são importantes fatores que influenciam a função gastrintestinal.
 

A. PROTEÍNA ALTAMENTE DIGESTÍVEL : LIP

A palavra LIP significa “low indigestible proteins” que, no português é traduzido por “proteína de baixa indigestibilidade”. Essas proteínas são de altíssima assimilação e são de excelente qualidade. A indisgetibilidade proteíca é estimada laboratorialmente pela utilização de um método de mensuração denominado “Boisen” (Boisen e Fernandez, 1995), que é comprovadamente o melhor método in vitro para predizer a digestibilidade ileal em monogástricos e reconhecido como referência para a avaliação in vitro de digestibilidade (Cave, 2006).

Os benefícios da proteína LIP são: maior quantidade de proteína absorvida por unidade de quantidade de alimento ingerido, aumento na eficiência digestiva e menor resíduo proteico no cólon do animal (que pode ser a causa de fermentações indesejáveis e odores fétidos).

 

B. FRUTO-OLIGOSSACARÍDEOS

Os fruto-oligossacarídeos (FOS) são classificados como fibras fermetáveis. Não-digeridos, mas rapidamente fermentados pela microbiota bacteriana intestinal, os FOS são responsáveis pela produção de ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), necessários para a manutenção e renovação das células da mucosa intestinal. Além disso, o FOS estimula a microbiota bacteriana benéfica (Lactobacillus) e limita o crescimento das bactérias potencialmente patogênicas (Enterocateriaceae e Clostridia).

C. AMIDO DIGESTÍVEL

O arroz é uma fonte de amido digestível e apresenta algumas características importantes (Murray et al., 1999):

  • limita a excreção fecal graças a melhor absorção intestinal;
  • limita o nível de fibra comparado a outros cereais;
  • é mais sensível às atividades enzimáticas graças a um baixo nível de amilopectina e um alto teor de amilose.

 

D. FONTE DE ÔMEGA 3 E ÁCIDOS GRAXOS EPA e DHA

Os ácidos graxos ômega 3 reduzem e previnem a inflamação intestinal por inibir a secreção de citocinas inflamatoriase eicosanoide. Esses efeitos foram demonstrados em modelos de roedores e porcos. Ensaios em seres humanos variam, mas alguns estudos demonstraram redução na inflamação, menor uso de corticoides e redução nas taxas de remissão dos sinais (Hickman, 1998).

 

    CONCLUSÃO


Para gatos com sensibilidade digestiva e/ou regurgitação, o produto Digestive care é o alimento mais completo e indicado para auxiliar na prevenção desses distúrbios.

 

    REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

 

  • Boisen S. and Fernandez J.A. Prediction of apparent ileal digestibility of protein and amino acid in feedstuffs for pigs by in vitro analysis. J Anim Feed Science and Technology, 1995, 51, p.29-43.
  • Cave N. Hydrolyzed protein diets for dogs and cats. Vet Clin North Am Small Anim Pract. 2006 Nov;36(6):1251-68.
  • Murray, S. M., G. C. Fahey, N. R. Merchen, G. D. Sunvold, and G. A. Reinhart. 1999. Evaluation of selected high-starch flours as ingredients in canine diets. J. Anim Sci. 77, no. 8 (August 1): 2180-2186.
  • Hickman, M A. 1998. Interventional nutrition for gastrointestinal disease. Clinical Techniques in Small Animal Practice 13, no. 4 (November): 211-6. doi:9842113.

 

 
    SOBRE A AUTORA


M.V. MSc Luciana Peruca - Comunicação Científica RC
M.V. MSc, Membro da Equipe de Comunicação Científica da Royal Canin Brasil