ALIMENTAÇÃO DO FILHOTE FELINO

publicado em: 13/06/2018
    INTRODUÇÃO

 

Na clínica veterinária, o acompanhamento da gestante e cuidado pré-natal estão intimamente ligados ao nascimento de filhotes hígidos e diminuição da mortalidade neonatal. Nesse período, a imaturidade de várias vias fisiológicas associadas à quebra das barreiras físicas, químicas e microbiológicas representadas pelo ambiente uterino faz do neonato uma categoria animal vulnerável a desordens infecciosas e metabólicas, como a hipotermia, a desidratação e a hipoglicemia.

As necessidades energéticas das gatas variam do acasalamento até a lactação, com um aumento de 25-50% durante a gestação até 100-200% durante a lactação, quando comparada a sua necessidade em manutenção. Na última semana de gestação, observa-se uma tendência à redução no consumo calórico, relacionada com o aumento de volume do útero.

O ganho de peso das gatas durante a gestação é diferente daquele de outras espécies, sendo uma curva linear, que inicia na 2ª semana após a fecundação.

Ao nascimento, ocorre a lactação. Durante as primeiras 36 primeiras horas, a gata produz o colostro, uma secreção láctea rica em imunoglobulinas. O colostro confere a transferência de imunidade passiva da mãe para os filhotes.

Após 36 horas, a gata produz o leite, que será a única fonte de energia e nutriente nas primeiras semanas de vida dos filhotes. A composição do leite de gatas é influenciada por fatores como dieta, estágio da lactação, tamanho da ninhada e posição das glândulas mamárias.

Durante a lactação, as gatas são incapazes de suprir suas necessidades energéticas elevadas e utilizam sua reserva de gordura que, por sua vez, precisa ter ocorrido durante o início da gestação. As gatas, portanto, perdem peso nessa fase.

 

DESMAME

 

Ocorre entre a 3ª e a 8ª semana e caracterizada pela baixa competência digestiva (pela redução da atividade da enzima lactase e baixa quantidade da enzima amilase) além da janela imunológica provocada pelo decréscimo dos anticorpos maternos. Nesse momento de transição para dieta comercial, devemos considerar nutrientes como antioxidantes e prebióticos, a fim de suportar essas condições.

O desenvolvimento dos filhotes felinos ocorrem em duas fases distintas:
 

1.  A primeira fase de crescimento intenso e velocidade crescente, que vai até os 4 meses de idade e pode garantir 50% do peso do gato quando adulto.

2.  A segunda fase de crescimento mais lento, que vai de 4 a 12 meses de idade e garante o ganho dos outros 50% de peso até a fase adulta.


 

O PAPEL DA NUTRIÇÃO

 

Além de atender as necessidades nutricionais das mães e dos filhotes, as dietas devem assegurar palatabilidade (através de variações em textura, por exemplo) e disponibilidade dos nutrientes, advinda da qualidade dos ingredientes utilizados. Dessa forma, é possível reduzir riscos de subdesenvolvimento, baixa imunidade e diarreia, e garantir o desenvolvimento ideal dos filhotes.




 

    REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

  • FERREIRA, S.T.; ZIMMERMANN, M. Cuidados básicos com a gestante e o neonato felino. In: Revista Científica do Curso de Medicina Veterinária – FACIPLAC. Brasília, 2017.
     
  • LEWIS, L. D.; MORRIS JR, M., HAND, M.S. Small Animal Clinical Nutrition. Topeka, 1994.
     
  • PRATS, A. Período neonatal. In: Neonatologia e pediatria: canina e felina. São Caetano do Sul: Interbook, 2005.
     
  • CRESPILHO, A. M.; MARTINS, M. I. M.; SOUZA, F. F.; LOPES, M. D.; PAPA, F. O. Abordagem terapêutica do paciente neonato canino e felino: particularidades farmacocinéticas. In: Revista Brasileira de Reprodução Animal. Belo Horizonte, 2006.