A NUTRIÇÃO DA GATA GESTANTE

publicado em: 11/06/2018
    INTRODUÇÃO

 

As gatas podem reproduzir com êxito a partir de 1 ano até 8 ou 10 anos de idade, mas sua melhor época reprodutiva fica entre 2 e 5 anos de idade. É importante que as gatas estejam completamente maduras para garantir uma reprodução bem-sucedida, uma gestação saudável e bons cuidados pós-parto para os filhotes. A gata está regularmente no cio durante a época de acasalamento (geralmente na primavera e verão), mas há grandes variações, de acordo com a iluminação, as condições de vida e a raça.
 

Os felinos são espécies de ovulação induzida: a cópula induz à rápida liberação de LH (hormônio luteinizante), que leva à ovulação 24 a 30 horas mais tarde. Se a ovulação não ocorrer, os folículos ovarianos regridem e o cio chega ao fim. Um novo ciclo se iniciará de 12 a 21 dias se a época de acasalamento permanecer favorável.
 

O tempo de gestação dura em torno de 65 dias desde o acasalamento até o parto. Após a implantação do embrião (por volta do 12º. dia), o desenvolvimento do futuro filhote pode ser dividido em duas fases:
 

1. EMBRIOGÊNESE (DIAS 12 A 24): quando os principais órgãos e estruturas do corpo começam a se desenvolver;

2. CRESCIMENTO FETAL: do 25º.dia até o final da gestação. Mais de ¾ do peso do filhote ao nascimento é adquirido pelo filhote após o 40º.dia gestacional.
 

O tamanho da ninhada varia de 1 a 10 filhotes, mas a média são 4 filhotes. Os filhotes se alimentam exclusivamente de leite materno durante as primeiras 3 ou 4 semanas; depois desse período, eles começam a transição para um alimento sólido. Muitas vezes, eles ainda mamam em suas mães até a 7ª, 8ª semanas de vida.


 

    NECESSIDADES ENERGÉTICAS DURANTE A GESTAÇÃO E A LACTAÇÃO

 

Do acasalamento à lactação, as necessidades energéticas das gatas mudam drasticamente, variando de:
 

  • Aproximadamente 60 kcal/kg/dia durante o cio, muitas vezes com comportamento exigente enquanto elas estão na presença do gato macho;
     
  • 90 kcal/kg/dia em média durante a gestação. As necessidades energéticas podem ser calculadas de forma mais precisa com um aumento semanal de 10% em comparação à manutenção de uma gata não castrada. Durante a última semana de gestação, observa-se uma tendência à redução no volume alimentar, relacionada ao aumento do tamanho do útero;
     
  • De 120 a 180 kcal/kg/dia durante a lactação, proporcionalmente ao consumo de leite pelos filhotes, ao tamanho da ninhada e à semana da lactação. Durante essa fase, as gatas são incapazes de suprir suas necessidades energéticas elevadas e utilizam sua reserva de gordura, que, por sua vez, precisa ter ocorrido durante toda gestação e início da lactação. As gatas, portanto, perdem peso nessa fase.


 

    CONSUMO ALIMENTAR DURANTE A GESTAÇÃO E A LACTAÇÃO

 

O ganho de peso na espécie felina durante a gestação é diferente ao de outros mamíferos, como seres humanos e os cães, onde a maior parte do ganho de peso da fêmea ocorre na fase final da gestação. As gatas exibem um padrão distinto caracterizado por um ganho de peso linear durante toda a gestação, independentemente do número de fetos. O consumo calórico anda lado a lado com esse ganho de peso linear.

O ganho de peso começa logo após a gata ter ovulado, mesmo se, em algumas gatas, for observado um pequeno declínio alimentar após o acasalamento.

Ao nascimento, ocorre a lactação. Durante as 36 primeiras horas, a gata produz o colostro, uma secreção láctea rica em imunoglobulinas (anticorpos). O colostro confere a transferência da imunidade passiva da mãe para os filhotes. Nesse momento, os filhotes são incapazes de produzir anticorpos para si mesmos. Após 36 horas, a gata produz leite, que será a única fonte de energia e nutrientes para os filhotes.

 

    MODIFICAÇÃO DO CONSUMO ALIMENTAR NO FINAL DA GESTAÇÃO E INÍCIO DA LACTAÇÃO


Imediatamente antes, e logo após o parto, o consumo alimentar da gata é reduzido, mas aumenta rapidamente de acordo com o nível de necessidade energética para suprir as demandas da lactação. Na segunda semana da lactação, as gatas demonstram um consumo calórico altamente variável. Esses resultados bastante individualizados do consumo de energia e da perda de peso das gatas à ingestão calórica indicam que outras influências, como nível de atividade e estresse são fatores importantes para as necessidades reais de energias.
 

A progesterona é produzida em grandes quantidades na gestação, mas sua produção diminui ao término do período gestacional, imediatamente antes do parto. Esse hormônio desempenha ações essenciais para manter a gestação e garantir um parto seguro a termo. A progesterona também exerce influência sobre o cérebro na gestação, por meio de interações com o sistema de neuropeptídios ou por meio da modulação de ações dos hormônios peptídicos circulantes sobre esse órgão. Essas ligações peptíticas formam cadeias curtas indutoras de alterações nos sistemas fisiológicos centrais que favorecem a gestação, incluindo alteração no controle do equilíbrio hidroeletrolítico, do apetite e da distribuição da energia, bem como nas respostas ao estresse. Essas alterações profundas na exposição do cérebro aos níveis reduzidos de progesterona após o parto, podem explicar essa modificação alimentar.


 

    REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

  • B Wichert, L Schade, S Gebert, B Zottmaier, C Wenk, M Wanner. Energy and protein needs of cats for maitenence, gestation and lactation. Journal of feline medicine and surgery (2009) 11, 808-815.
     
  • B Weicher, M Signer, D Uebelhart. Cats during gestation and lactation fed with canned food ad libitum: energy and protein intake, development of body weight and body composition. Journal of animal physiology and animal nutrition, 2011.
     
  • P Brunton, J Russell. Endocrine induced changes in brain function during pregnancy. Brain research 1364 (2010), 198-215.