Distúrbios digestivos em cães de trabalho e atletas

publicado em: 07/02/2018
INTRODUÇÃO


Os cães são amplamente utilizados pelo homem tanto para fins esportivos (corridas de trenó, agility, esqui), quanto para atividades voltadas ao trabalho (cães-guia, busca e resgate, postos policiais, etc). Do ponto de vista comportamental e nutricional, o tratamento desses animais é algo único e peculiar, pois depende do tipo de trabalho realizado (provas de resistência ou velocidade), de sua intensidade e das condições ambientais
sob as quais os cães são mantidos e empregados.


 

  DESTAQUES
  • As condições gastrointestinais (GI) em cães de trabalho e atletas podem ser de origem multifatorial. Fatores como genética, dieta, condições de vida e de trabalho, bem como tipo de trabalho e sua intensidade, devem ser a prevenção e o tratamento de doença nesses animais.
  • O aumento das necessidades nutricionais e o equilíbrio específico da dieta em alguns cães de esporte e de trabalho indicam que eles, muitas vezes, estão perto dos limites da tolerância GI ou até ultrapassam esses limites. A adaptação da dieta e o método de alimentação para cada animal constituem uma boa forma de otimizar o desempenho e prevenir doenças.
  • O estresse, seja ele mental, metabólico, ou oxidativo, afeta o desempenho e a saúde de um cão. O sistema GI é um dos primeiros a serem acometidos por estresse.
  • Atividade física intensa e/ou prolongada tem inúmeras consequências sobre o sistema GI do animal, incluindo vômitos, ulceração gástrica e diarreia. Essas condições diminuem seu desempenho e podem afetar seu estado de saúde geral.
  • A prevenção de distúrbios GI em cães de trabalho requer uma abordagem multifatorial, incluindo as condições da criação e de trabalho, bem como os fatores relacionados com a dieta.

 

ALVO NO DESEMPENHO


O desempenho do cão de trabalho depende de inúmeros fatores. Embora a genética determine o potencial de um cão, seu desempenho global será influenciado pela forma como é criado, pelo ambiente onde ele vive, pelas condições climáticas desse ambiente, bem como pelo adestramento e instrução do animal. Fatores como saúde, dieta, adestramento e programação de trabalho do cão afetam, sem exceção, sua capacidade de realizar. Além disso, o nível de desempenho requerido também influencia esses parâmetros.


Portanto, a melhoria do desempenho no cão de trabalho exige uma abordagem multifatorial complexa, embora exista um fator comum capaz de diminuir esse desempenho: o estresse.


 

ESTRESSE E SUAS CONSEQUÊNCIAS


O estresse abrange as reações biológicas e mentais do corpo em resposta a um meio específico ou ambiente em peculiar. Isso resulta em uma cascata de reações neurológicas e hormonais que visam preparar o corpo para responder a algum desafio.

Embora situações ocasionais indutoras de estresse possam ter efeitos favoráveis por mobilizar as habilidades de sobrevivência do animal, o estresse crônico pode provocar sinais clínicos mentais e/ou físicos.

Nos cães de trabalho, o estresse biológico tem múltiplas origens. Esse tipo de estresse está intimamente ligado às condições de vida e higiene, mas também à dieta (qualidade e quantidade), à carga de trabalho (treinos e competições) e ao estado psicológico do animal. É uma prática padrão classificar o estresse de uma forma esquemática em um de três grupos principais: (a) estresse fisiológico, decorrente dos treinos e das competições, (b) estresse mental, resultante da atividade específica exigida do cão e, por fim, (c) estresse oxidativo, uma consequência do aumento no metabolismo durante o esforço.