Por que é necessário que sua clínica tenha um enfoque felino?

publicado em: 30/01/2018
INTRODUÇÃO


A medicina felina tem crescido de forma progressiva em termos de popularidade; a primeira clínica exclusiva para gatos foi fundada nos Estados Unidos nos anos 1970. Atualmente, os médicos-veterinários podem obter a especialização em medicina e cirurgia felinas em muitos países. Além disso, existem inúmeras oportunidades específicas de educação continuada, incluindo periódicos e livros dedicados à medicina felina. No entanto, há uma desconexão entre os avanços na medicina felina e o dia a dia de uma clínica veterinária. Embora os gatos já tenham superado os cães como animal de estimação mais popular em muitos países, a maioria das clínicas veterinárias destina-se principalmente ao atendimento de pacientes caninos. Ademais, foram publicadas recentemente algumas estatísticas alarmantes sobre a medicina veterinária felina, destacando ainda mais a discrepância no cuidado de pacientes felinos em comparação aos caninos.
 

  DESTAQUES
  • Embora tenham ocorrido grandes avanços na medicina felina nos últimos 50 anos, a probabilidade de os tutores de gatos procurarem por atendimento veterinário para o seu animal de estimação é menor em comparação aos tutores de cães;
  • Adaptar as normas e os procedimentos do hospital veterinário, tendo o paciente felino em mente, traz benefícios tanto para o paciente quanto para o tutor e o médico-veterinário, para isso, o ponto de partida está na compreensão da natureza única e singular dos gatos;
  • Existem muitos fatores que podem fazer a diferença entre uma clínica onde o gato é bem recebido e se sente seguro e uma clínica atrativa tanto para o gato quanto para o tutor;
  • O manejo cuidadoso do gato é essencial para o êxito de uma clínica veterinária de felinos e existem várias maneiras de fazer isso corretamente.

 

 

Existem inúmeras e complexas razões que explicam o declínio no atendimento veterinário felino. Dentre elas, destacam-se:

  • Dificuldade de levar o gato à clínica veterinária;
  • Baixo nível de conhecimento do tutor sobre as necessidades médicas básicas do gato;
  • Dificuldade do tutor em identificar os sinais clínicos sutis de doença nos gatos;
  • A ideia de que os gatos são capazes de cuidar de si mesmos;
  • A crença de que os gatos criados estritamente dentro de casa estão protegidos de grande parte das doenças;
  • A percepção dos gatos como um animal de pouco valor, uma vez que muitos deles são adquiridos acidentalmente ou sem pagar nada por eles;
  • O desconforto e o estresse do tutor associados a experiências ruins na clínica veterinária

 

POR QUE É NECESSÁRIO TER UMA CLÍNICA ACOLHEDORA PARA GATOS?


A compreensão da natureza única e peculiar dos gatos, bem como das respostas fisiológicas e comportamentais dessa espécie frente ao estresse, pode ajudar os médicos-veterinários a lidarem com esses pacientes. O gato é um animal que está vinculado ao ambiente de seu lar, sendo, portanto, raro que ele o abandone por decisão ou escolha própria.

A implementação de abordagens à criação de um ambiente acolhedor para os gatos e o emprego de técnicas adequadas de manejo na clínica não só favorecem o bem-estar e o atendimento desses pacientes, mas também tornam o trabalho com eles algo mais seguro e recompensador para a equipe veterinária.

 

DIMINUIÇÃO DO ESTRESSE


Para os médicos-veterinários, adaptar as normas e os procedimentos da clínica, considerando as necessidades do gato, é algo benéfico tanto para os pacientes felinos quanto para os negócios relativos à medicina-veterinária. O primeiro ponto consiste em ensinar o tutor sobre como se deve transportar o gato à clínica veterinária. 

A tomada de medidas para reduzir o estresse associado às consultas veterinárias deve começar em casa. Para isso, o gato deve se acostumar com a caixa de transporte e a viagem de carro desde cedo. Não é prudente  colocar mais de um gato na caixa, uma vez que podem ocorrer lesões ou agressões em situações de medo e/ou ansiedade.

As caixas de transportes devem ser robustas, com amplas aberturas na frente e em cima. Elas devem causam sensação de proteção e segurança. Se as laterais forem vazadas, pode-se colocar uma toalha ou cobertor para que o gato tenha maior privacidade.

O gato deve ser transportado à clínica com o estômago vazio, pois isso ajuda a evitar a doença do movimento, conhecida como cinetose de viagem e aumenta o seu interesse por petiscos enquanto estiver na clínica.

 

CLÍNICAS ACOLHEDORAS PARA GATOS


Ao entrar na clínica, o tutor deve se sentir bem recebido com sinais visíveis de que a equipe veterinária se importa com os gatos. Itens como pôsteres, cartazes sobre espécies felinas, fotos do pessoal da clínica com os gatos dos clientes, produtos para gatos e informações específicas sobre esses animais de estimação são bem-vindos.

Todo o pessoal da clínica que interage e lida com os gatos e seus tutores deve ter conhecimento não só sobre cuidados gerais para cada espécie, mas também sobre questões relativas à raça, ao comportamento e manejo, bem como às necessidades clínicas e cirúrgicas.

A clínica pode ainda realizar sessões informativas especiais para orientação sobre diabetes, prevenção e tratamento de obesidade, além de creche para os filhotes de gatos, etc.

Quanto ao ambiente, pode ser criada uma sala de espera agradável para os gatos, e não acessíveis para os cães, colocando uma divisória, por exemplo.

Algumas prateleiras à disposição, para que o tutor possa colocar a caixa de transporte distante do chão. Algumas clínicas têm tido sucesso ao reservar uma tarde por semana e/ou um sábado por mês para atendimento exclusivo de felinos.

Como segurança, deve-se garantir que o gato solto não escape pelas portas ou janelas abertas, nem fique encurralado em algum lugar inacessível.

Procedimentos simples, como corte de unhas, medição da pressão arterial, coleta de amostra de sangue e urina, devem ser feitos numa mesma sala, em vez de transferir o gato de local, o ideal é que a equipe venha até o animal. Se o tutor não quiser ver o procedimento, pode ser conveniente esperar na sala de espera até a finalização do mesmo.

Os gatos que exibem ansiedade ou medo durante as consultas veterinárias podem se beneficiar de consultas mais longas e sem pressa. Se tudo falhar, deve-se considerar a sedação, em vez de forçar a manipulação e gerar um incidente traumático para todos os envolvidos.