Como otimizar o estilo de vida interior para os gatos?

publicado em: 17/01/2018
INTRODUÇÃO


Sem dúvida, o convívio com animais de estimação traz muitos benefícios aos seres humanos. Eles ajudam a aliviar o estresse, a estabelecer uma rotina e a melhorar a saúde do homem. No entanto, há controvérsias quanto à melhor maneira de cuidar dos gatos, existindo diferenças culturais e regionais em relação ao que as pessoas acreditam ser a melhor forma de acolher e acomodar os gatos em casa.

Em 1997, alguns estudos mostram que 50-60% dos gatos viviam estritamente dentro de casa nos Estados Unidos, enquanto no Reino Unido, a maioria tinha acesso a ambientes externos.

A decisão de manter um gato dentro de casa pode ser uma questão prática: por exemplo morar no 21º andar de um edifício numa cidade agitada e movimentada limita o acesso ao exterior. Em outros casos, também é verdade que o estilo de vida interior diminui os riscos de perdas do animal por perambulação, andar sem rumo, envenenamento ou intoxicação, acidentes, doenças contagiosas ou brigas com outros animais. Além disso, os tutores podem supor que isso previna o risco de infestação por parasitas, pulgas por exemplo. Outras razões para manter os gatos em ambientes internos incluem a prevenção de gestações indesejadas quando o animal não é castrado.

 

Destaques

 

  • Os gatos com estilo de vida estritamente interior apresentam um menor risco de sofrer traumatismos, a saber: a) por acidente de carro, b) relacionados à predação, c) como consequência de interações agressivas, como brigas com outros gatos ou animais, além de estarem menos expostos a doenças infecciosas;
  • A vida doméstica não é isenta de riscos;

  • Nem todos os gatos conseguem se adaptar facilmente a um estilo de vida interior e, por conta disso, podem ter maior risco de apresentar determinados problemas, tanto comportamentais quanto clínicos;

  • Para proporcionar um estilo de vida interior satisfatório, é preciso suprir todas as necessidades ambientais e sociais dos gatos, além disso, o bem-estar de cada gato precisa ser avaliado periodicamente ao longo do tempo;
  • Previsibilidade, familiaridade, rotina e senso de controle são fatores essenciais para reduzir o estresse dos gatos;
  • O fato de oferecer acesso ao exterior não compensará condições precárias dentro de casa.

 

 

AUMENTO DOS RISCOS ASSOCIADOS A UM ESTILO DE VIDA ESTRITAMENTE INTERIOR

 

  • Doenças do trato urinário (cistite idiopática e urolitíase por oxalato de cálcio);
  • Problemas dermatológicos (atopia/dermatite acral por lambedura);
  • Obesidade;
  • Diabetes;
  • Lesões reabsortivas odontoclásticas;
  • Tédio em função da monotonia;
  • Acidentes domésticos (queimaduras, venenos, substâncias tóxicas, quedas);
  • Inatividade, condicionamento físico reduzido;
  • Comportamentos problemáticos (marcação territorial com urina, arranhadura);
  • Distúrbios comportamentais (comportamentos obsessivos);
  • Hipertireoidismo.

 

As “Cinco Liberdades”, descritas pela primeira vez em 1965 para definir o bem-estar dos animais de criação, foram mais recentemente adaptadas para os gatos. Para o seu bem-estar, os animais têm direito a:

  1. Suprimento de água e alimento: uma dieta balanceada que atenda às necessidades nutricionais do animal em cada fase de sua vida, além de água fresca e limpa.
  2. Disponibilização de um ambiente apropriado: espaço e abrigo adequados, com iluminação suficiente, pouco ruído e sem temperaturas extremas. A área pode ser estritamente doméstica (interior) ou com acesso ao exterior.
  3. Prestação de cuidados de saúde: vacinação, castração, controle parasitário, identificação individual (microship, coleira) e fácil acesso à assistência veterinária.
  4. Provisão de oportunidades para expressar a maioria dos comportamentos normais, incluindo aqueles direcionados a outros gatos e seres humanos.
  5. Fornecimento de proteção frente a situações que possivelmente induzem a medo e angústia.

Embora a vida da maioria dos gatos de interior seja devidamente suprida com água e alimento e ainda receba os cuidados necessários na presença de enfermidades, muitos deles não têm a oportunidade de expressar os comportamentos normais da espécie felina. Isso pode gerar angústia, medo, comportamentos indesejáveis e, inclusive, doenças. Os comportamentos típicos do gato incluem a) atividades lúdicas, brincadeiras, b) exploração e observação do ambiente, c) predação ou caça, d) ingestão de água e alimento, e) auto-higienização por lambedura, f) arranhadura, g) perambulação/circulação, h) marcação territorial com odores, i) eliminação de urina e fezes, j) repouso e sono. Além disso, os gatos são crepusculares, ou seja, seu pico de atividades ocorre ao anoitecer e ao amanhecer.