Guia Rápido Sobre a Alimentação de Gatos Hospitalizados

publicado em: 09/01/2018

Quando se deve fornecer alimento?

  • Basicamente, o mais rápido possível;
  • Se o gato vir a apresentar anorexia com mais de 3 dias de duração;
  • Quando os filhotes felinos exibem anorexia com algumas horas de duração;
  • Logo que os parâmetros cardiovasculares e hemodinâmicos estiverem estabilizados, antes de administrar o alimento, é preciso corrigir os principais distúrbios eletrolíticos, como hipercalemia;
  • Dentro de 24 horas seguintes à admissão hospitalar do paciente;
  • Dentro de 6 a 12 horas após alguma cirurgia gastrointestinal.

Que tipo de dieta deve ser oferecido?

  • Um alimento palatável com aroma agradável;
  • Para estimular o apetite, pode-se considerer o uso de alguns petiscos inicialmente;
  • Uma dieta de cuidados intensivos com alto teor de calorias e proteínas;
  • O alimento deve estar à temperatura ambiente.

Como o gato deve ser alimentado?

  • Por nutrição entérica, sempre que possível;
  • Se a nutrição entérica não proporcionar a ingestão adequada de calorias, deve-se usar a nutrição parentérica parcial;
  • Se ainda não for suficiente, lança-se mão da nutrição parentérica total.

Qual é a melhor forma de estimular o apetite?

  • Utilizando um alimento altamente palatável;
  • Criando um ambiente tranquilo e acolhedor para o gato, com uma cama macia e confortável, além de um lugar onde ele possa se esconder;
  • Certificando-se de que o gato não tem dor e fornecendo analgésicos, se necessários;
  • Administrando antieméticos e protetores gástricos na presença de náuseas;
  • Limpando e desobstruindo as narinas do gato por meio da remoção de qualquer muco ou outro material, uma vez que o apetite é estimulado pelo olfato;
  • Oferecendo alimento fresco à temperatura ambiente e com regularidade.

E quanto aos estimulantes de apetite?

  • Os estimulantes de apetite podem ser utilizados quando os métodos convencionais não funcionarem;
  • As opções disponíveis incluem: a) ciproeptadina, um antagonista histaminérgico do receptor H1 (1-4 mg/gato a cada 12-24h/via oral), e b) mirtazapina, um antagonista serotoninérgico do receptor 5-HT3 (3-4 mg/gato a cada 3 dias/via oral);
  • Os benzodiazepínicos (ex. midazolam) podem ser usados como uma opção a curto prazo  se os outros medicamentos falharem. Apesar de causarem sedação, podem induzir o apetite em doses muito baixas (0,05 mg/kg IV). Contudo, há relatos de insuficiência hepática no gato após administração de diazepam.

E se o gato não comer?

  • Se as outras técnicas falharem, pode usar a alimentação forçada (mas, ao mesmo tempo, cautelosa e prudente) com o uso de uma seringa;
  • Se a nutrição entérica for possível e o gato não ingerir as calorias necessárias de maneira espontânea, deve-se recorrer à alimentação por sonda, sendo 2 tipos conforme descritas abaixo:

Sonda de alimentação nasoesofágica

  • É fácil de colocar, sem a necessidade de anestesia geral;
  • Pode ser removida a qualquer momento;
  • É utilizável por três ou mais dias;
  • É apropriada apenas para dietas líquidas.

Sonda alimentação inserida por esofagostomia

  • Permite evitar a boca e a faringe;
  • É adequada tanto para dietas líquidas quanto pastosas;
  • Se necessário, por deixá-la por várias semanas;
  • Pode ser removida a qualquer momento;
  • Requer anestesia geral para a sua colocação.

Técnica de alimentação através de sonda

  • Utilize o alimento à temperatura ambiente;
  • Irrigue a sonda antes e depois da alimentação com 2-3 mL de água;
  • Inicie com pequenos bólus de alimento (1-2 mL/kg a cada 2-4 horas);
  • Alimente o gato com 1/3 de suas necessidades energéticas de repouso* (NER) no primeiro dia , 2/3 no Segundo dia e 3/3  no terceiro dia;
  • Aumente gradativamente o volume do bólus alimentar até 10 mL/kg (se tolerado pelo gato);
  • Como alternativa à alimentação em bólus, pode-se administrar uma dieta líquida em velocidade de infusão constante a uma taxa de 1-2 mL/kg/hora. Com essa técnica, é necessário lavar a sonda com água a cada 4-8 horas.